Acho que há coisas que só me passam a mim pela cabeça e, como tenho tendência para o exagero, acabo por fazer delas situações hilariantes. É um desperdício quando não são partilhadas com ninguém.
Ontem deitei-me, apaguei a luz e senti qualquer coisa na orelha. Toquei-lhe, fechei os dedos à volta dela e percebi, pela textura e pelo barulho, que era uma aranha. Daquelas nojentas, com corpo redondo e enorme e patas pequenas. Desatei aos berros, acendi a luz e atirei com aquilo já bastante esmagado para o chão.
Quando olhei de perto percebi que era apenas o revestimento do brinco, que tinha saído e ficado agarrado à minha orelha.
Tive pena de ter sido a minha única testemunha.

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