Partir é bom, regressar é melhor ainda. Faria todo o sentido se não tivesse o coração dividido em dois: parte dele é portuense, a outra parte é londrina. Esta última foi a que deixei, a que vi ficar, com um aperto na garganta de lágrimas mal disfarçadas à janela do autocarro que me levou para o aeroporto. Mas regressar assim é menos complicado quando se tem a irmã à espera com um jantar acolhedor e muitos mimos. Não resolve tudo, mas ajuda.
Hoje foi o primeiro dia de uma nova etapa que já começou, de facto, há uns meses. De manhã, nada previa que corresse bem: quando acordei tinha o cilindro desligado, apesar de tê-lo mandado aquecer água com muita antecedência, e o cabelo por lavar, o que requereu literalmente bastante ginástica para conseguir sair de casa como se nada de estranho tivesse acontecido; para acabar em grande, percorrer as ruas de Londres como se fosse incansável deixou-me uma dor no pé que, gentilmente, achou que o melhor momento para ceder era precisamente ao descer as escadas da empresa, em frente a um aglomerado de trolhas, perante o qual me estatelei desgraçadamente.
Ainda assim, cheguei a casa feliz, porque dois dos meus medos eram infundados. E as perspetivas fazem-me, agora, sorrir.