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Saturday, 29 March 2014

Caminhos de algodão / Cotton ways


Há alturas em que ninguém pensa em aviões, em que são vistos a passar lá no alto, a deixar riscos no céu e em que cá em baixo até se fazem competições para ver quem adivinha mais companhias, mas em que tudo corre bem e não se pensam nos acidentes.
E, para contrabalançar, há fases como a atual, em que anda tudo louco à procura de notícias sobre o avião desaparecido, o que puxa documentários e reportagens sobre acidentes antigos, e em que há mil e uma aterragens de emergência e motores que avariam e tudo o que mais se possa imaginar.
Ora, eu sou uma mariquinhas, que morre de medo de andar de avião, sobretudo sozinha. Acompanhada até nem faz muito mal: se formos os dois juntos e o avião cair, ao menos morremos juntos e eu vejo-o nos meus últimos momentos. Mas sozinha faz-me imaginar histórias mirabolantes e obriga-me a pensar no que vou perder se morrer cedo de mais, numa viagem de férias de quatro dias.
Por mim as viagens faziam-se todas a pé, por caminhos de algodão...


Tuesday, 28 May 2013

Uma lição de vida


Nunca comam um prato de sopa cheio de ananás até à borda.
Enquanto dura sabe muito bem, mas depois deixa os dentes a doer e a língua cheia de aftas.

Tuesday, 21 May 2013

Resistir à tentação


Agora na reta final, quando praticamente só como maçãs, este mundo foi inundado pelo World Baking Day e respetivas fotografias e descrições de fazer crescer água na boca. Entretanto andei a decidir visualmente as sobremesas para o casamento e fiquei cheia de vontade de dar meia dúzia de trincas em cada uma delas.
O que me vale é que o frigorífico só está recheado de alfaces, tomates, maçãs, água das pedras e sumo de multifrutos, senão tornava-se complicado contrariar todos estes impulsos gastronómicos.
 

Friday, 15 February 2013

Tomei o brinco


Sabem aquelas situações em que têm um copo de água na mão esquerda e o telemóvel na mão direita e é este que levam à boca, por engano, quando têm sede, após o que exclamam, divertidos "Ia beber o telemóvel em vez da água!"?
Pois a mim aconteceu-me isso. Mas não me fiquei pelo ia...
Mesmo prestes a sair de casa, passei na mesinha de cabeceira e, com uma mão, peguei num comprimido da pílula, com a outra peguei num brinco. Dei um golo de água, mandei o comprimido para dentro da boca, engoli-o e pensei "seria engraçado se tivesse bebido o brinco em vez da pílula".
Foi então que abri a outra mão e encontrei lá pousadinho o comprimido à espera de ser tomado.
Passei a manhã com a sensação de ter alguma coisa presa na garganta, que espero não se tratar do brilhante do brinco ou da parte de trás de silicone. Seria bastante traumático se a coisa não saísse facilmente...

Monday, 17 December 2012

Foi assim que aconteceu


Fazer desporto enquanto se veem dois episódios seguidos de How I met your mother, ainda que repetidos, é coisa para dar mau resultado. Um dia ainda deixo cair um haltere em cima do pé, ou faço uma contratura nos abdominais.

Wednesday, 12 December 2012

Dona de casa desesperada

Passei o dia de ontem todo com dores na perna sem saber porquê.
Só à noite, já deitada, é que me lembrei que talvez se devesse ao facto de, quando andei a aspirar a casa, ter puxado o aspirador com tanta força que este veio embater violentamente na minha canela.

Friday, 16 November 2012

O que conta é a intenção


Não há como ficar indiferente à manobra publicitária que hoje alia o jornal Metro a uma marca de champôs. Entendo a ideia de perfumar as ruas, as estações de metro e as pessoas com o aroma a pêssego artificial. Mas passar o dia a snifar doce desde que, logo pela manhã, pus os pés fora de casa, é coisa para me dar a volta ao estômago.

Friday, 7 September 2012

Acidente de percurso


Se há uns tempos, ir de férias significava uma longa temporada de wakeboard, este ano foi o regresso de férias que trouxe o regresso à minha adorada prancha cor-de-rosa. Depois de três semanas a dedicar-me apenas a caminhadas e ténis, era extremamente aliciante voltar a fazer algo ainda mais emocionante.
E foi, claro, especialmente na minha última volta, já depois de ter pensado em sair (coisa que deveria ter feito), em que, tal como já tinha feito uma data de vezes antes, fui à box (isto é uma box). E não, não faço nada de especial: subo, deslizo e desço com um mini-saltinho.
A questão desta vez é que caí para a direita e para evitar bater lá com a cara, não sei como, consegui defender-me com o braço. Uma queda muito violenta que podia ter-me obrigado a deixar uns quantos dentes presos ao lodo deixou-me apenas um bocado de musgo nas unhas e uma surpresa enorme por não me doer absolutamente nada (vá, só um bocadinho o braço que tinha corrido o risco de se partir).
Isso pensava eu... Quando cheguei a casa e tirei o bikini, que ia protegido por um colete bastante acolchoado, descobri que estava rasgado e que lhe faltava o enchimento de um dos lados (aquela coisa almofadada que impede que não se veja tudo à transparência). Tinha-o comprado na primavera deste ano, ficava-me bem e era super giro. Juro que preferi ter ficado com o braço ao ombro.
A parte mais estranha disto tudo é que há cerca de duas semanas sonhei com uma queda precisamente assim. Ok, acabava um bocadinho pior, com tendões rasgados e tal, mas ainda assim, qual é a probabilidade?

Thursday, 10 May 2012

Se ela não estivesse presa ao pescoço...


Entrei no metro com um destino muito diferente do habitual e logo no início da viagem achei que estava na direção errada. Levei atrás de mim o casaco, o saco e a carteira e fui verificar as linhas todas e os respetivos destinos. Pareceu-me estar tudo bem, pelo que voltei, com as minhas tralhas atrás, a sentar-me no lugar.
Entretanto a carruagem foi esvaziando e umas paragens mais à frente voltei a fazer o mesmo: pegar na mercadoria e ir verificar a linha em que estava, mas desta vez achei que alguma coisa estava errada, pelo que decidi sair. Fiquei um bocado revoltada quando me dirigi para a porta e esta estava já a fechar. Ainda tentei carregar no botãozinho, mas ela não voltou atrás.
Achei que o melhor era voltar a sentar-me e esperar pela estação seguinte. Eis senão quando vejo a minha carteira pousadinha no banco em que eu tinha estado.
Ia tendo um ataque de pânico e pus-me a imaginar as piores situações que teriam acontecido se aquelas portinhas não tivessem sido tão mazinhas e não se tivessem fechado na minha cara.
Já é a segunda vez em que quase que deixo uma carteira no metro, e no verão passado deixei-a mesmo a passar a noite no chão da receção do hotel.
Não sei o que tenho na cabeça, mas memória não é de certeza.

Sunday, 6 May 2012

Gaguez momentânea


Depois da minha aventura automobilística debaixo de uma chuva torrencial e no meio de um trânsito brutal, cheguei ao Ikea a tremer por todos os lados e um bocado trôpega mental e fisicamente. A minha missão era simples: pedir as ferragens que faltavam à minha cómoda, pegar nelas e vir embora. Fácil.
Dirigi-me à rapariga que estava atrás do balcão e disse-lhe:
- Bla bla, comprei uma cómoda, bla bla faltam as ferramentas. Não são ferramentas, são as fe... fe... fe...
- Ferragens? 
- Isso...
Senti-me um bocadinho parva, mas prossegui:
- E, claro, faltam os parafusos equivalentes. Não, não é equivalentes. É correspetivos.
- Correspondentes? - Voltou a perguntar a rapariga.
Isso...
A esta altura, mais do que parva, sentia-me ignorante e com vontade de me enfiar por um buraco no chão. Ainda ponderei a possibilidade de explicar à rapariga por que é que o meu pensamento estava tão atordoado, mas cheguei à conclusão de que só ia humilhar-me mais, pelo que evitei falar mais do que o estritamente necessário.

Tuesday, 10 April 2012

Não tentem isto em casa!


Depois de estudar afincadamente e durante longos meses vários vídeos sobre o tema, decidi experimentar cortar as pontas do meu cabelo em casa. Cabelo quase ainda a pingar todo penteado para a frente, juntá-lo como num rabo de cavalo baixo, tesoura na mão e cortar tudo ao mesmo nível.
Na teoria é uma ação muito simples, os cabeleireiros fazem-na todos os dias, várias vezes e em cabelos diferentes, mas quando é alguém completamente inapto para a coisa, como eu, e quando se trata de alterar o comprimento do próprio cabelo, a situação torna-se complicada.
Escolhi fazê-lo sofrer apenas uns milímetros a que dei umas ligeiras facadinhas. Caíram uns mini montinhos de cabelo que se seguravam facilmente entre dois dedos e desisti.
A vantagem de ter um cabelo tão comprido e tão ondulado como o meu é que qualquer defeito não se nota. Ainda assim, tomei a decisão de o entregar às mãos competentes de uma profissional, já no sábado.