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In other words...

Wednesday, 9 April 2014

Sensações estranhas / Weird feelings

Na minha vida não há espaço para muita gente. Nem sequer há muita disposição para deixar entrar qualquer um, uma vez que é um processo longo, por vezes doloroso e assustador, o de abrir as portas, mostrar o que sou, aquilo em que penso, aquilo de que gosto e de que não gosto.
Há pessoas que entram, tomam café e vão embora. Cruzamo-nos mais uma vez ou outra, às vezes até todos os dias, mas não passa disso mesmo: de um cruzamento superficial durante o qual sou, até, capaz de contar que tenho um novo trabalho, que me dói a barriga ou que gostava de ir a Cabo Verde.
Uma vez ou outra, essas passagens temporárias vão-se tornando mais permanentes, vou mostrando um bocadinho mais de mim, vou gostando um bocadinho mais e o superficial torna-se profundo. Não é com facilidade que deixo alguém para além de mim ver todas as minhas cores, incluindo o negro, não é com leveza que deixo que o simpatizar evolua para o gostar e, quem sabe, gostar a sério, tanto que quero a outra pessoa para sempre na minha vida.
Não gosto de toda a gente da mesma maneira, porque há pessoas de quem gosto, há outras de quem gosto muito e outras de quem gosto mesmo muito, como se fossem parte de mim. E é dessas que me está a custar imaginar, sequer, separar-me.
Decidi que não quero mais disso: vou ficar-me por quem tenho agora, isolar-me na minha ilha das amizades e não deixar entrar mais ninguém, para não ter de deixar sair mais ninguém.



There is no much room in my life for many people. There isn't, even, the proper mindset to let anyone in, because opening the doors, showing what I am, what I think about, what I like and don't like is a long and, sometimes, scary process.
There are people that come in, have a cup of coffee and leave. We see each other once or twice, sometimes even every day, but that's it: a superficial passing by during which I might be able to tell the other person I have a new job, that my stomach ache or that I want to go to Cape Verde.
Sometimes those temporary passages become more permanent, I start showing a little bit more about me, I start liking a little bit more and the superficial becomes deeper. It isn't easy to let someone other than me see all my colours, including the dark ones, I don't go lightly from getting along to liking or, perhaps, even loving so much I want the other person forever in my life.
I don't like everybody in the same way, since there are people I like, people I like a lot and people I really really like, as if they were a part of me. And those are the ones I'm terrified of being apart.
I decided I don't want this anymore: I'm keeping what I have right now, isolating myself in my friendship island and not allowing anyone else to come inside, so I won't have to let anyone else go, ever again.

4 comments:

Carla said...

Gosto do tom recto, autoritário, quase intransigente que denotas no teu texto. Da a ideia de um qq poder oculto que tens de impedir que novas pessoas se cheguem a ti.
Vou lá estar no dia certo pra te mostrar que isso não passa de uma ilusão de q tens algum poder.
Já a formiga tem catarro, queres ver?!

:)

Sofia said...

Acho que te compreendo para lá de bem (;

A Espiga de Trigo said...

Carla, já fizeste o favor de o mostrar... Embora eu tenha tomado esta decisão depois de cá estares ;)

Homero Couto said...

...e deixar passar por nós pessoas incríveis e fabulosas que nos fazem rir, chorar, sofrer e amar? E se as que tens agora, seja porque razão for, tiverem que te deixar? Continuas a vida sozinha , sem mais ninguém? Ou vais criar um número limitado de cartões de amizade que distribuis e depois recolhes para manter o número mágico que tu decidiste? As pessoas com quem nos relacionamos, sejam as que gostamos, as que gostamos muito, as que gostamos mesmo muito ou as que não gostamos, é que fazem a vida valer a pena. É com as relações e respetivos sentimentos que aprendemos, crescemos e nos tornamos melhores. Entendo-te...mas discordo!!!