To read any post in English, click on Read more.

In other words...

Sunday, 30 June 2013

Conversas depois de jantar


Estava a dar-lhe beijinhos. Ele riu-se e comentou:
- Estou a ser beijado por uma pessoa doente.

Eu expliquei:
- Estou a tentar passar-te, para ficares doente e teres de ficar aqui em casa comigo. Era tão bom!

Foi assim que me vesti (2) - edição reunião

Na terça-feira tive uma reunião relativamente importante que ainda tenho esperança que venha a dar frutos ao longo dos próximos meses. A escolha da roupa teve de ser simples e leve, mas com o calor que estava só me apetecia ter ido de bikini.

Saturday, 29 June 2013

Atchim!


Estou de férias e está um calor daqueles que dão vontade de passar o dia dentro de uma piscina, mas o que é que eu me divirto a fazer? Fechada dentro de casa com uma ventoinha ligada, tento bater o record de mais lenços usados numa hora. Estou bastante bem encaminhada...

Thursday, 27 June 2013

Questão científica


Ontem, enquanto punha gelo a fazer, comuniquei ao meu irmão, assim só por acaso, que a água quente congela mais rapidamente. Aquilo que eu pensei ser uma informação acessória atirada para o ar numa noite de calor acabou por ser o mote de uma quase revolução. Discutimos uns com os outros, embora todos concordássemos que não faz grande sentido, e fomos procurar à net, mas nada de explicação. Acho que o mundo anda todo na mesma onda que nós.
Ainda hoje o meu pai estava a pensar neste tema bicudo com um ar grave e preocupado.
Há por aí alguém que tenha um palpite?

Um habitat bem heterogéneo


Ontem à noite tinha um sardão (ou sardanisca, nunca sei bem a diferença) a rastejar pela parede da minha sala. E não, não moro no campo, nem sequer numa casa cheia de canteiros. Isto passou-se no quinto andar de um prédio do Porto, bem no centro da cidade.
Todas as noites ligo o afastador de mosquitos, mas parece que vou ter de procurar alguma coisa contra bichos rastejantes, também.

Wednesday, 26 June 2013

Michelle de Brito vs Maria Sharapova

Os gritos quer de uma quer de outra são um pouco distrativos e os deuces sucedem-se uns aos outros impiedosamente, mas a Michelle de Brito ensinou uma lição à Sharapova. Vale a pena ver.

Tuesday, 25 June 2013

Isto do Casamento (4) - As músicas

Nas semanas que antecederam o casamento (já passou um mês!) criou-se um mistério à volta da música ao som da qual íamos entrar o agora marido de braço dado com a mãe, os padrinhos com as madrinhas e, por fim, eu com o meu pai. Dei a pista de que começava por e as inúmeras sugestões, desde A garagem da vizinha ao Ai se eu te pego, apesar de bem originais, não andaram lá nada perto.
Escolhida há muito tempo, a Adiemus da Enya era perfeita, especialmente porque tem mais de cinco minutos, o que deu tempo suficiente para todas as entradas e para mais algumas peripécias com a cauda do vestido pelo caminho.



Tal como com a música de entrada, queríamos músicas com que nos identificássemos, que tivessem a ver connosco e não com a instituição do casamento, por isso:

Final da cerimóniaYou and me always (Wannadies)
Entrada na sala para o jantarIt's always a good time (Owl City com Carly Rae Jepsen)
Abertura da pista (uma sugestão do Dj mesmo no momento): Sway (Michael Bublé)
Corte do boloGood life (One Republic)

Para além disso, durante a cerimónia o meu pai na guitarra e o meu tio na flauta transversal tocaram o Ave Maria de Gounod e o LOVE, que foram uns dos momentos mais bonitos: o primeiro deu para a choradeira geral e o segundo deu para uns ligeiros movimentos de costas ao som da música. Duas das madrinhas leram cada uma um poema com o Hallellujah (Rufus Wainwright) como música de fundo.
A maioria das escolhas não foi nada tradicional e o estilo escolhido não foi nada homogéneo, mas eram um reflexo de nós os dois.

Monday, 24 June 2013

Pilates Weekly


Na semana passada fiz uma hora de desporto no domingo, na segunda, na terça, na sexta, no sábado e no domingo. Bem precisei, para tentar colmatar os danos de uma alimentação estupidamente calórica.
Esta semana será melhor e mais cuidada.

Coisas boas no São João

Conheci uma rapariga adulta, não anã, mais baixa do que eu.
Dividi-me entre sentir-me feliz e sentir pena dela.

Sunday, 23 June 2013

Ginástica masculina

Ontem estive a ver a Taça do Mundo de ginástica artística, que está a decorrer em Portugal, na Anadia. Sempre gostei de ver as raparigas nas barras assimétricas e no solo, mas desta vez prestei atenção aos homens no cavalo e nas argolas. O cavalo com arções (que valeu uma medalha de bronze bem merecida ao português Gustavo Simões) é algo fascinante pela alterações de velocidades e pelo balanço que eles têm de ganhar para mandar as pernas pelo ar sem caírem nem bater em lado nenhum. Por outro lado, não entendo como há tantos homens a fazer aquilo sem acidentes maiores.
Mas o ponto alto foram as argolas e fiquei logo a perceber porque é que é uma modalidade exclusivamente masculina. Para além da força óbvia que já se imagina que é preciso ter para dar uma voltinha que seja naquilo, eles têm de manter cada posição um mínimo de dois segundos sem tremer nem deixar os cabos balançar. E não podem deixar que a expressão facial reflita o esforço físico que aquilo requer, que não me parece que seja pouquinho.
O tipo que ficou com o ouro (o brasileiro Zanetti) fez o que tinha a fazer como se não fosse nada de mais, sem grande esforço, expressão tranquila.
A minha principal curiosidade é: como será ser abraçada por uns braços daqueles?

Zanetti (Foto daqui)

Karma?

Chegou o São João com churrasco e balões. Chegou o calor para podermos jantar lá fora e fazer caipirinhas para toda a gente. Chegou o verão, finalmente, depois de tantos meses fora ... e tenho a minha máquina depiladora retida para arranjar.
Que vida madrasta!

Friday, 21 June 2013

Noroeste e os nomes bizarros


Esta tendência de os pais famosos terem a mania de serem criativos com os nomes da descendência vai ser uma das grandes razões da delinquência juvenil, quando os bebezinhos fofinhos de colo chegarem à escola e forem enxovalhados por toda a gente devido ao nome que lhes calhou na sorte. Já estava na altura de se reformularem as regras da imaginação parental e limitar as escolhas e combinações de nomes possíveis a dar aos recém-nascidos.
Qual é o problema dos tradicionais Maria, Catarina, Pedro ou Tomás? Querem mais rebuscadinho? Rodrigo, Matilde, Tomé ou Beatriz. Na loucura, Carlota ou Martim.
Daqui a uns anos vamos ter as pobres das Leyonces e North Wests deste mundo a desejarem chamar-se algo tão simples como Ana e Amy, só para terem o prazer de terem algo de normal nas suas vidas. Mas não, ficam presas à mãe e ao pai que têm, mais ao nome que, em conjunto, por unanimidade, as duas cabecinhas escolheram.

Carta de amor ao verão

Tenho uma grande fixação pelo 21 de junho. Desde que me lembro que sou feliz no 21 de junho, o mais comprido do ano.
Penso sempre em calor, em princípio de verão com promessas de praias, piscinas e fins de tarde a ver os morangos com açúcar e o Dawson's Creek dobrado, às escondidas, deitada de barriga para baixo no sofá.
Recordo a primeira vez em que abri as páginas do meu livro de eleição que começa precisamente no dia 21 de junho, quando tinha quinze anos e já estava de férias, e me apaixonei loucamente pelas personagens principais, pela Segunda Guerra e pelas noites brancas da Rússia. Foi aí que comecei a desenvolver uma pequena atração pela vida no campo, rodeada de lagos e de casinhas de madeira e de uma tranquilidade imensa de auto-subsistência.
O dia 21 de junho é, para mim, um abraço caloroso que recebo a cada ano. Vinte e quatro horas de mimo e de carinhos para me pedirem desculpa do frio do inverno e oferecerem alguns meses quentes.
E este ano, apesar de cinzento, desanimado e apático, o 21 de junho acabou de chegar com os mimos que me traz sempre, invariavelmente: o verão e o dia mais longo do ano.

Tuesday, 18 June 2013

We are family (II)


Quando andava na escola havia sempre aquela tendência e necessidade extrema de encontrar uma amiga que fosse melhor amiga e de quem fosse, também, a melhor amiga. Não sejamos hipócritas: não era a única. E esse era um patamar altíssimo do domínio das amizades, o título que qualquer pessoa queria merecer, porque ser amigo era fácil. Melhor amigo já não.
Entretanto fui-me apercebendo de que as amizades do colégio ou da escola não cresciam comigo ou eu não crescia com elas e deixei uma data de melhores amigas para trás à medida que me fui tornando na pessoa que sou hoje. Foi então que compreendi que quanto mais vida vivemos mais difícil é fazer amigos daqueles que ficam, que não viram costas nem dizem adeus de ano para ano porque se cansaram ou porque seguimos vidas diferentes, mas também percebi que muito melhor do que ter um montão de amigos e uma única melhor amiga é ter um pequeno grupo de melhores amigos, tal como o que eu tenho.
Bom é poder referir cada um dos meus melhores amigos e senti-los parte de mim, sentir cá dentro algo forte que não me deixa duvidar de que as amizades adultas são mais maduras, mesmo as que sobreviveram à infância e à adolescência, porque perduraram. E só nas amizades maduras é que sentimos plenamente orgulho dos nossos amigos, tentamos combater a tristeza deles e ficamos eufóricos com a alegria que os vemos viver.
Já não sou criança, mas ainda sabe bem ouvir as minhas melhores amigas referirem-se a mim como a melhor amiga delas, não porque ainda tenha aquela tendência ou necessidade extrema de poder ter alguém que me chame assim, mas porque é bom ter essa confirmação. É como um amo-te que os amigos não dizem, mas que os casais não se cansam de dizer.
Nem sempre sei expressar exatamente aquilo que sinto, porque costumo assumir que não é preciso. Não sou perita em escrever declarações nas redes sociais e, normalmente, o máximo que consigo é mandar uma mensagem comovida a dizer gosto de ti ou adoro-te. Mas hoje, ao ver as fotografias de um dia tão único e tão importante, não consegui deixar de sentir a vontade de voltar a ser criança e de dizer és uma das minhas melhores amigas. Com tudo o que isso significa.

Monday, 17 June 2013

Insiste

Quem disse que só custa começar ou mentia ou não sabia o que dizia.
Hoje custou-me muito mais do que nunca mexer os braços ou fazer uma série de abdominais sem começar a sentir pequenas cãibras a despontar.
Agora é esperar que amanhã a coisa não custe tanto.

Sunday, 16 June 2013

O recomeço de algo muito bom


Para o casamento emagreci entre 4 e 6 quilos com uma dieta muito limitada e muito exercício, que nunca fiz com tanta frequência nem intensidade como nas semanas que antecederam a semana corrente, como alguém decidiu apelidar a semana do casamento. No entanto, quanto mais a data se aproximava, mais coisas tinham de ser tratadas, pelo que o meu tempo livre foi quase todo canalizado para o mesmo objetivo e o desporto acabou por ser posto de lado.
Entretanto, e como já era suposto porque eu sou uma pessoa que gosta de comer um bocado mais do que apenas maçãs ao longo de três semanas, já ganhei dois dos quilos que perdi, mas não tenciono ganhar mais nenhum. Contudo, agora, com um bocadinho mais de carninha em cima, reparei que a falta de desporto não me deixou propriamente tonificada e foi por isso que hoje, ao fim de tanto tempo de preguiça, voltei ao meu desporto caseiro, à minha rotina habitual, a que acrescentei alguns exercícios de flexibilidade.
Já sei que é verdade aquilo que dizem: que o que custa é começar. E não há nada melhor do que combater a inércia e fazer um bocadinho mais do que alapar o rabo no sofá, ou no metro, ou na cadeira no escritório.

Saturday, 15 June 2013

Foi assim que me vesti - edição casamento

Como já disse, o casamento de hoje foi apenas a cerimónia no registo civil, pelo que a escolha da roupa a levar teve de encontrar um intermédio entre a importância da situação e a modéstia da celebração. Esta foi a fatiota escolhida.



Não sei se repararam, mas o meu cabelo extremamente comprido foi-se mesmo, logo na segunda-feira a seguir ao meu casamento.

We are family


Hoje uma das minhas grandes amigas, uma das minhas madrinhas do meu casamento e detentora do meu ramo, também casou.
Ainda não foi o dia da entrada triunfante, ainda não foi o dia da cerimónia religiosa, ainda não foi o dia da grande festa, com discursos emocionantes nem com uma primeira dança romântica. Ainda só tive pouco mais do que uma hora para testemunhar o momento bonito do casamento dela com alguém de quem realmente gosta e por quem é, realmente, gostada e pouco mais consegui dizer-lhe do que "sejam muito felizes", porque mais do que ser aquilo que fica bem dizer, é aquilo que lhes desejo.
Mas hoje apercebi-me de uma coisa em que nunca tinha pensado, não desta maneira.
Quando estava de pé nas costas dela, a vê-la a dar o primeiro beijo ao recém-marido e a pôr-lhe a aliança no dedo, pensei, com alguma dificuldade em conter as lágrimas, "a minha irmã está a casar-se".
Sempre dissemos que éramos membros da família que a vida nos deu a escolher, mas hoje percebi que somos mesmo isto: irmãs do coração, que se apoiam uma à outra, que já discutiram uma única vez, que enfrentam as adversidades lado a lado e que não se abandonam nunca.
E se alguma vez achei que os amigos são passageiros, hoje, e depois de muitas mudanças na vida de cada um de nós, tenho a certeza de que os amigos verdadeiros não são nunca passageiros, mas são como as famílias: estão presas por um nó tão cego uns aos outros que mesmo que queiram não podem separar-se.

Friday, 14 June 2013

Verde, amarelo, vermelho

A Rotunda da Boavista está, desde o início da semana, com os semáforos intermitentes para os carros e para os peões e nunca vi um sítio que normalmente é tão caótico e congestionado a fluir tão fácil e silenciosamente.
Por saberem o eventual perigo que os espera, os condutores avançam com muito mais cuidado, não se atiram só porque têm prioridade e deixam passar quem atravessa, tudo isto sem qualquer buzinadela. É uma experiência interessante de observar e de viver. Parece que se está numa outra dimensão, num anúncio criado e manipulado para atrair potenciais turistas.
De facto, já há uns tempos tinha lido um artigo sobre uma cidade onde se implementou este tipo de trânsito, mas achei que tinha tudo para se tornar numa anarquia. E, possivelmente, se isto se prolongar por muito mais tempo e deixar de ser uma novidade, até pode ser que venha a ser isso mesmo: uma balbúrdia pegada onde o facilitismo começa a dar lugar a vários acidentes. Mas para já deviam mantê-la assim. Em compensação, aproveitavam a poupança de eletricidade e punham semáforos na Rotunda AEP. Essa sim, ganhava imenso com uma inovação destas.

Wednesday, 12 June 2013

Há ideias giras



Mas também há ideias espetaculares!

Primeiro sinal de verão

Uma melga a melgar no quarto, quando me deitei, antes de ser esborrachada entre uma toalha e a parede.


Grandes inimigos desta vida


Tenho um grande inimigo que me persegue para todo o lado a que vá. Cola-se-me aos casacos, entra-me pelas carteiras, infiltra-se na minha roupa e eu não sei o que fazer para conseguir escapar-lhe.
Gostar de ter unhas minimamente compridas e pintadas não é compatível com fechos éclairs onde, infelizmente, deixo todos os dias um pedaço de unha.
Já estava na altura de se revestirem, obrigatoriamente, esses fechos com uma película de silicone, ou mesmo com uma tira de tecido. Acho que a comunidade feminina do mundo agradecia. E as descuidadas especialmente.

Sunday, 9 June 2013

Televisão dolorosa


Estou para aqui a ver um episódio de Sexo e a Cidade que a Foxlife anda a repor e, em menos de um minuto, recordei-me do porquê de ter desistido a meio.
As histórias mirabolantes e nada credíveis e a falta de assunto novo até podiam ser suportadas, mas o exagero da má representação da Sarah Jessica Parker, os tiques demasiado dramáticos e as conclusões ridículas a que chega a cada episódio provocam-me um trejeito inconsciente de desprezo assim que ouço a voz dela.
Será assim em todos os projetos em que entra?

Saturday, 8 June 2013

Isto do Casamento (3) - Algo azul


Não sou supersticiosa, mas tudo o que servir para dar boa sorte é bem vindo. E foi por isso que até achei piada a esta tradição não muito portuguesa, especialmente quando me dei conta de que tinha um exemplar para cada, menos para o azul.
Acabei por decidir cozer um lacinho azul claro nas cuecas.
A ideia era só eu o ver, mas quando um grupo de homens decidiu atirar-me ao ar até me fazer, quase, aterrar de cabeça no chão, todos os convidados puderam encontrar a minha coisa azul.

Friday, 7 June 2013

A efemeridade das cerejas


Nunca como nada de uma só vez. Sou aquela pessoa pastelona que desfaz todos os alimentos sólidos e lhes dá trincas muito pequeninas para os fazer durar e que usa colheres exageradamente pequenas para comer os mais líquidos como os iogurtes, para não acabarem tão rápido.
Também as cerejas era submetidas a este mesmo método e conseguia desfazer uma em cinco ou seis trincas diferentes, o que se revelou ser quer um problema quer uma grande vantagem quando, há uns dois ou três anos, observei distraidamente a minha cereja meio trincada e vi uma pequena minhoca branca a rabear lá por dentro, soltei um guincho e gritei:
- A minha cereja tem uma minhoca! (curiosamente ninguém se riu).
Graças a este histerismo descobri que todas as cerejas têm bicho.
E desde então nunca mais toquei numa só cereja que fosse.

Thursday, 6 June 2013

Isto do Casamento (2) - Algo novo


De novo levei o vestido e os sapatos.

Isto do Casamento - Algo velho e algo emprestado



Emprestado levei muita coisa: a écharpe que tinha sido utilizada no ano passado pela minha cunhada, no próprio casamento, uns brincos de pérola antigos da minha mãe e estes alfinetes também antigos e também da minha mãe.
Para além destas peças (que também compunham o espectro do antigo) levei o meu colar de pérolas, oferecido pela minha avó quando fiz dezoito anos.

Tuesday, 4 June 2013

As armas, as ameaças e a torre Eiffel

Há uns anos, quando estava a fazer Erasmus em Paris, escondi-me com a minha mãe de um tiroteio numa das maiores estações de metro/RER e ainda tive o desprazer de ver, pela primeira vez, um homem com uma ferida de bala na perna. Foi, também, a primeira vez que vi armas - metralhadoras - ao vivo, a cores e a palmos do meu nariz.
Entretanto habituei-me a conviver com esse tipo de armas nas raras ocasiões em que me aproximava da Torre Eiffel, mas o efeito da familiaridade passou quando vim embora e deixei aquela minha cidade.
Desta vez, enquanto corria a cidade à procura de paninis para almoçarmos, cruzei-me com um grande grupo de Gendarmerie armado e com um trio de soldados de metralhadora em punho, apenas porque estávamos no Trocadéro, em frente à maldita torre, e voltei a sentir aquele aperto no estômago e o medo de que aquela porcaria escorregue da mão de um deles, aponte para mim e me espete uma bala na barriga.
Para juntar à festa, em três dias que lá estive, houve duas ameaças de qualquer coisa, despertadas por embalagens suspeitas deixadas nas carruagens do metro.
É especialmente disto que gosto no nosso país: é tudo tão pacato e tão descomplicado que as armas são muito mais do que adereços bonitos nas mãos de um militar que se cruza connosco numa banal viagem para o trabalho.

Monday, 3 June 2013

O 25 de maio


Não sei se toda a gente sente o mesmo, mas aquilo que retirei, e sei que o meu marido também, do dia do casamento é que foi perfeito do princípio ao fim, sem falhas, exatamente como o tínhamos planeado. Rimos e sorrimos sempre muito, imensamente felizes. Divertimo-nos e pusemos o protocolo de lado, porque não somos pessoas para fazer muita cerimónia. Foi uma festa nossa, para nós e para os nossos convidados e aproveitámos cada bocadinho de sol, cada música, cada refeição e a pista de dança. Houve imensos beijos, abraços, lágrimas e momentos que nunca serão esquecidos.
Fomos os dois, um para o outro, para os nossos amigos e para as nossas famílias.

Para além de estarmos ambos mesmo muito felizes, tivemos uma sorte tremenda desde o início com todos os colaboradores que contratámos, desde a quinta, ao catering, ao DJ e aos fotógrafos (que foram os nossos amigos) e isso é mesmo muito importante, porque se é para dar uma festa grande, ao menos que seja em grande.

Nada mudou propriamente, é verdade, porque a vida que fazemos agora é a que fazíamos antes, embora com um anel de ouro nos dedos. Mas é ótimo sermos casados um com o outro e tenho pena de só se ter um casamento na vida.
Voltava a viver aquele dia todos os dia sim dia não, se fosse possível, porque ainda tenho bolhas nos pés.