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In other words...

Thursday, 11 December 2014

Olhar em frente

Há precisamente uma semana, num fim de tarde triste, saí de casa para ir, finalmente, ver a árvore de Natal nos Aliados. A minha intenção era arejar e acalmar-me, mas também tentar imbuir-me um pouco do espírito de Natal. Consegui a primeira, a segunda não deve cá chegar a tempo.
Eu, que não tomo decisões nem peço desejos na passagem de ano, senti-me como uma criança a pedir àquela árvore metalizada que me trouxesse apenas duas coisas.
A primeira chegou pouco depois e pode ser o que põe a outra, que não sei se algum dia terei, em segundo plano.
Hoje, enquanto bebo um copo de Bailey's bem frio, depois de ter ido, novamente, dar uma volta para me acalmar, percebo que devo focar-me naquilo que posso controlar, em ser a melhor versão de mim mesma, em dar o melhor de mim, em exigir de mim e em contar com mais ninguém. Tudo o que vier para além disso é um bónus.

Tuesday, 9 December 2014

Coisas estranhas

Depois de reservar uma noite só para mim, abri uma quantidade ridícula de janelas de chat e combinei jantares, almoços e lanches para o resto da semana com várias pessoas diferentes.
Como eu gosto disto!

É verdade

É fácil dizer que se morre por amor, mas não é fácil, de facto, morrer por amor. A maior parte das vezes, curte-se o desgosto, limpam-se as armas e sai-se de novo em campanha.

Miguel Sousa Tavares, in Não se encontra o que se procura

Crónicas de uma noite

Ontem estava com tanto frio, mesmo debaixo de várias camadas de roupa de cama, que me deitei com uma écharpe enrolada à volta do pescoço.
Acordei a meio da noite e devo ter ficado uma hora acordada. A pensar na vida? Nos problemas sérios de amanhã? Nada disso, a fazer mentalmente a ementa para o meu lanche de aniversário.
Foi uma noite produtiva, portanto.

Saturday, 6 December 2014

Luxo


Luxo é trabalhar no prédio onde vive a minha irmã e receber um telefonema dela, só porque sim, para passarmos o resto da tarde juntas. E fazer isso mesmo: comprar um croissant, encher um copo com coca cola zero (sempre zero), enfiar-me debaixo de uma manta ao lado dela e falar bem e mal até serem horas de ir comprar ingredientes para o jantar que me comprometi a fazer. E passar o resto da noite a rir, a beber sommersby e a tentar comer uma fatia gigante de bolo de chocolate.
Luxo é ser quase inverno e eu sentir que, de certa forma, posso recuperar o meu verão.

Thursday, 4 December 2014

Querido Pai Natal...

Estava pronta para pedir ao Pai Natal que este ano me desse apenas uma dose suficiente de amnésia para esquecer que 2014 alguma vez tinha acontecido. Até que entrei no meu carro, numa fria mas aconchegante noite de fim de outono, depois de um ótimo jantar numa ótima companhia e constatei que este ano conquistei mesmo muita coisa. Os últimos dias são prova disso, os próximos também e, sinto, o que aí vem há-de ser uma boa consequência deste ano turbulento.
Portanto peço apenas que o Pai Natal me traga um 2015 calmo. Só isso, calmo.

Sufoco

Ontem voltei a ter um triste encontro com a realidade das temperaturas baixas: quando o tempo está frio não consigo correr sem que a minha garganta se feche como se tivesse um pedregulho lá dentro. E eu, que até estava a fazer um bom ritmo, tive de resignar-me a algo semelhante a uma marcha e a aceitar que, até as temperaturas voltarem a aumentar, as corridas passarão a ser feitas na passadeira, indoors.
Mas quando parei para recuperar algum do oxigénio, sentei-me num montinho de relva mesmo em frente ao rio, com o sol a dar-me na cara, a fazer uma introspeção e a tomar decisões de vida. Bem,  de resto, ultimamente é quase só a isso que me dedico.
Ocorreu-me, então, um pensamento que me sufocou um pouco mais do que a falta de ar durante a corrida... Há gente de quem nos despedimos numa de um dia destes combinamos qualquer coisa e que somos capazes de nunca mais encontrar, mas isso não nos inquieta. De vez em quando somos capazes de nos lembrarmos dessas pessoas, mas temos a segurança de que um dia, se quisermos, podemos pegar no telefone e combinar um café. No entanto, há gente de quem nos despedimos conscientemente para sempre, da vida de quem saímos e a quem pedimos para sair da nossa por sabermos que é o melhor a fazer, e, ainda assim, passamos dias de clausura a chorar de saudades, a sentir o coração apertado e os pulmões incapazes de trabalhar.
Que sentido é que isto faz?

Wednesday, 26 November 2014

Recomeçar

Sou uma pessoa de pessoas, não posso mentir, sobretudo quando a minha vida está instável, ando inquieta e preciso de aprovação constante. Há momentos desses, uns mais longos do que outros.
Mas eis que tudo, finalmente, acalma. A poeira assenta, o rabo senta no sofá, a cabeça para de pensar trezentos passos à frente e foca-se em mim, no hoje e no amanhã. E os projetos deixam de ser irreais para serem concretizáveis.
Amanhã começa uma nova fase, uma etapa minha, escolhida por mim para mim. E, pela primeira vez, vou sem expectativas absolutamente nenhumas.
Não sei onde aprendi isto... fui aprendendo, tive de habituar-me a não esperar nada dos outros, continuar a esperar dar o melhor de mim.
Usando o maior cliché de sempre, amanhã é o primeiro dia do resto da minha vida. E estou ansiosa.

Friday, 21 November 2014

Momentos

À meia noite e meia, sentada dentro do carro na noite escura, faço a rotunda e vejo folhas castanhas dançarem, vindas das árvores. Tal e qual como nos filmes.
Senti-me feliz. Naquele momento de solidão, depois de um dia emotivo e antes de uma curta noite descansada, ver as folhas a cair em vez da chuva no sítio que tantas vezes percorri a pé ao longo dos anos, fez-me sentir que, seja como for, ainda há muita felicidade aí algures à minha espera.
Porque os pequenos momentos isolados e inesperados é que contam.


Monday, 3 November 2014

Não Natal

O meu espírito natalício está abaixo de zero e tenho muito pouca vontade de pensar em como/onde vou passar o Natal, mas as decorações espalhadas por todas as superfícies comerciais fizeram-me dar conta de que os meus anos estão aí mesmo à porta. Não há como escapar, embora não me importasse de fechar os olhos e acordar apenas no dia 2 de janeiro, depois das festividades todas. E, com esta aproximação, surgem as perguntas daquilo que quero receber de prenda.
Depois de pensar um bom bocado na questão, há meia dúzia de coisas que me vêm à cabeça, mas das duas uma: ou não estou com falta de bens materiais, ou estou com muito pouca imaginação.
Cá estão elas:

- Um fim de semana na Serra da Estrela num hotel quentinho no meio da neve (é... diz que faço anos num domingo...)
- Depilação a laser (para o meu irmão parar de se queixar de que ponho a máquina a funcionar sempre que vou a casa dele)
- Um tablet (porque andar com o computador para trás e para a frente não é o mais confortável para ninguém)
- Pecinhas para a minha pulseira (de cinco que tenho, três têm corações, por isso aceito outros padrões)
- Um bilhete (vá, dois) para os Maroon 5 (é só em junho, mas eu espero até lá)
- Um rádio para o carro (de preferência um que apanhe estações de rádio e não emita apenas o ostinato rsssssssssrsssssssrssss)
- Também não me queixava nada de ir ao concerto dos One Republic, mas tendo em conta que é já no final deste mês, dou o desconto.
- Mimos (acho que cheguei àquela idade em que fico feliz com uma manhã enfiada na cama ou uma tarde passada no sofá, desde que tenha também direito a beijinhos e a abracinhos)

Degladiem-se para aí.


Thursday, 30 October 2014

Conquistas

Custou, mas finalmente consegui!

Bater o pé

Às vezes saber-me-ia bem chegar à hora de jantar e dar o dia de trabalho por terminado. Hoje, quarta-feira à noite, tenho a sensação de que a semana acabou de começar quando, na verdade, está mais perto de acabar.
Tenho sono.
Vou fazer birra.

Não vou nada: vou trabalhar.

Sunday, 26 October 2014

Paraíso



Paraíso é num sábado de fim de outubro querer almoçar à beira-mar ou rio, ter muito por onde escolher e optar por uma esplanada numa das praias de Gaia. No final de almoço, descer até ao areal e caminhar com os pés enfiados no mar, mais quente do que em muitos dias de verão, e resmungar por não ter levado biquíni nem toalha.
Paraíso é estarmos no outono e ser novamente verão.
Paraíso é ser outono e, mesmo se estiver tempo de outono, haver sítios assim para passear.
Paraíso é viver no Porto.

Monday, 20 October 2014

Nostalgia



Todos os dias de manhã fazia o mesmo percurso: saía do metro na estação do Luxembourg, sempre na mesma saída, subia a rua, virava à esquerda, depois à direita, subia um bocadinho mais e, logo ao lado de uma boulangerie bem cheirosa, atendida por uma senhora mal humorada, ficava a porta da minha faculdade. Fazia sempre esse mesmo caminho, dia após dia, até que num deles, não sei porquê, me virei para trás. E foi então que a vi, ali no meio, imponente: a Torre Eiffel via-me todos os dias, de manhã e de tarde.
Paris tem encantos que ainda não descobri em mais lado nenhum no mundo.
Adorei, mas não sei se voltava a viver lá. Não sei, sequer, se voltava a viver aquele ano, porque o que aí vivi aí ficou, embora continue para sempre comigo, exatamente como diz o Hemingway: If you are lucky enough to have lived in Paris as a young man, then wherever you go for the rest of your life, it stays with you, for Paris is a mouveable feast.
E se calhar foi por isso mesmo que não consegui acabar de ver este vídeo (http://vimeo.com/14502628) sem que umas lágrimas viessem aqui dar o ar de sua graça.

Nostalgia. Acho que é essa a palavra.

Friday, 17 October 2014

Delicioso



Sabe mesmo mesmo bem acabar uma semana stressante com um dia de trabalho muito calmo, passar uma hora com a minha irmã a sentir o ar do mar, correr no ginásio até quase cair para o lado, comer uma banana com queijo para recuperar, jantar em Leça - para voltar a sentir o ar do mar - e aterrar na cama ou no sofá com um episódio de Grey's Anatomy, uma caneca de chá e um chocolate.
Gosto de sextas-feiras.


Tuesday, 14 October 2014

Isto de querer ser diferente...

Tenho duas formas de despedida por excelência - porta-te bem e diverte-te -, que uso indiferenciadamente: tanto posso dizer diverte-te ao meu irmão que vai fazer um teste, ou a alguém que vá às compras, como posso dizer porta-te bem a uma amiga que vai ter uma reunião de trabalho, ou a um amigo de casa de quem saio depois de um jantar.
O que vale é que já não me admiro que me achem tolinha...

Thursday, 9 October 2014

Bom dia


Acordar sem o despertador a mandar em mim, ficar um bocadinho mais no quentinho da cama, pegar num queque de mirtilo ou de chocolate (ou de uma mistura de ambos) e num chá ou num leite com café, voltar para a cama (ou mudar para o sofá) e por lá ficar, de preferência com mimos, até serem horas de dormir novamente.
Faria isto hoje sem qualquer espécie de problema.


Monday, 6 October 2014

Olá!

Uma noite fria, um copo de Bailey's, umas fatias de presunto com queijo e eu, depois de uma viagem de carro, sozinha, com as janelas abertas e a música ligada.
É em momentos destes que me sinto bem por ser eu, por ver a felicidade em pequenas coisas, por muito que ela possa acabar amanhã, ou mesmo daqui a duas horas.
Não aprendi a ser assim: a vida simplesmente ofereceu-me razões suficientes para isso.
Ultimamente esqueci-me dessa parte de mim, deixei-a de lado, reneguei-a para segundo lugar e favoreci a outra, a que me fazia ver o lado negro da coisa, que me trazia lágrimas em vez de sorrisos e de risos.
Um erro grande que devi a mim mesma corrigir.

Tears in heaven



Há quem imagine o dia do funeral como se se tratasse de um casamento, planeando cada pormenor, cada música, cada leitura, por aí fora. Nunca tinha pensado nisso. Se eu morrer morri. Desde que descubram o meu corpo e o ponham nalgum sítio, de preferência em forma de cinza, ao abrigo dos animais e das intempéries, fico descansada (na verdade, se não o fizerem também...).
Adiante. Nunca pensei no que quero que haja no meu funeral. Quero lágrimas e que digam que se perdeu uma das melhores pessoas que o mundo já conheceu, que vou fazer falta em todas as vidas e que me elogiem até à exaustão.
Para além disso, quero apenas que toque esta música. Não saída de um par de colunas, mas de uma guitarra e de uma voz em especial.

Vontades felinas

Chega-se esta altura do ano, em que se tira o pó às mantas, aos chás e às séries, e cai sobre mim uma vontade imensa de ter um gato. Daqueles pequeninos, de pelo denso e muito clarinho, para poder afagá-lo continuamente mesmo quando ele já se retorcer todo e estiver farto de colo e de mimos.
Acho que gatos combinam com o outono e comigo.


Thursday, 2 October 2014

How to look on the awesome side of life

Vai fazer praticamente um ano que escrevi isto:

Não sei se a felicidade é um destino, um caminho ou simplesmente uma maneira de encarar a vida. Só sei que seja o que for, neste momento tenho-a ao máximo. Claro que, insatisfeita que sou, aceitava de bom grado muitas coisas que a complementariam, como uma gatinha para me fazer companhia quando chego a casa... Também sei que, mais tarde ou mais cedo, posso revisitar este meu estado de espírito eufórico e pensar mal eu sabia.
Mas prefiro não pensar nessa eventualidade. Não para já quando três dias numa só semana já chegaram para várias voltas alucinantes no carrossel louco da vida.
Tudo corre bem.

Hoje escrevo: mal eu sabia, de facto.
Chegar ao fim de uma história que me deixou sem nada tem-me tirado as forças. Dormir é a melhor parte do dia, mas é também algo complicado de fazer quando se tem a cabeça completamente ocupada e o coração perdido e despedaçado.

No dia em que penso que não se pode bater mais no fundo, em que as coisas até começam a endireitar-se e a prometer correr bem, há qualquer coisa de estranho que me acontece e que, se numa situação normal me faria rir, neste momento aterroriza-me ante a possibilidade de poder acabar esquartejada numa qualquer rua da cidade sem que ninguém me encontre. 
É verdade que ninguém me manda ficar fora de casa até quase à uma da manhã de um dia de semana, mas foi isso que aconteceu ontem. Sou crescidinha, pensei. Nada de mal pode acontecer.
Lugar à porta de casa é mentira, pelo que parei o carro em frente a uma garagem e enfiei as tralhas dentro do prédio sob o olhar atento (creepy?) e os comentários de um homem na paragem de autocarro.
Entrei no carro e fui procurar um lugar. Descobri uma rua cheia deles, mas tive de parar exatamente em frente ao caixote de um sem abrigo, que saiu de lá de repente, pregando-me um susto de morte, e me gritou "boa noite, menina!".
Fiquei meia hora dentro do carro, mesmo mesmo em frente a ele, a tentar ganhar coragem para sair.

Hoje de manhã, de dia - com luz do dia é tudo mais fácil - cheguei ao carro confiante de que tinha sido apenas um susto sem repetição e dei com uma Vogue em cima do tejadilho do carro. Agradeci a ninguém e pu-la no chão.
Entrei no carro para vir embora e vi o sem-abrigo da véspera a correr rua acima e a dizer-me:
- Esta noite iam roubar-lhe o carro! Mas eu disse "o coreano não, leve antes o BMW".

Pisquei os olhos, agradeci-lhe.
Agora que estou a salvo, vou literalmente enrolar-me em posição fetal e chorar desalmadamente.

Wednesday, 1 October 2014

Presa às datas




Há um mês entrei no carro, ouvi esta música e sorri. Pressenti que algo de bom... de muito bom estava prestes a acontecer.

Há um mês foi um dos melhores dias da minha vida... Sem remorsos mas com pena.
Acabou.

Monday, 29 September 2014

Reviver

Nem sempre querer é poder, porque há coisas que, por muito que as desejemos, não estão nas nossas mãos. Às vezes é preciso aceitar quando se luta em vão, baixar as armas, resignar e esperar por um novo projeto mais concretizável, mais ao nosso alcance. Por muito pequeno que seja.
Porque, quase sem dar por isso, quando já se chegou ao estado de desespero, há dias como o meu de hoje, em que voltei a ser eu, entusiasmada como uma criança na noite de Natal com dois pequeninos acontecimentos. Nada de mais, nada de especial, mas uma fonte de sorrisos, de guinchos, de ambições e de esperanças.
Há coisas que não foram feitas para ser, que nunca chegarão a realizar-se. Mas há outras, não obrigatoriamente melhores, que sim.
E talvez um dia, muitas coisinhas destas depois, me dê conta de que tudo acabou por ficar bem.

Saturday, 27 September 2014

27 de setembro

27 de setembro de 2007 foi o dia em que a minha vida mudou. Foi o meu primeiro dia de Erasmus em Paris, onde fiquei a crescer, a conhecer, a adquirir memórias e experiências que me trouxeram até aqui, onde estou, sete anos depois.
O dia 27 de setembro levou-me ao mundo e trouxe o mundo até mim. Fez-me vê-lo, conhecê-lo e fez-me ver-me e conhecer-me a mim também, de uma maneira que julgava irrepetível.
Hoje, neste dia 27 de setembro, já passei por muito mais mundo e estou de volta ao Porto, quem sabe para sempre, com mundos temporários pelo meio. Hoje conheço-me um pouco mais e pouco reconheço daquela menina de 19 anos e aparelho nos destes que partiu rumo ao desconhecido. Agora sei que tenho mais coragem e mais força do que ela pensava, mas sou igualmente mais frágil e mais dececionável do que naquela altura. Sou menos ingénua e menos inocentemente feliz.
Neste dia 27 de setembro de 2014, se pudesse, voltava a ser a menina positivamente amedrontada de 27 de setembro de 2007, ainda livre do contacto direto com a complexidade confusa das pessoas. Com o mundo aos pés e a felicidade apenas a dois passos de distância.

Tuesday, 23 September 2014

Feridas abertas

Time flies. Time waits for no man. Time heals all wounds. All any of us wants is more time. Time to stand up. Time to grow up. Time to let go. Time.
(Grey's anatomy)

É um bocado estúpida a sensação de impotência que confere esta dependência do tempo para que tudo corra bem, para que tudo dê certo. Devia bastar-nos fazer. Esquecer. Seguir em frente. Reconstruir. Piscar os olhos e puf, está tudo composto porque foi isso que quisemos.
Mas não, o tempo manda e diz que tem o seu ritmo próprio. E a nós, a mim, resta respeitá-lo.

Thursday, 18 September 2014

Dez anos de diferença / Ten years apart

Estar, de manhã cedo, na sala de casa dos meus pais mergulhada na penumbra, apenas com a mesma empregada de sempre por companhia, enquanto lá fora chove torrencialmente faz-me sentir que estou a viver uma daquelas experiências cinematográficas de retrocesso no tempo (também emocional) até ao meu 11º ano, quando ainda andava na escola aqui ao lado e passava as manhãs a ver MTV e a fingir que estudava.
De repente ponho o hoje e o então e quase que fico cansada com o tanto que a minha vida mudou em dez anos.


Friday, 12 September 2014

É verdade (7) / That's true (7)

Quando temos uma família, amigos, colegas e conhecidos junto de quem nos sentimos bem, à vontade, mas há uma pessoa para quem queremos sempre ir no final do dia, com quem somos mais nós do que com qualquer outra, para quem foge o nosso corpo e o nosso pensamento, com quem pensamos nos momentos de aperto e nos de maior felicidade, com quem partilhamos tudo (ou quase) em que pensamos, praticamente sem o filtrar, e, ainda assim, é sempre ao lado dela que nos sentimos melhor... é, sem muita margem para dúvidas, amor. E um amor que vale a pena.

Imagem:https: //www.facebook.com/LoveSexIntelligence

When we have our own family, friends, co-workers and acquaintances among whom we feel comfortable, at ease, but there is someone else we can always go home to at the end of the day, with whom we can be ourselves as with no one else, to whom our body and our mind run to, in whom we think when we are sad, worried or extremely happy, with whom we share everything (or almost) we think of, before we even filter it, and, still, it is with that person on our side that we feel really good... then it is, without a doubt, love. And it's a love worth loving.

Wednesday, 10 September 2014

Hora de almoço / Lunch time

São 15h19. Pergunto ao meu irmão:
- Não ias fazer um lanche especial?

Responde-me ele:
- Sim, mas é só depois de almoço.

Insurjo-me:
- Ainda não almoçaram? É tudo louco, nesta casa?
Passados uns segundos de reflexão acrescento:
- Bem, eu também não, mas é só porque eu não vou almoçar...


Tuesday, 9 September 2014

Não era verão? / Has Summer arrived yet?

No verão passado passei tardes e noites inteiras de ventoinha apontada para mim e fartei-me de tomar banhos frios, antes ou depois de jantar, só para evitar derreter.
Neste verão quase que conto pelos dedos de uma mão os dias em que esteve calor a sério, em que tive de ligar o anti-melgas... Este ano senti falta dos banhos refrescantes, de vestir o pijama fresco ainda antes de jantar e com um cheirinho a banho no corpo.
Este ano - que foi, ironicamente, aquele em que mais morena fiquei - senti falta do verão a sério.


Last Summer I had to turn on a fan, pointing directly at me, in order to survive several afternoons and nights, and I took many cold showers, before or after dinner, so I would not melt.
This Summer I can count with only one hand all the really hot days, where I had to use the repellent... This year I missed all those refreshing showers, being dressed in my fresh pajamas right before dinner, with a nice soap fragrance on my body.
This year - which, ironically, was the one where I got really tanned - I missed a veritable Summer.

Monday, 8 September 2014

Coisas de que gosto mesmo mesmo muito (3) / Things I really really like (3)

Ter alguém para quem cozinhar o jantar. Uns simples ovos mexidos, um salmão no forno, ou massa com pesto. Bom é alguém para alimentar.

Having someone to cook dinner for. Whether it is scrambled eggs, grilled salmon or pasta with pesto. It is so good to have somebody to feed.

Friday, 5 September 2014

É verdade (6) / That's true (6)

Há poucas coisas tão reconfortantes como andar na rua ao princípio da noite e ver as luzes das salas e das cozinhas dos prédios acesas. Para lá das janelas é possível vislumbrar vultos sem cara e adivinhar as vidas das famílias que preparam e desfrutam de mais um jantar junto das pessoas de quem lhes é mais importante.



There are few things as comforting as walking on the street in the evening and seeing the lights in the living rooms and in the kitchens of other buildings. Through the windows we can glimpse faceless shadows and imagine families cooking and enjoying another dinner, surrounded by their loved ones.

Que sera sera

Quando andava no secundário a estudar poemas que falavam sobre o destino, achava aquilo uma treta pegada: não acreditava minimamente que houvesse uma entidade qualquer que decidisse que estou a escrever este texto de pernas cruzadas em cima do sofá, às 13h07 do dia 5 de setembro de 2014 não por vontade minha, mas porque era suposto ser assim.
Hoje e cada vez mais tenho a certeza de que nada acontece por acaso. Não foi só porque sim que entrei há um ano num ciclo de mudanças que podia ou não ter acontecido, tanto fazia.
Não sou, hoje, a pessoa que era há um ano, sem qualquer sombra de dúvida. E só não o sou porque fui a sítios, conheci pessoas e vivi experiências que se combinaram para tal.
Se, por um lado, é assustador pensar que não tenho assim tanto controlo sobre a minha própria vida, por outro é reconfortante poder encostar-me à ideia de que tudo se resolve, porque o que é para ser será.

Tuesday, 2 September 2014

Setembro

Setembro era o mês das minhas férias, de Benidorm quase sem exceção, de wakeboard sem exceção, de biquínis e de calções de banho e de morenar um bocadinho. Era o mês do regresso às aulas, de um recomeçar cheio de boa vontade e de novos objetivos, quase como uma passagem de ano. Setembro foi o mês em que conheci Paris pela primeira vez, em que fiz Erasmus, em que arranjei a minha primeira casa.
Setembro é, invariavelmente, um mês em que nunca sei com o que contar, mas em que entro de cabeça à espera de algo bom.
Este setembro começou dentro do carro, com a música bem alto, numa noite húmida pela marginal fora. Este setembro começou com sorrisos, muitos, daqueles que não se desfazem facilmente.
Este setembro, espero, vai ser meu.

Thursday, 28 August 2014

Desta água não quê?


Pela primeira vez na minha não assim tão exageradamente curta existência, percebi, finalmente, as pessoas que correm por correr. Ou melhor, não as percebi porque não as abordei a meio da correria para perguntar "mas então porque é que corres?". Percebi, sim, que é um pretexto para sair de casa, apanhar ar, traçar um objetivo e, ao mesmo tempo, dedicar-me à introspeção (sim, que ir correr de auscultadores nos ouvidos é a receita para um atropelamento...).
Foi então que fiquei bastante feliz por ter uma ala do armário exclusiva para roupa de desporto, porque acho que... eu, que sempre disse que detesto correr, vou começar a fazê-lo.
E tenho a sorte de ter um sítio lindo para isso quase à porta de casa.

Wednesday, 27 August 2014

Um dia hei de lá voltar


Devemos sempre voltar aos sítios onde fomos felizes, de preferência com uma outra boa companhia e com um novo espírito, para podermos ter uma perspetiva renovadora. Para conseguirmos perceber que mais não são do que lugares onde algo aconteceu, mas onde algo mais pode até acontecer.
O coração dispara, o estômago embrulha-se, a garganta fecha-se e impede-nos de respirar. Mas na segunda vez já dói um bocadinho menos. Na terceira menos ainda e vai chegar um dia em que temos noção de que, apenas porque foi bom, não é perpétuo. E só se não excluirmos esses sítios do nosso dia a dia é que podemos voltar a viver neles momentos felizes, sem termos de preocupar-nos com a sua efemeridade.







Tuesday, 26 August 2014

2014, vou sobreviver-te / 2014, I will survive you

Sobrevivi a fevereiro.
Depois sobrevivi a março e a abril.
Sobrevivi, ainda, a maio e a junho, cá, lá e cá.
E sobrevivi a julho.
Seria uma pena não sobreviver a agosto nem a setembro, e o único mês vivido em 2014 ter sido janeiro.


I survided January.
Then, I survived March and April.
I also survived May and June, here, there and here.
And I survided July.
It would be a shame not to survive August and September, thus making January the only month of 2014 I have really lived on.

É verdade (5) / That's true (5)


Saturday, 23 August 2014

Coisas de que gosto mesmo muito / Things I really really like

Da luz alaranjada de final de tarde que entra no meu quarto no verão.
Acordar antes do despertador porque esgotei o sono, abrir as janelas porque a casa está quente e pôr a Lorde a cantar alto enquanto arrumo a casa do rescaldo de um programa com algumas das pessoas de quem mais gosto, antes de me arranjar para programas com algumas das pessoas de quem mais gosto.
Receber uma mensagem de alguém que está longe, mas que sabe que estou aqui deste lado à espera de notícias.
Traduzir os meus próprios textos.



Thursday, 21 August 2014

Apetite à uma da manhã / Late night cravings

Abro a porta a quem me tocar à campainha com uma coisinha destas para me dar.








I will open the door to anyone who brings me one of these.

Sunday, 17 August 2014

Reconstrução

Ontem, sem intenção, repeti algo extremamente simples que fiz na semana em que regressei a Portugal, precisamente com as mesmas duas pessoas que o fizeram comigo nessa altura: ir às compras para um jantar com amigos.
Lembro-me de, naquele dia, andar pelos corredores do supermercado tipo zombie, de nó na garganta, dores de cabeça de tentar conter as lágrimas e estômago revoltado pela ansiedade extrema em que me encontrava. Sentia-me um caco, um pedaço de nada sem absolutamente valor nenhum. O mundo tinha acabado de me cair aos pés e o tapete tinha-lhe saído de baixo (bem, aqueles clichés típicos de quem se desilude com as expectativas e as pessoas). O jantar, que podia ter sido mesmo divertido, foi passado em auto-comiseração, à espera de uma palavra de alento, de um mimo que fosse. Enfim, distraí-me a pensar no que podia ser em vez de aproveitar o que tinha ali mesmo à minha frente e que era tão bom.
Passaram-se sensivelmente dois meses, que têm sido longe de formidáveis (lágrimas, muitas lágrimas, desespero, dúvidas, confusão, auto-estima a arrastar-se pelas ruas da amargura, enfim, esses clichés de quem estava no topo do mundo e caiu até cá abaixo; emaranhados com momentos de euforia de quem acha que supera tudo num piscar de olhos - estalar de dedos não, que não sei fazer disso), e dei por mim a andar novamente naqueles corredores com uma lista de compras na mão, a sorrir, a conversar e entusiasmada com o jantar dessa noite. Não estava eufórica, não foi uma sensação momentânea acabada à noite, sozinha na cama, quando já toda a gente tinha ido embora, e substituída, uma vez mais, pelo nó na garganta, as lágrimas a queimar e o estômago às voltas (na verdade até estava, mas por razões de exageros gastronómicos). Não. Algo em mim mudou durante a semana que acabou e me fez arrancar a auto-estima do alcatrão quente para a pousar numa prateleira longe dos sapatos que queiram pisá-la. Encontrei (alerta cliché) as rédeas da minha vida, peguei-lhes e percebi que é bastante mais fácil domá-la do que aquilo que me parecia.
Estou partida, talvez até desfeita em pedacinhos. Mas acho que há uma cola para isso. Chama-se tempo e paciência, não só meus mas também daquelas pessoas que foram ficando, mesmo quando não gostavam do que viam; dos grilos falantes da minha vida.
Não sei quanto tempo demora o processo de reconstrução, mas sei que já começou.

Thursday, 14 August 2014

Wednesday, 13 August 2014

Pontaria / Bullseye

Quando era miúda tive uma grande vacina contra todos os vírus, bactérias e demais nojos que possa haver: comi terra (sem comentários) e, consequentemente, apanhei uma disenteria que, segundo reza a lenda, não foi bonita de ver.
A parte boa disso é que não me lembro de nada e, hoje em dia, raramente fico doente. Nada me pega, mesmo. Nada que um ibuprofeno tomado na altura certa não resolva.
No entanto, quando fico (aí de três em três anos, se não mais), é sempre nas alturas mais inconvenientes: normalmente é no verão, no Natal ou perto de uma situação importante. E nunca é uma ligeirinha dor de garganta: é febre, dores no corpo, dores de garganta intensas, espirros, tosse e todo o carnaval junto.
Desta vez foi no segundo dia de Sudoeste e por cá continua, a atazanar-me as noites e a assaltar-me o cesto dos medicamentos como se fossem gomas.

Free pass

Se há coisa que me custa aceitar é esta tendência que as pessoas têm de entrar e sair da minha vida de livre e espontânea vontade, como se tivessem um free pass para os sentimentos. Hoje gostam, fazem por estar, por conhecer, por dar atenção. Mas amanhã já estão cansadas, já dá trabalho, já não apetece continuar, porque o início é muito mais giro, a tentação é divertida, o perigo apimenta tudo.
Um dia vou inventar um manto de frieza com o qual me visto sempre que for tomar um café, ou jantar, ou ao cinema, ou simplesmente conversar com alguém. Só muito de vez em quando abro uma frecha, para ver no que dá. Se for intenso demais, o melhor é fechar novamente, voltar a tapar-me e deixar que os sentimentos sejam barrados pelo tecido.
Porque quando o sentimento acaba, o vazio é imenso.

Foto daqui / Picture from here


I cannot accept at all this tendency people have to come in and out of my life as they want, as if they had a free pass for feelings. Today they like, they make everything they can to be together, to get to know me, to pay attention. But tomorrow they are tired of it, it takes a lot of work, the willing to carry on fades away, because in the beginning everything is so much funnier, the temptation is amusing, the danger is spicy.
One day I will make a coldness cloak that I will wear anytime I go out for a coffee, a dinner, a movie or a conversation with someone else. I will only allow me to open it rarely, just to see what comes of it. If it's too intense, I will close it again, wrap it around myself and let the feelings to be blocked by the fabric.
Because once the feeling is gone, the emptiness is too deep.

Sunday, 3 August 2014

Constatações infelizes da vida / Unfortunate truths

Mesmo que tivesse corpo para ser modelo, nunca poderia sê-lo: de uma maneira ou de outra tenho sempre as pernas todas negras...



Even if I had a top model body, I could never be one: somehow I manage to always have my legs full of bruises.

Friday, 1 August 2014

Sem comentários / No comments



Acho que há coisas que só me passam a mim pela cabeça e, como tenho tendência para o exagero, acabo por fazer delas situações hilariantes. É um desperdício quando não são partilhadas com ninguém.
Ontem deitei-me, apaguei a luz e senti qualquer coisa na orelha. Toquei-lhe, fechei os dedos à volta dela e percebi, pela textura e pelo barulho, que era uma aranha. Daquelas nojentas, com corpo redondo e enorme e patas pequenas. Desatei aos berros, acendi a luz e atirei com aquilo já bastante esmagado para o chão.
Quando olhei de perto percebi que era apenas o revestimento do brinco, que tinha saído e ficado agarrado à minha orelha.
Tive pena de ter sido a minha única testemunha.

Wednesday, 30 July 2014

Vai correr bem / It will be ok



De repente, num serão a meio da semana entre amigos e desconhecidos, saltitando no presente com o passado, faz-se uma luz que clarifica as ideias e mostra um caminho que funciona.
É possível. Pode correr bem.
Vai correr bem.

Tuesday, 29 July 2014

Mudanças / Inner changes

Sempre fui uma pessoa desorganizada e desarrumada. Tudo o que houvesse para ser deixado fora do lugar, ficava fora do lugar enquanto não houvesse chatice, berros e castigos, era-o. Devia ter aprendido, mas cresci, arranjei a minha própria casa e comigo levei manias antigas de tirar a roupa e deixá-la a acumular num canto do quarto, aumentar o monte de carteiras e de sapatos no hall à medida que as semanas passavam, esquecer-me de pôr/tirar a louça da máquina, pousar papéis em cima de tudo o que fossem superfícies livres para arrumar mais tarde e por aí fora.
De vez em quando tinha acessos de arrumação e durante uma semana ou duas andava extremamente controlada nesse departamento, mas rapidamente voltava aos meus hábitos inatos e estava o caos instalado.
Entretanto fui para Londres viver num quarto pequeno onde mal havia espaço para duas pessoas, logo, o espaço para a desarrumação era bastante ínfimo. E entretanto voltei e desde então (já se passaram mais do que duas semanas!) continuo a surpreender-me com a minha própria organização: não há roupa atirada a passar a noite a um canto, os sapatos vão para o sítio no dia seguinte, depois de arejarem umas horas, a louça está sempre no sítio, a roupa lavada não acumula no cesto, os papéis não andam espalhados e perdidos pelos cantos, as contas são pagas no próprio dia em que chegam...
Andei mais de um quarto de século a tentar chegar até este grau de maturidade organizacional. Bastou uma mudança de ares, uma necessidade de ficar bem comigo mesma, e alcancei-o.
Permito-me dizer que estou deveras orgulhosa de mim mesma. Espero não me desiludir.

Monday, 28 July 2014

Psicologia / Psychology

Uma coisa estranha é sermos nós, vivermos na nossa pele, estarmos 100% do tempo connosco mesmos (mais do que qualquer outra pessoa) e, ainda assim, não nos conhecermos por inteiro, haver coisas que sentimos, físicas ou emocionais, que não conseguimos compreender nem sabemos de onde vêm.


It is very weird being ourselves, living in our own shoes, being with ourselves 100% of the time (more than any other person in the world) and, still, not knowing ourselves completely, because there are some stuff we feel - physically or emotionally - that we cannot understand nor know where they come from.

Thursday, 24 July 2014

Acordar / Waking up

Uma das coisas boas da vida é que é feita de recomeços que podem ser marcados por mudanças radicais e significativas, ou por várias pequenas alterações. Tudo começa pelo estado de espírito.
Acordei hoje com uma sensação de vida que não tinha há já algum tempo, o que é estranho tendo em conta o dia de não verão que me acolheu. Vários projetos pensados, alguns planos semi-delineados (apenas o suficiente para me entusiasmar sem elevar as expectativas a um expoente absurdo) e uma vontade, mais forte do que nunca, de dar um passo em direção ao outro caminho que, de alguma maneira e sem ter propriamente a noção disso, fui abandonando nos últimos meses.
Hoje acordei...



Wednesday, 23 July 2014

Foi assim que me vesti (14) / How I met my day (14)

Ah, as cores do verão...



Ah, the summer colours...

Porto


Tenho a mania de que não gosto de Francesinhas (na verdade só não gosto das carnes estranhas e picantes que metem lá para o meio), não como cachorros quentes pela mesma razão e não sou muito corajosa na parte de entrar no mar. Cada vez gosto mais do que há para sul do Porto e já vivi em duas cidades europeias onde as pessoas são muito mais desinibidas no que diz respeito a abordarem desconhecidos na rua só porque sim, para meter conversa.
Já achei que no Porto não havia nada para fazer, que já conhecia tudo o que por cá há e que precisava de mudar de ares.
Na verdade, o Porto é uma das cidades mais maravilhosas por onde já passeei e, se me der ao trabalho de sair das habituais zonas de conforto, abro os olhos para coisas novas, constantemente.

Tuesday, 22 July 2014

Estar em casa / Being at home

Peguei no carro, abri as janelas, pus algumas das músicas de que mais gosto a dar e conduzi pela marginal desde Massarelos até Matosinhos, sem objetivo nenhum, apenas o de ver o rio, o mar e o nevoeiro. E concluí, uma vez mais, que o mundo lá fora pode ter coisas maravilhosas, pode ter edifícios emblemáticos, línguas encantadoras e pessoas incríveis, mas é da beleza do Porto de que mais gosto e é com ela que me sinto em casa.



I entered my car, opened the windows, played some of my favourite songs on the radio and drove along the marginal way from Massarelos to Matosinhos, with no destination, only wanting to see the river, the sea and the fog. And, once more, I concluded that the world out there can have wonderfull things to see, can have fantastic buldings, charming languages and awesome people, but Porto's beauty is the one I like the most and  only when I am surrounded by it, I feel I am at home.

Monday, 21 July 2014

Auto-retrato / Self-portrait (18)

É exatamente isto.

Imagem daqui / Picture from here

That's definitely me.

É verdade (4)


Quem usa protetor solar fator 50 queima-se mais do que quem usa um protetor mais fraco.
E isto tem uma explicação comprovada ano após ano: como é exaustante aplicar creme em todo o corpo, numa atitude responsável anti-cancro, passar o dia a derreter debaixo da torreira do sol e, no final, não ficar nem com uma tonalidade dourada, no dia seguinte decide-se que não se põe nem uma gotinha de creme, para que a exaustão não seja em vão. Quando se dá conta, está-se com uma tonalidade bem vermelha, o corpo dói e ainda demora até o queimado dar lugar a um bronze bonito.
Malditas peles sensíveis...

Marvão

Conheço Portugal de norte a sul muito por alto. Vou conhecendo algumas cidadezinhas de cada região, umas melhor do que outras, mas não sou uma conhecedora profunda do meu país, até porque acabo por repetir as cidades de que mais gosto e onde tenho as minhas pessoas.
A meio de um ano cansativo, desgastante e polvilhado de incertezas, surgiu o nome Marvão para passar três dias a não fazer nada mais do que ver televisão no quarto, tomar o pequeno-almoço na cama, apanhar sol, pastelar nas horas e tomar banho antes mesmo de ir para a cama.
O hotel El-rei Dom Manuel não me pareceu, à primeira vista, o sítio ideal para isso. Pareceu-me demasiado rústico e não tão acolhedor como, na verdade, é, mas enganou-me bem. Ganhou pontos pelas gomas de pêssego em forma de coração à minha espera em ambas as noites, pela garrafa de água e pela fruta repostas, e pela simpatia das pessoas que, tanto quanto percebi, é uma condição essencial de quem vive por ali.
Surpreendi-me por ter aguentado tanto tempo sem fazer absolutamente nada de útil (devia estar mesmo esgotada) e descobri que, no fundo no fundo, até sou capaz de passar algumas horas seguidas deitadinha ao sol, numa tentativa desesperada de ganhar alguma cor que não a dos fantasmas.

Saturday, 19 July 2014

Baby in a corner

Ser a mais nova do grupo é uma tendência natural minha desde há já muito tempo. Só não sou a mais nova do grupo em casa, porque tenho três irmãos abaixo de mim, de resto, no trabalho, entre amigos, etc., sou sempre a pequenina. Isto é uma coisa que pode ter piada, até porque a maioria das pessoas que me rodeia, por já ter, obrigatoriamente, vivido mais, tem sempre mais para me ensinar, tem opiniões mais maduras, mais vividas, mais credíveis. 
No entanto, há uma também tendência natural para, mais tarde ou mais cedo, chegarmos ao ponto da condescendência. Seja porque me rio, seja porque tenho uma opinião, seja por causa das pessoas de quem gosto e das pessoas de quem não gosto, seja por causa dos meus projetos a curto e a longo prazo, há apenas duas pessoas do meu mundo que ainda não me atiraram com um isso é porque és muito nova, ou um vais ver que quando chegares à minha idade/quando passares por X pensas de maneira diferente.
A piorzinha de todas, aquela que mais tenho ouvido ultimamente, ronda o ainda tens muito para viver. E eu, que vejo os 30 ao virar da esquina, que vejo os meus planos a serem constantemente alterados; eu, que tenho pressa em tudo, penso, às vezes, que devia ter nascido dez anos mais cedo e que talvez assim já pudesse ter um bocadinho mais de pressa, já pudesse rir, criticar, opinar, gostar e desgostar sem as palmadinhas paternalistas e os encolheres de ombro.

Tuesday, 15 July 2014

Suicídio

Não entendo o suicídio. Não percebo o que leva alguém a dar por esgotadas as opções e pôr um fim definitivo a tudo, para passar a ser nada, uma memória, uma vaga lembrança de quem por cá passou.
Há uns anos tive um colega que, com vinte e cinco anos, se viu perante um desgosto amoroso incontornável e premiu o gatilho contra a cabeça, na mesma casa em que dormiam o irmão e a mãe. Desde esse momento, ele deixou de existir, deixou uma vida no início por viver, uma família destroçada, uma ex-namorada culpada e, sobretudo, deixou que a potencial felicidade fosse derrotada pela infelicidade momentânea.
Tantos desfechos que aquela história podia ter tido...
Sei que não sou modelo para ninguém, mas já dei por mim em encruzilhadas irresolúveis, já soube o que é amar e isso não chegar, já me senti sozinha no mundo, já passei dias com um nó na garganta e um vazio no estômago tão grandes que cheguei a pensar "deve ser em momentos assim que as pessoas se suicidam". E nem assim isso me pareceu uma solução viável, até porque pouco tempo depois há fins de dia como o meu de hoje, em que uma conversa, uma perspetiva de futuro, a curto ou a longo prazo, uma ideia, uma sensação familiar, um conforto de alguém de quem se gosta se unem para abrir um novo caminho. Ou até o mesmo de antes, mas com um novo olhar. Um olhar sem sangue, sem fim.

Tuesday, 8 July 2014

Saturday, 5 July 2014

Momentos

Há momentos em que o turbilhão da vida acalma, a poeira assenta, o público afasta-se, e damos por nós em cima do palco a olhar à volta, a admirar o espetáculo que acabou e a analisar o que ficou. Vamos, voltamos. Damos a volta. Paramos. Arrancamos. Estagnamos e aceitamos o que temos, ou arregaçamos as mangas para lutar e recuperar uma parte que nos falta. A maior parte da vida que ainda nos falta viver, a passos dos trinta; no início, praticamente, da idade adulta.
Assim que o coração acalma e que a cabeça para de doer de tanta emoção e comoção, damos as mãos a quem no-las estende, agarramo-las com força para não cairmos e recomeçamos a andar, um passo lento a seguir ao outro, ainda com um rumo muito indefinido, porque, como diz o povo, nem sempre o que nos parece é. Devagarinho, já sem pedirmos demasiado, os sorrisos começam a ultrapassar as lágrimas, as noites mal dormidas acalmam e trazem mais horas de sonhos, acordar já não custa tanto e adormecer já começa, de vez em quando, a parecer um desperdício de tempo.
Perspetivar o futuro, ainda que temeroso, já não é só um trabalho assustador, mas sim um exercício talvez um pouco entusiasmante, desde que, olhando para o lado, encontremos as nossas Pessoas. Podem estar a dez passos de distância, podem ter-nos soltado a mão para que sejamos nós a decidir-nos por nós mesmos, mas se lhes pedirmos e eles voltarem nesse instante, a vida vale a pena.

Sunday, 15 June 2014

Auto-retrato (15) / Self-portrait (15)

O meu riso é um fenómeno incompreensível. Para quem não gosta de chamar a atenção, rio-me exageradamente alto, com uma sonoridade muito estranha. E rio-me descontroladamente de coisas absurdas. Já tentei torná-lo elegante, mas é bem menos divertido.


My laugh is an incomprehensible thing. For someone who doesn't like to be in the centre of attentions, I laugh too loud, with a very weird sound. And I laugh out of control of very stupid things. I tried to make it ellegant and classy, but it's way less funny.

Friday, 13 June 2014

Superstições idiotas / Crazy superstitions

Não sou uma supersticiosa normal: não tenho problemas em passar por baixo de uma escada (acho que o resultado está à vista...), em abrir um guarda-chuva dentro de casa, em começar qualquer coisa com o pé/mão esquerdo/a... No entanto, há algumas manias que me passam pela cabeça em tempos de stress. A melhor parte é que quando esses tempos passam, posso rir-me da minha própria figura.
Há uns anos, quando estava a acabar o secundário, coincidia a minha mãe ter de estar em Braga nos dias em que tinha aulas de História. Numa dessas vezes fiz um teste e tive negativa. No teste seguinte, por um acaso qualquer, não houve Braga e eu trouxe para casa um 16. A partir daí pedi-lhe que não fosse a Braga nos dias em que tinha teste de História, e resultou, já que acabei o secundário com 18 no exame nacional...

Uma das manias que tenho já há imenso tempo e que não me parece que tenha acabado é a de fazer testes/exames/seja o que for com a caneta com que estudei. Funciona... quando funciona. Na verdade, a caneta não absorve conhecimento nenhum...

A melhor de todas, a que mais me diverte, foi uma ideia peregrina que tive (quando ainda era uma criança) numa das muitas vezes em que almoçávamos frango e eu comia uma coxa e a minha irmã uma asa. Foi assim durante anos, até que pensei que a pessoa mais provável de alguma vez vir a voar era a minha irmã. A única que comia asas. A partir daí e até decidir que, de facto, não gostava de asas mas sim de coxas e que esta ideia não fazia sentido nenhum... comi sempre asa. A minha irmã nunca voou. E eu também não.

Thursday, 12 June 2014

Momentos felizes / Happy moments

Há uns anos, quando estava em Paris, na altura do Natal tive um momento feliz que dificilmente esquecerei. Estava a passear com umas amigas, rodeadas por um frio incrível, e ficamos paradas, as quatro em cima de uma ponte, com o Sena a passar-nos por baixo, a ouvir um homem tocar acordeão. Não falamos, não dissemos absolutamente nada, ficamos apenas ali, a sentirmo-nos felizes em contacto umas com as outras e com uma cidade maravilhosa.
Ontem ao final da tarde voltei a ter um momento desses. Ao passar pela ponte de Waterloo, senti que a minha vida tinha uma banda sonora escrita de propósito para ela. Sentado no chão, um homem tocava na guitarra (e o quanto eu adoro o som da guitarra...) uma música que não conheço e eu deixei-me ficar ali, a sentir, sem pensar. A viver, por cima do rio, um momento feliz que dificilmente esquecerei.


Wednesday, 11 June 2014

Hey, Soul Sister

Não sei como nem com que frequência é que isto acontece, mas às vezes temos uma sorte tremenda com os passos que damos. Às vezes a vida vai-nos acontecendo e faz-nos cruzar com aquela pessoa à procura de quem andamos a vida toda sem o sabermos. Não contamos com isso, não o esperamos, e simplesmente encontramos a pessoa ao lado de quem pertencemos, com quem tivemos uma conexão imediata tão forte que, ao fim de pouco tempo, damos por nós a partilhar com ela pensamentos sem sequer abrir a boca.
As relações constroem-se com trabalho, tempo, paciência e dedicação, mas algumas são mais espontâneas do que outras, surgem tão naturalmente que podemos olhar para aquela pessoa e ter a sensação de que a conhecemos desde sempre.



I know when we collided you're the one I have decided who's one of my kind.


Foi assim que me vesti (13) / How I met my day (13)

Verde é esperança, é a primavera e é a natureza. Verde é simplesmente uma cor de que eu gosto e que combina com calor e quase verão.



Green is for hope, Spring and nature. Green is just a colour I love, that matches hot weather and almost Summer.