Durante a minha infância brinquei às casinhas, onde o objetivo era apenas pegar no bebé ao colo, dar-lhe miminhos e muitos beijinhos, deitá-lo na caminha e ir buscá-lo quando o sono imaginário começava, fazer-lhe papinhas e fingir que o alimentava e, se a coisa desse para tanto, mudar-lhe a fralda em que, previamente, pintara uma mancha castanha.
Mais tarde comecei a gostar de pegar em bebés a sério e de tentar ajudar as mães (aquelas que deixavam que a cria tivesse outras mãos que não as suas a tocar-lhe) no que fosse possível.
A brincadeira evoluiu quando tive de ser irmã mais velha dos meus irmãos mais novos e o que fazia com os meus bonecos passou a fazer parte do meu quotidiano, com a diferença de que nenhum deles era feito de plástico, eu já não era uma criança e não podia deixar as tarefas a meio quando começavam os desenhos animados.
No entanto, nunca tive de tomar decisões sérias: todas aquelas crianças entraram para a escola e eu não tive nada a ver com isso, começaram a fazer natação ou a jogar futebol e ninguém me consultou, iam a festas de aniversário e eu nunca tive de decidir absolutamente nada. Isto é, a mãe não era eu.
Entretanto cheguei àquela fase em que penso nos meus futuros filhos como uma realidade não muito longínqua e a questão que mais vezes me invade o pensamento é precisamente a da sua educação, que comparo a um trabalho de grupo: quando temos de o fazer sozinhos é a nossa opinião e as nossas decisões que prevalecem, a responsabilidade é apenas nossa mas somos nós que temos o controlo; quando as responsabilidades são divididas com mais alguém, as decisões também o são e é preciso chegar a um consenso antes de seguir para a prática.
Não me parece muito correto que um dos pais responda sempre eu não sei, pergunta à mãe/ao pai, que ela/ele é que sabe, mas também me parece igualmente errado um dizer que sim, o outro dizer que não e deixar a criança confusa. Por isso, numa das muitas conversas que tenho com o meu namorado sobre este tema, decidimos que quando tivermos de tomar uma decisão sobre um tema que ainda não tenhamos discutido e não estivermos juntos, dizemos sempre que não até podermos conversar. É que mudar um não para um sim não é propriamente difícil, mas um sim que passa a não é daquelas coisas que os miúdos não conseguem aceitar.