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In other words...

Friday, 28 September 2012

Abraços e caças ao tesouro

Continuamente têm vindo a elevar-se vozes de revolta contra os fait-divers consequentes da manifestação de há duas semanas atrás. Para começar, alguns nunca acreditaram que a miúda que abraçou o polícia tivesse querido fazer um gesto verdadeiramente altruísta e significativo, mas agora as opiniões inclinam-se para declarar a pés juntos que ela sempre teve como objetivo fazer produções fotográficas e dar entrevistas. Parva de miúda, que torna-se famosa e quer ser ainda mais famosa. É um bocado como aquele, o Passos Coelho, que a partir do momento em que subiu à cadeira de primeiro ministro aparece nas revistas e nas televisões quase todos os dias. Não se compreende.
Mais recentemente descobriu-se, à moda das novelas portuguesas, um não casal de gato e de rato que quer ser casal de gatinhos siameses apaixonados e portanto o macho anda por esses meios de comunicação fora a procurar a fêmea que vai emigrar não tarda muito. É uma história que, a ser verdade, me ultrapassa um bocado, especialmente porque depois de tanta visibilidade, ela já terá visto que o esforço dele é de louvar e, provavelmente, superou as expetativas dela. Mas das duas uma, ou a rapariga se mantém escondida até a  loucura da história afrouxar para não ter a cara escarrapachada nos jornais e facebooks deste mundo, ou nunca tencionou voltar a ver o pobre do rapaz à frente.
Enfim, o cerne da questão é que toda a gente fala, critica, esmiúça e analisa estes dois desenvolvimentos diariamente. Não me entendam mal: criticar é bom, obriga-nos a pensar e a formar uma opinião, embora não consiga acreditar em alguém que, aparentemente, tem uma opinião sobre tudo e mais alguma coisa. O problema aqui é que as críticas são todas destrutivas, que a miúda é uma sabidola e que planeou a tramóia toda, e que o outro miúdo é um pateta que com a idade que tem já devia ter juízo.
Pois digo-vos que, na minha opinião, a ruiva, para além de ter aquela filosofia meio hippie do amor e da liberdade, sabe que estamos em crise e que qualquer hipótese de qualquer coisa é de agarrar. Parva era ela se dissesse que não. Quanto ao príncipe da Cinderela desaparecida, toda a gente sabe que o amor nos faz cometer loucuras daquelas de olharmos para trás e, de cara corada, pensar como é que eu fiz uma coisa destas? Pode até não ser amor e ser mas é uma paixoneta passageira, mas alimentar esta fantasia não vai fazer cair o Carmo nem a Trindade e, ao menos, os telejornais põem de parte a crise nem que seja por breves minutos, para acompanhar a telenovela da realidade, que, para cúmulo, não é um desses reality-shows que conspurcam a minha televisão.
Portanto relaxemos e não nos queixemos de tudo e mais alguma coisa, que começa a ser deprimente.

1 comment:

Never Told Words said...

Eu não sei que tipo de vida essa tal miúda que abraçou o polícia tinha, mas concordo contigo quando dizes que burra era ela se não aproveitasse toda a importância que deram depois da manifestação. Da mesma forma que também acho óbvio que teve este mediatismo todo porque é mulher, jovem e jeitosa. Se fosse a Ti Maria lá da serra com bigode e verrugas não aparecia e ponto final!