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In other words...

Wednesday, 25 September 2013

Isto do casamento (7) - O fato

Como qualquer menina que sonha em ser princesa que se preze, já tinha imaginado imensas vezes o dia do meu casamento enquanto ainda não havia planos concretos para isso, e, obviamente, a partir do momento em que começámos a planeá-lo a sério. Havia, no entanto, algo em que não tinha pensado minimamente: o fato dele. Só sabia que, tal como ele, não gosto de fraques nem de gravatões, não gosto de sapatos bicudos e não gosto de fatos brilhantes, com padrões ou com cores estranhas. Por isso, manter-se-ia tudo mais pela zona da normalidade e do que é mais comum.
Fiz questão de não o ver totalmente fardado antes do próprio dia. Quando o fiz não consegui tirar os olhos dele.
(A história está contada aqui e aqui)


Sunday, 22 September 2013

Outono


Espero que este outono que acaba de chegar me/nos traga as mudanças de que estamos a precisar por há tanto tempo ansiarmos por elas.
Entramos agora, juntos, no final de uma etapa que, se tudo correr bem, será a ponte que nos levará àquela que nos imaginámos a viver. Ao vê-la tão próxima surgem os pensamentos inquietantes, as dúvidas e as incansáveis incertezas, acompanhadas do entusiasmo, dos corações palpitantes e das noites despertas de tantos momentos imaginários.
Desejem-me/nos sorte.

Tuesday, 17 September 2013

5 minutos de fama

Nas minhas simpáticas férias, enquanto passeava o meu corpinho muito pouco bronzeado junto à praia de Cascais, fui barrada, mais do que uma vez, por um aparato imenso de câmaras, gente estranhamente vestida e penteada para estar na praia, uma senhora muito stressada e um segurança barrigudo. Numa dessas ocasiões, o meu marido sugeriu, com a perspicácia que o caracteriza: 
- Grita aí "corta, corta, repete!"
E eu, que acho piada a tudo o que aquele homem diz, ri-me, no momento em que se aproximavam o rapazinho saído diretamente do Disney Kids e uma qualquer vilã chique com um forçado ar de mau. De repente tinha uma imensidão de caras zangadas a olhar para mim, como se eu achasse que estava, por exemplo, na praia, onde podia rir à vontade... Ah, espera! Mas estava mesmo. E não é como se me tivessem pedido por favor para aguardar debaixo da torreira do sol, em silêncio, enquanto eles gravavam a novela. Pelo contrário, ali a conduta foi gritar com ar carrancudo que ninguém os deixa trabalhar, impedir a passagem sem por favor nem obrigada e, de tempos a tempos, ouvir a mulher stressada a barafustar com os turistas e a ralhar "rir aqui é que não!"
Tive ali uma boa oportunidade para tornar o meu riso famoso, mas tenho uma forte suspeita de que voltaram a gravar aquela cena.

Monday, 9 September 2013

Confissão


Sou uma leitora de spoilers. Pronto, assim mesmo, confessei-me, sem vergonha, sem remorsos, sem pré-aviso. Tudo começou há muito tempo atrás, numa vaga memória que se me escapa, quando iniciei este meu vício por livros. Um dia, quando dei conta, tinha adquirido um hábito que ainda hoje me acompanha: o de ler o último parágrafo dos livros que leio, após ter lido aí umas três a cinco páginas.
Não se irritem comigo, não iniciem uma petição contra esta minha mania. Ao ler o final do livro mesmo no início, quando ainda não estou familiarizada com as personagens, graças à memória de peixe que me calhou na sorte, tenho a certeza - e ainda não em enganei - de que quando chegar, efetivamente, ao final, ele vai surpreender-me. Então porque faço isto? Em primeiro lugar, já vou preparada para um final feliz ou para um final triste, consoante aquilo que ler. Em segundo lugar, preciso de saber se o interesse se vai manter do princípio ao fim, se vai aumentar ou se vai esmorecer, para poder decidir se continuo a ler o livro ou não.
Acontece que esta minha prática se estendeu, inevitavelmente, às séries que vejo. O que mais me custa é, numa série como Prison Break, por exemplo, ficar até ao episódio X na expectativa, sem saber se a personagem de que gosto vai viver ou, pelo contrário, vai desaparecer da história. Assim, entro nos fóruns de discussão do IMDB e já fico a saber com o que contar. Não vejo um único concurso (americano) sem ir ver quem foi o concorrente que ganhou, para não torcer pela pessoa errada.
E, ainda assim, leio e vejo com gosto, sem me sentir atraiçoada pela minha própria curiosidade.

Friday, 6 September 2013

Olhos nos olhos


Tenho vindo a reparar numa idiossincrasia minha que pensava ser uma mera característica comum a todos os seres humanos. Sempre que tenho uma conversa com alguém, não olho a outra pessoa nos olhos. Em vez disso, olho-lhe para o nariz, precisamente para o ponto de junção dos dois olhos.
Já tinha notado nos muitos dos meus longos cafés com uma das minhas melhores amigas e tinha-me apercebido disso com um amigo que tenho desde criança. Entretanto andei atenta a esta particularidade e verifiquei que o faço com a minha família e mesmo com o meu marido.
E toda esta problemática tomou novas proporções quando no outro dia fui encontrar-me com a autora de um blog que leio e, quando dei conta, estava com os olhos postos no nariz dela. Ergui-os para ver se ela estaria a fazer o mesmo, mas vi que olhava diretamente para os meus olhos.
Pensei que sou estranha, que devia agir como uma pessoa normal, por isso, enquanto falava e enquanto a ouvia, pus os meus olhos nos dela e senti-me super desconfortável, porque me parecia que estava a invadi-la.
A minha problemática é exatamente essa, talvez um pouco inspirada nos óculos de sol permanentes do Pedro Abrunhosa: olhar para os olhos de alguém quando esse alguém tem os olhos postos nos meus dá-me a sensação de entrar numa dimensão muito privada à qual não tenho o direito de aceder. Só o faço quando o que vou dizer ou o que vou ouvir é algo muito sincero ou uma confissão íntima.
Já me convenci de que tenho de treinar as minhas aptidões sociais neste sentido, mas parece-me que tantos anos a desenvolver este hábito vão ser duros de contornar.

Wednesday, 4 September 2013

É tão 2002...


Longe vão os dias em que dividia um grande computador de secretária com os meus irmãos para fazermos as nossas famílias Sims crescer, alimentarmos e darmos banho às nossas personagens, ou, até, para fazermos a batota do rosebud e conseguirmos dinheiro suficiente para construir um casarão. Depois disso ainda joguei mais um ou outro jogo de computador, mas rapidamente perdi o interesse e me deixei disso.
Até estas férias de verão. E é aqui que entra o poder da cobiça daquilo que os outros fazem: todos os dias via uns amigos, detentores de um ipad, fazer exatamente aquilo que descrevi no primeiro parágrafo, à exceção da batota, que aquilo é gente séria e que joga segundo as regras.
Dias depois o meu marido fez anos e recebeu um tablet. Qual foi a primeira coisa que fiz? Instalar o Sims, obviamente, e agora dou comigo novamente a criar famílias com os nomes daquelas que vejo na televisão (Simpson, Griffin e por aí fora), a tratar deles, ganhar dinheiro e cumprir objetivos como se disso dependesse alguma coisa importante.

Tuesday, 3 September 2013

Prender um cabelo curto (3)- Mad Men


Prender o cabelo com um elástico, seja em rabo de cavalo, seja em puxo, é facílimo, faz-se em três segundos e ajuda a refrescar durante os dias mais quentes. No entanto, acaba por ser um visual banal, pouco sofisticado e que cansa ao fim de algumas utilizações repetidas.
Foi por isso que, num dia de temperaturas acima dos 30º, optei por dar um toque mais cinematográfico ao meu puxo, transformando a parte da frente do cabelo (aquela que fica sempre solta e tem de ser controlada com um par de ganchos) num rolo metido não muito apertado. É simples: dividir uma madeixa em dois e ir enrolando uma à volta da outra, acrescentando sempre um pouco de cabelo à madeixa mais próximo do pescoço (a que fica mais abaixo). No final prende-se esse rolo com um gancho e o resto do cabelo num puxo.