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In other words...

Monday, 16 April 2012

O primeiro olhar


Lembro-me com toda a clareza de tudo o que fiz há precisamente quatro anos.
Saí de casa para ir passear sozinha pela minha cidade, como tantas vezes fazia sem me cansar. Não fui a nenhum sítio turístico nem emblemático, mas deambulei por algumas das minhas zonas de eleição. Antes de me enfiar no metro de regresso a casa parei numa das ruas menos carismáticas e de que a maioria das pessoas foge mas que eu adoro, para comprar um crepe. Fui retida pelo rapaz solitário que me atendeu e que tentou à viva força que lhe desse o número de telemóvel. Lá consegui fazê-lo acreditar na minha mentirinha de que não tinha nenhum número para lhe dar naquele momento e, ainda assim, ele desenhou com a espátula um coração na nutella dentro do crepe (algo bastante estranho e assustador).
No regresso a casa, já com a noite a espreitar, passei por uma adulta mais baixa do que eu e sorri de orgulho. Lembro-me do cheiro da zona em que morava e sei de cor o caminho desde a porta até à minha residência, cuja imagem está nitidamente gravada na minha memória.
Entrei no meu quarto e fui arrastada sem hipótese de recusa para um vernissage que se prolongou pela noite dentro com música, exposições e comida. Ele juntou-se-nos pouco depois, sentou-se no lugar vago ao meu lado e foi a primeira vez que o vi conscientemente.
Podíamos não ter encontrado nenhum interesse em comum, nem ter passado a noite toda a conversar por entre sushi e pastéis de nata, mas se assim fosse... hoje não estaríamos juntos há quase quatro anos.
Os meus passeios pela minha cidade passaram a ser feitos a dois e souberam-me muito melhor do que os anteriores.

8 comments:

Ana João said...

ooohhhh *.* Que história bonita <3

anokas said...

O amor está onde menos se espera:)

Quew história bonita!

Joana said...

Uma história tão singela, sem grandes romantismos trôpegos e um amor nascido de forma tão simples. Exatamente como eu vejo e - felizmente - também vivo as coisas e a minha felicidade. Parabéns. :)

Pics said...

Ana João, obrigada :) Eu também acho!

anokas, é verdade. Naquela manhã, quando acordei, não fazia a mínima ideia de que ia conhecê-lo.

Joana, tens razão: foi tudo muito simples, sem mentiras, sem altos e baixos, sem grandes novelas. Parabéns para ti também :)

Maria Inês said...

Deixei-te um desafio no meu blogue :)

Miss Murder said...

Gosto tanto destas histórias.

Jude said...

O amor acontece! É tudo o que me apraz dizer!:)

Anna said...

Tão lindo =)
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