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Monday, 6 October 2014

Tears in heaven



Há quem imagine o dia do funeral como se se tratasse de um casamento, planeando cada pormenor, cada música, cada leitura, por aí fora. Nunca tinha pensado nisso. Se eu morrer morri. Desde que descubram o meu corpo e o ponham nalgum sítio, de preferência em forma de cinza, ao abrigo dos animais e das intempéries, fico descansada (na verdade, se não o fizerem também...).
Adiante. Nunca pensei no que quero que haja no meu funeral. Quero lágrimas e que digam que se perdeu uma das melhores pessoas que o mundo já conheceu, que vou fazer falta em todas as vidas e que me elogiem até à exaustão.
Para além disso, quero apenas que toque esta música. Não saída de um par de colunas, mas de uma guitarra e de uma voz em especial.

Tuesday, 18 February 2014

Relógio biológico / Biological clock



Ultimamente ando a ouvir um tic-tac-tic-tac imparável que me faz sonhar com babygrows, carapins, fraldas (limpas), biberons, chupetas e músicas de embalar. Para juntar à festa, acho que o mundo se tem organizado de maneira a impedir-me de pôr esse desejo de lado, quanto mais não seja até ao prazo que estipulei para mim mesma.
Em vez disso, vai fazendo bebés nascer "perto" de mim, vai criando anúncios de derreter, como o do continente, e eu vou vendo séries e filmes com bebés por todo o lado.
Como se para isto?

Monday, 4 November 2013

Bipolaridade materna


Na cama de hospital ao lado da do meu irmão estava uma miúda de quatro anos que já lá se tinha instalado há dois meses. Sessenta dias. Vinte e quatro horas por dia a miúda vivia numa cave, rodeada de enfermeiros, médicos, miúdos doentes ou magoados que entravam e saíam e por lá a deixavam sem grande coisa para fazer. A televisão, com quatro canais e comum para todos os miúdos internados, não oferecia um grande escape à monotonia. A mãe não estava com grande paciência para ela, não sei se desde que foram para o hospital se desde antes disso. Os brinquedos que lá tinha já tinham mau aspeto, ar de sujos. E ela por lá andava, para a frente e para trás no corredor, tratava-se e tentava adivinhar o dia em que iria embora.
Mas o mais impressionante é o motivo que pôs a miúda no hospital. Em casa, onde acontecem uma grande parte dos acidentes com as crianças, esbarrou contra a irmã que levava uma panela com água já não a ferver mas ainda quente que lhe caiu por ela abaixo. Não lhe vi o corpo, mas vi-lhe a cara, que não tinha qualquer marca, menos mal.
Ainda assim, não consigo deixar de pensar que quando for mãe sou bem capaz de ter tendência para pôr uma trela às crianças, de os fechar num parque na sala, longe de qualquer perigo, de os impedir de entrar na cozinha até aos dezoito anos e de os proibir de sair à rua pelo menos até aos vinte. É que por mais cuidados que haja, por mais medidas preventivas que se tomem, há sempre um risco, por mais pequeno que seja, que pode ser o suficiente para mudar o curso da vida.
Por outro lado penso que, para contrariar essa tendência, vou tentar ser uma mãe completamente independente, com a ideia de que só expondo as crianças aos riscos é que elas se habituam a encará-los e contorná-los, que acredita piamente que aquilo que ensinou aos filhos é o suficiente para eles conseguirem seguir em frente sempre no caminho certo.
Ou, em último caso, vou ser uma mãe bipolar e muito inconstante.

Thursday, 30 May 2013

"Boa viagem. Pode ser que não voltem só os dois"

Foi uma ideia gira e promissora e não ponho de lado a ideia de trazer a R. de Paris, mas ainda não!

Wednesday, 13 March 2013

Emigração


Num ano em que dois* aniversários de amigos são celebrados à distância não há margem para dúvidas de que o rumo a tomar tende para a emigração. Eu para lá caminho, também, e é algo que quero muito fazer desde que fiz Erasmus. Quero voltar a sentir a excitação de aterrar num país novo, de gente conhecida e recheado de oportunidades, e começar a desenhar a minha história numa folha nova, acabada de sair da embalagem. E, pouco a pouco, ir decorando caminhos, adquirindo rotinas, travando novas amizades e conhecendo gente de vista e de nome, escolher um café e um supermercado de eleição, eleger as marcas e os produtos que melhor satisfazem as minhas necessidades, estabelecer comparações entre o meu país de origem e o meu país de acolhimento e saber viver com as diferenças.
Bem sei que nada é como a aventura de Erasmus, especialmente quando a vida de estudante ganhou novas responsabilidades e deu lugar ao mundo do trabalho, pelo que não estou colada a essa imagem utópica da realidade. Mas é um passo que, mais cedo ou mais tarde, vou dar no meu caminho. E, desta vez, vai ser mais fácil ainda porque vai ser dado inteiramente a dois.

* só porque os outros conseguiram estar cá nessas alturas

Wednesday, 20 February 2013

Desabafo capilar

Há dias em que adoro o meu cabelo e consigo fazer com ele qualquer coisa, mas há outros (ultimamente têm sido a maioria) em que lhe dedico horas, fico com os braços a doer e só consigo pô-lo oleoso. Nem um rabo de cavalo se safa.
Isto porque há cinco anos cometei o erro de fazer repas no meu cabelo volumoso e cheio de caracóis, por isso dediquei-me desde então a deixá-lo crescer, especialmente porque entretanto conheci o meu namorado e quando começámos a pensar em casar decidi que queria ter o cabelo suficientemente comprido para levar o penteado que quisesse.
Agora tenho-o mais ou menos deste comprimento:


Mas na semana imediatamente a seguir ao casamento vou cortá-lo assim:


E é mais uma das razões por que anseio por esse dia.

Monday, 12 November 2012

Bebés


Passei a noite de sábado com um bebé de quatro meses ao colo, a palrar com ele, a rir-me com os sorrisos e as gargalhadas dele, a limpar-lhe o bolsado e a apertá-lo nos meus braços com vontade de o trazer para casa comigo. E quando pousei o bebé no colo do meu namorado e ele se aninhou perfeitamente... derreti-me.
Como era de esperar, toda a gente que passava por mim me perguntava se eu estava em estágio e se já estou pronta. Respondi sempre que não, que para já vamos casar e só daqui a três ou quatro anos é que encomendamos as crianças: uma menina, um menino e uma menina. Tudo com calma, um passo de cada vez. Iam-me respondendo que não devo ter pressa, que a liberdade acaba, que a vida muda completamente e que nunca mais volta a ser o que era, porque as preocupações multiplicam-se, as noites deixam de ser bem dormidas e passamos a ter responsabilidades que não podemos descurar.
Sei disso tudo, mas se pudesse tinha já um. Nada me agrada mais do que imaginar como será ter nos meus braços o primeiro fruto do meu amor, com o cabelo perfeito dele, o sorriso simpático dele, o humor agradável dele, e vê-lo crescer, tornar-se numa boa pessoa, grande (só se sair ao pai), bonita, simpática e inteligente de quem me orgulharei, de certeza.
Era só ter condições para isso e engravidava já este ano.

Tuesday, 3 July 2012

Primeiros passos nisto do casamento (2) - experimentar vestidos


Comecei hoje a minha investida pelo mundo dos vestidos de noiva e vi coisas tão, mas tão pirosas que não consigo imaginar alguém a voluntariar-se para passar um dia inteiro com aquilo vestido.
Para além disso, a primeira coisa que me fizeram foi enfiar-me um saiote de arame e tule para pôr por baixo dos vestidos. E a primeira coisa que eu fiz foi tirá-la, depois de ver que ficava a parecer um cupcake de baunilha.
O primeiro vestido que vesti emocionou-me um bocadinho, apesar de não ser aquilo que eu queria, mas rapidamente a sessão passou a ser mais natural do que estranha.
E gostei de ver-me ao espelho.

Saturday, 30 June 2012

Anda a ser tudo à primeira


O noivo foi escolhido à primeira.
Apaixonei-me pelo primeiro vestido que vi.
Hoje fui visitar a primeira quinta e apetece-me não procurar mais nenhuma e ficar já com esta.
E não estou nada stressada, por isso não é devido à pressão. Se for tudo assim, tenho o casamento pronto antes do Natal.

Wednesday, 27 June 2012

Primeiros passos nisto do casamento - o vestido


Comecei, na semana passada, a folhear revistas com vestidos e quintas para casamentos, mas muito calmamente para não me assustar já e decidir fazer mas é uma festa informal na Pizza Hut. Logo na primeira ou segunda revista, os meus olhos fixaram um vestido e não queriam, por nada, largá-lo.
Quando ontem peguei em mais um par delas, dei por mim a pensar, a cada vestido que via, mas o outro é mais giro; mas a parte de cima do outro é que é como eu quero; mas os apontamentos do outro são muito mais bonitos do que os deste.
Acho que assim, de um momento para o outro, me apaixonei por aquele que poderá vir a ser o meu vestido de noiva.

Wednesday, 30 May 2012

Educar


Durante a minha infância brinquei às casinhas, onde o objetivo era apenas pegar no bebé ao colo, dar-lhe miminhos e muitos beijinhos, deitá-lo na caminha e ir buscá-lo quando o sono imaginário começava, fazer-lhe papinhas e fingir que o alimentava e, se a coisa desse para tanto, mudar-lhe a fralda em que, previamente, pintara uma mancha castanha.
Mais tarde comecei a gostar de pegar em bebés a sério e de tentar ajudar as mães (aquelas que deixavam que a cria tivesse outras mãos que não as suas a tocar-lhe) no que fosse possível.
A brincadeira evoluiu quando tive de ser irmã mais velha dos meus irmãos mais novos e o que fazia com os meus bonecos passou a fazer parte do meu quotidiano, com a diferença de que nenhum deles era feito de plástico, eu já não era uma criança e não podia deixar as tarefas a meio quando começavam os desenhos animados.
No entanto, nunca tive de tomar decisões sérias: todas aquelas crianças entraram para a escola e eu não tive nada a ver com isso, começaram a fazer natação ou a jogar futebol e ninguém me consultou, iam a festas de aniversário e eu nunca tive de decidir absolutamente nada. Isto é, a mãe não era eu.
Entretanto cheguei àquela fase em que penso nos meus futuros filhos como uma realidade não muito longínqua e a questão que mais vezes me invade o pensamento é precisamente a da sua educação, que comparo a um trabalho de grupo: quando temos de o fazer sozinhos é a nossa opinião e as nossas decisões que prevalecem, a responsabilidade é apenas nossa mas somos nós que temos o controlo; quando as responsabilidades são divididas com mais alguém, as decisões também o são e é preciso chegar a um consenso antes de seguir para a prática.
Não me parece muito correto que um dos pais responda sempre eu não sei, pergunta à mãe/ao pai, que ela/ele é que sabe, mas também me parece igualmente errado um dizer que sim, o outro dizer que não e deixar a criança confusa. Por isso, numa das muitas conversas que tenho com o meu namorado sobre este tema, decidimos que quando tivermos de tomar uma decisão sobre um tema que ainda não tenhamos discutido e não estivermos juntos, dizemos sempre que não até podermos conversar. É que mudar um não para um sim não é propriamente difícil, mas um sim que passa a não é daquelas coisas que os miúdos não conseguem aceitar.

Friday, 6 April 2012

Caça aos ovos


Quando era pequena, todos os anos, na manhã de Páscoa, fazia uma caça aos ovos de chocolate pela casa fora. Entretanto deixei de ligar nenhuma a este feriado e a limitar-me a emborcar até encher a mula com ovos moles, chocolates e pão-de-ló de Ovar apenas porque estão mesmo ali à mão.
Mas quando tiver criancinhas quero fazê-las seguir pistas para encontrarem os ovos escondidos, como eu fiz. É que para além de ser uma atividade divertida, no final vai haver uma distribuição desigual dos tesouros pelas (três) crianças, pelo que acabará por ser, também, um exercício de partilha.
A parte mais difícil será a gestão da quantidade de ovos ingerida por dia, mas eu depois penso nisso.