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In other words...

Saturday, 29 March 2014

Caminhos de algodão / Cotton ways


Há alturas em que ninguém pensa em aviões, em que são vistos a passar lá no alto, a deixar riscos no céu e em que cá em baixo até se fazem competições para ver quem adivinha mais companhias, mas em que tudo corre bem e não se pensam nos acidentes.
E, para contrabalançar, há fases como a atual, em que anda tudo louco à procura de notícias sobre o avião desaparecido, o que puxa documentários e reportagens sobre acidentes antigos, e em que há mil e uma aterragens de emergência e motores que avariam e tudo o que mais se possa imaginar.
Ora, eu sou uma mariquinhas, que morre de medo de andar de avião, sobretudo sozinha. Acompanhada até nem faz muito mal: se formos os dois juntos e o avião cair, ao menos morremos juntos e eu vejo-o nos meus últimos momentos. Mas sozinha faz-me imaginar histórias mirabolantes e obriga-me a pensar no que vou perder se morrer cedo de mais, numa viagem de férias de quatro dias.
Por mim as viagens faziam-se todas a pé, por caminhos de algodão...



There are times where nobody thinks about aeroplanes, where we see them flying high and leaving white scratches in the sky, and where people even try to guess the airline they belong to, because everything goes well and nobody thinks about crashes.
And, to compensate, there are phases like this one, where people look for news about the missing plane like crazy, which pops-up documentaries and stories about older accidents, and where we hear about many emergency landings, failling engines and everything else.
Well, I am sissy who is terrified about entering a plane, specially alone. If I go with him, it's kind of ok: we go together, the plane falls and we die together, at the same time, and he is the last person I look at and talk to on my last moments. But thinking about flying alone makes me imagine disgraceful endings and makes me think about what I will loose if I die too soon, on a four day vacation trip.
If it was for me to decide, we would make every single trip by foot, over cotton ways...

1 comment:

Homero Couto said...

De certeza que o algodão se enrolava nos pés, caías e sufocavas enrolada no algodão ou então se fosse algodão doce acabavas por comer um grande pedaço ficar com uma enorme dor de barriga...e morrer...