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Friday, 30 May 2014

Conversas ao acordar (3) / Morning conversations (3)

Vivo numa casa com quatro quartos, sendo cada um habitado por duas pessoas. Ainda assim, é muito raro cruzar-me com alguma delas.
Às 7h45 de hoje comentei, num daqueles comentários que só o sono acha pertinentes:

- Hoje cruzei-me com uma das nossas housemates.

Pergunta ele, já bem mais desperto do que eu (pelo menos era o que eu pensava):

- De manhã?

Eu:

- À noite não foi de certeza...

Thursday, 17 April 2014

Conversas ao acordar / Morning conversations (2)

Hoje de manhã ao chegar ao trabalho cumprimentei o coelhinho de uma colega, que tinha ido lá passear.
Cheguei ao meu lugar e, por alguma razão estranha, eu e ele começámos a falar por hashtags.
Digo eu:

- Aí em Londres não devem proibir coelhos em apartamentos. E este é mega fofo.
 #porfavorda-meum

Resposta dele, prontinha:

- #porfavornaoponhaifensnumhashtag


Wednesday, 16 April 2014

Conversas ao deitar (5) / Midnight conversations (5)


Mandei-lhe uma mensagem a contar:
- Dei um tralho tão grande ao sair de casa dos meus pais que me deu cabo das costas.

Ele respondeu uma série de coisas acertadas:
- Andas sempre a cair, ultimamente (verdade: há duas ou três semanas contei-lhe, cheia de vergonha, que caí no meio da empresa...).
- Estou a ficar preocupado com essa senilidade (não sei se é senilidade ou se é só mesmo a faltinha de jeito que me acompanha constantemente).
- Nos últimos dois meses caíste mais vezes do que eu nos últimos dez anos (dois meses não diria, mas fazendo contas aos últimos seis meses, acho que ando a fazer uma média bastante jeitosa).
- Devias ser proibida de usar saltos (quanto a esta... nada a comentar. Disparates).

Monday, 24 March 2014

Conversas via skype (3) / Skype conversations (3)

- Quantas garrafas de água com gás terás aí no quarto?
Perguntou ele, enquanto via a pequena quantidade de desarrumação que o vídeo do skype permite.

- Aqui tenho duas.
Respondi, enquanto bebia outra.

De manhã, quando acordei e percorri a casa, dei com duas na casa de banho, três na mesinha de cabeceira e três na sala.
Pensamento positivo: antes isto do que vinho ou vodka...


Tuesday, 4 March 2014

Desvantagens de viver sozinha / Disadvantages of living alone

Nem tudo - aliás, quase nada - é rosas nisto de viver sozinha e à distância da pessoa de quem se sente imensuravelmente a falta. Para começar, vejo-me obrigada a tratar de tudo aquilo que eram tarefas dele, como compor o que se estraga e levar o lixo e a reciclagem. Fazer a cama com um edredon duplo, já de si algo complicado, torna-se praticamente impossível quando feito apenas a duas mãos. Continuando na cama, dormir sozinha é mau, tenho frio, perco-me na cama e sinto a falta do cheiro e do toque dele (abraço-me à t-shirt que ele cá deixou desta vez, mas não é mesmo igual). As séries que via com ele vão-se atropelando na fila de espera, aguardando ansiosamente que tratemos delas. Fazem-me, também, falta os passeios a dois, dar as mãos e, acima de tudo, conversar sobre tudo e sobre nada, identificar-me com ele a cada palavra e a cada pensamento e sentir-me protegida pela compreensão dele.
O pior são mesmo os momentos sozinha em que penso no que faria se ele estivesse aqui e morro um bocadinho de saudades...

Friday, 14 February 2014

Conversas via skype / Skype conversations

Mostrei-lhe o piercing novo, toda entusiasmada.
Resposta dele:
- Coitadinha.
Tanto amor que ele tem para me dar...


I showed him, with a big enthusiasm, my new piercing.
He answered:
- Poor you.
He has so much love to give me...

Thursday, 6 February 2014

Dia 1 / Day 1

Hoje é assim que estou: triste, doente e perdida. Sei, ou pelo menos espero, que vai melhorar, que o passar dos dias e o skype ajudam, mas o meu problema não são os dias, mas sim os fins de tarde e as noites, quando chego a casa e me falta tudo, quando me ponho a ver o fim do mundo onde ele não existe e desato a chorar como se isto fosse algo mau. Não é. É a concretização de um projeto há muito esperado e ansiado mas que, como qualquer plano que se preze, foi ligeiramente alterado.
Essas modificações, por mais pequenas que sejam, são o que me mói, mesmo sendo elas por uma ótima razão.
Voltei às contagens decrescentes.




This is how I feel today: sad, sick and lost. I know, at least, I hope, that it will get better with time, that every day will be easier that the previous one and skype is of a lot of help. However, my problem is not the days, but the evenings and the nights, when I come home and I'm missing it all and I see the end of the world everywhere it isn't, so I cry so hard, as if something bad was going on. It isn't. It is only the accomplishment of an old and desired project which, like any other plan, was slightly changed.
And those little changes are the cause of my pain, even if they came for a great reason.
I'm back to counting down the days.

Monday, 3 February 2014

Don't stop believing

Está feito. Quatro anos mais tarde, depois de uma boa dose de deliberação, de muito apoio e de pôr alguns projetos em stand by, tenho um marido doutorado.
A primeira etapa foi alcançada com sucesso, tal como previsto, e estou aqui a inchar de orgulho. Que venha o resto...



It's done. Four years later, after being carefully thought out, with lots of support and some projects on pause, my husband is now a PhD.
The first big step was successefully concluded and I couldn't be prouder. Let's face the rest of them.

Saturday, 1 February 2014

Conversas ao acordar / Morning conversations

Sábado de manhã.
Ele, depois de ter tentado, em vão, durante mais de uma hora que eu me dignasse a abrir os olhos e a sair da cama:
- Anda lá, já é domingo.

Eu, farta de ser acordada quando estava a dormir tão bem:
- Está bem, eu durmo até segunda...



Saturday morning.
He said, after more than one hour of trying to make me wake up:
- Come on, it's already sunday.

I replied, still trying to keep on sleeping without being interrupted:
- It's ok, I'll sleep until monday.

Sunday, 12 January 2014

Challenge not accepted!

Ir a lojas na altura de Natal, como já se sabe, significa horas de seca à espera de se ser atendido. Numa dessas investidas comecei a ficar extremamente impaciente, o que me deu para aparvalhar: desatei a rir sozinha de algo que me ocorreu. Do nada, surgiu-me uma ideia de um desafio que lancei ao meu marido:
- Pagava-te o que quisesses se te levantasses e, ao mesmo tempo que te dirigias para a saída da loja, gritasses não tenho tempo para isto; tenho de ir cortar as unhas dos pés.
Mas ele foi fraquinho e não o fez...

Everyone knows how stressing and boring it is to go shopping around Christmas. One of these days I had been waiting in a long line for quite a long time, so I started getting impacient and very crazy ideas: I laughed all alone of a very stupid thought that had just occured me. I callenged my husband: 
- I`ll pay you as much as you want if, while you walk to the store exit door, you shout I have no time for this; I have to go home and cut my toe nails.
Unfortunately, he chickened out and did nothing...

Sunday, 5 January 2014

Conversas ao deitar (4) / Midnight conversations (4)

Cheguei ao pé dele, que estava a lavar os dentes, e mencionei que tinha estado à procura do meu telemóvel. Ele perguntou-me, de escova na boca, algo como:
- Bla bla bla água quente?

Achei que ou ele estava a ficar louco, ou era uma piada que eu não conseguia compreender.
Perguntei a rir:
- O quê?!

- Trouxeste o saco de água quente?

- Ah, fico muito mais aliviada. Percebi não queres pô-lo (ao telemóvel) debaixo de água quente?




Last night I met him in the bathroom, where he was washing his teeth, and told him that I had been searching for my phone. He asked me, with the tooth brush inside his mouth, something that sounded like:
- Bla bla bla hot water?

For a moment I thought that either he was going crazy or he was saying a very bad joke I couldn't get. So I asked, laughing:
- What?!

- Did you bring the hot water bottle?

- I'm so glad it was just it. I understood don't you want to put it (my phone) under hot water?

Monday, 14 October 2013

Conversas ao deitar (2)

Deitámo-nos, ele de costas para mim, aconcheguei-me agarrada a ele.
Instantes depois senti-o apalpar a almofada junto à minha cabeça para medir a distância entre uma e outra. Sem se virar para mim perguntou-me, como se nada fosse:
- Sabes aquela expressão: usa a tua almofada?

Wednesday, 25 September 2013

Isto do casamento (7) - O fato

Como qualquer menina que sonha em ser princesa que se preze, já tinha imaginado imensas vezes o dia do meu casamento enquanto ainda não havia planos concretos para isso, e, obviamente, a partir do momento em que começámos a planeá-lo a sério. Havia, no entanto, algo em que não tinha pensado minimamente: o fato dele. Só sabia que, tal como ele, não gosto de fraques nem de gravatões, não gosto de sapatos bicudos e não gosto de fatos brilhantes, com padrões ou com cores estranhas. Por isso, manter-se-ia tudo mais pela zona da normalidade e do que é mais comum.
Fiz questão de não o ver totalmente fardado antes do próprio dia. Quando o fiz não consegui tirar os olhos dele.
(A história está contada aqui e aqui)


Saturday, 31 August 2013

Conversas ao almoço


Estávamos a almoçar com um casal amigo que nos tinha perguntado a que horas acordáramos. Responde ele:

- Eu acordei antes dela (eu) e fiquei a brincar com o tablet.

Eu concordei:

- Pois, eu acordei contigo a mexer no coiso.

Imediatamente desatei a rir, sobretudo para permitir que todos os outros se rissem também.

Friday, 26 July 2013

Conversas depois de jantar (2)


Comento eu, a propósito da vida privada (não enquanto antónimo de pública, mas como oposto de livre) da Kate Middleton:
- Detestava ser uma princesa...

Responde ele, ao pensar que se aproveitasse aquela oportunidade tão descarada passava a ter um saldo bastante positivo, especialmente estando perante os sogros:
- Mas tu és uma princesa.

E pronto, acha que está livre durante algum tempo. O que ele não sabe é que isso só aumenta as minhas expectativas em relação ao romantismo dele.

Monday, 8 July 2013

Conversas ao deitar


Pergunto eu, num dos meus ataques de mimo:
- Tens orgulho em mim?

Ele deve ter revirado os olhos sem que eu visse e respondeu:
- Que pergunta... Claro...

Eu volto a perguntar:
- Em quê?

Ele riu-se e respondeu novamente, entre outras coisas:
- Em gostares de mim.

E, parecendo que não, tem razão: este deve ser, provavelmente, um dos maiores motivos
de orgulho para qualquer pessoa.

Sunday, 30 June 2013

Conversas depois de jantar


Estava a dar-lhe beijinhos. Ele riu-se e comentou:
- Estou a ser beijado por uma pessoa doente.

Eu expliquei:
- Estou a tentar passar-te, para ficares doente e teres de ficar aqui em casa comigo. Era tão bom!

Wednesday, 17 April 2013

Um beijo e um queijo


O meu namorado é tão fofinho que sabe a marca do queijo que eu gosto de pôr na salada.
E eu ainda digo que ele não é romântico...!
A melhor parte é ele chegar a casa com uma embalagem do dito.

Tuesday, 9 April 2013

Conversas ao pequeno-almoço (3)


De manhã, quando acordámos, ele foi à cozinha tirar o pão da máquina e constatou que não tinha crescido/subido. Sugeriu que talvez o problema fosse de deitar azeite.
Quinze minutos mais tarde, quando estávamos a tomar o pequeno-almoço, diz ele:
- Se calhar quando tu estavas a crescer alguém te deitou azeite...

Ao menos assim sabia o porquê de me ter ficado apenas por estes parcos centímetros.

Monday, 8 April 2013

Conversas ao final do dia (4)


Eu: Hoje de manhã não houve obras, mas ouvi passos no andar de cima.
Ele: Devia estar a preparar o discurso.