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In other words...

Thursday, 8 November 2012

Abrir os olhos antes de abrir a boca

Deprimem-me (e não tenho paciência para) pessoas que só têm conversas típicas de taxistas ignorantes e alheados da realidade, uma vez que só emitem opiniões através de opiniões formuladas por outrem, seja sobre um livro, uma cidade, uma pessoa, ou sobre o país e qualquer decisão do governo.
Confesso que quando o Saramago recebeu o prémio Nobel, havia muita gente à minha volta que apregoava não gostar dele, porque escrevia mal e porque era português mas fugiu para Espanha e mais não sei o quê. Vai daí, assumi que também eu não tinha por que gostar dele. No entanto, um par de anos mais tarde, quando comecei a crescer, apercebi-me de que não havia qualquer fundamento para o meu juízo de valor, pelo que decidi ler o Todos os nomes e, a partir de então, passei a adorar a escrita do Saramago.
Hoje em dia convivo com imensa gente que ainda não cresceu nem percebeu que aquilo que os outros pensam não é obrigatoriamente aquilo que toda a gente tem de pensar. Nem todos temos de odiar Portugal, nem todos temos de jurar a pés juntos que aqui é que se está mal, que só (todos) os nossos governantes é que são incompetentes, que os portugueses são todos uns gatunos estúpidos e inocentes que não sabem fazer nada de jeito.
Orgulho-me de gostar do meu país, embora queira, a muito curto prazo, ir temporariamente viver para fora. Orgulho-me das coisas boas que se fazem aqui, dos feitos que alcançamos, das pessoas notáveis que temos, da nossa cultura e das nossas qualidades. E orgulho-me de não ter vergonha de o admitir para quem me quiser ouvir.
Não precisamos de ser uns patriotas acérrimos que defendem tudo o que se passa para cá da fronteira, mas um bocadinho mais de brio e de positivismo não fazia mal a ninguém.

1 comment:

Sefa said...

Concordo plenamente. Não tenho nada a tirar nem a acrescentar.