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Thursday, 30 October 2014

Bater o pé

Às vezes saber-me-ia bem chegar à hora de jantar e dar o dia de trabalho por terminado. Hoje, quarta-feira à noite, tenho a sensação de que a semana acabou de começar quando, na verdade, está mais perto de acabar.
Tenho sono.
Vou fazer birra.

Não vou nada: vou trabalhar.

Friday, 6 December 2013

Peça de um puzzle



Tenho uma utopia já desde há alguns anos. Talvez tenha sonhado com ela, talvez a tenha apenas criado durante a adolescência quando me sentia uma incompreendida, talvez ainda precise dela de vez em quando. O que é certo é que penso muitas vezes em como seria ter alguém cem por cento compatível comigo; alguém que pensasse da mesma maneira que eu, que alinhasse nas minhas loucuras, que me deixasse deprimir quando é preciso, que não me julgue quando como de mais nem quando como de menos, que se ria das minhas piadas sem que tenha de explicá-las, que sinta tudo como eu.
De cada vez que partilho esta ideia com alguém, dizem-me sempre que seria uma monotonia, nem precisaríamos de interagir. Mas às vezes saber-me-ia bem este conforto.
No entanto, há um fenómeno na minha vida, transversal às suas várias etapas, que contradiz isto em absoluto: nunca fui muito capaz de me relacionar com pessoas da mesma área de estudos/trabalho que a minha. Para distanciar um pouco mais a identificação, dou-me maioritariamente com gente mais velha. Basta-me olhar à minha volta para me surgirem logo vários exemplos que o corroboram.
Quando comecei a trabalhar nesta empresa, com colegas equivalentes a mim, achei que seria, naturalmente, com eles que me daria mais, com quem partilharia experiências de estudo e trabalho, sobretudo por trabalharmos na mesma sala e por conhecermos as mesmas pessoas. Contudo, o que constato agora é que, por uma sucessão encadeada de enormes acasos, dei por mim a dar-me e a identificar-me cada vez mais com um grupo de gente que trabalha na outra ponta da empresa, numa área que em nada coincide com a minha e, para que o hábito não seja desonrado, tem pelo menos mais quatro anos do que eu.
O mais incrível é que, com tantas diferenças, com um fosso de idades que até podia tornar-se relevante, tendo em conta o estado da vida de algumas daquelas pessoas quando comparado com o da minha, sinto-me perfeitamente encaixada no meio deles, como se tivessem estado à minha espera e, ao ver-me, me tivessem puxado enquanto diziam "ah, cá estás, finalmente; ficas aqui, neste cantinho da imagem".
Não estou muito habituada a pertencer a algo, assim, logo à partida. E é essa uma das razões que me fazem encarar esta nova fase que acabou de começar com um ânimo que, de outra forma, não teria.

Tuesday, 5 November 2013

Bom dia!


Estou a adorar este outono.
Não me custa nada acordar (confesso que daria de bom grado mais meia hora do meu dia à cama), sabe-me bem vestir a roupa cuidadosamente escolhida na véspera, sair de casa bem cedinho, não apanhar quase trânsito nenhum, ouvir a chuva lá fora e música cá dentro (ou asmr, porque me desconcentro facilmente com letras cantadas) enquanto faço aquilo de que gosto.
Todos os dias são uma alegria. Já pareço uma criança a seguir ao Natal, quando tem uma montanha de brinquedos novos para estrear. Mas têm-me dito que sou muito efusiva com pequenas coisas da vida. E é tão bom acordar todos os dias assim!


Thursday, 7 February 2013

As primazias da vida adulta

Já ouvi inúmeras vezes dizer que a melhor fase da vida de uma pessoa é a passada na faculdade e acredito que para algumas pessoas até seja assim. No entanto, de acordo com a minha experiência, só se diverte mesmo muito quem ou não se preocupa com ir às aulas, faz noitadas de farra e só se lembra de acabar o curso quando já toda a gente que entrou no mesmo ano está a trabalhar ou, e não é uma hipótese nada má, quem tem uma facilidade imensa de compreensão e memorização que praticamente não precisa de sessões de estudo.
Com isto não digo que não tenha tido uma boa vida universitária, que tive, mas não dentro da faculdade propriamente dita, não com as pessoas que por lá andavam. Aliás, tudo o que foi bom nessa etapa da minha vida deveu-se e deve-se ao meu ano de Erasmus.
Compreendo que trabalhar seja mais cansativo, já que não se pode decidir faltar porque está um dia muito frio e só se está bem debaixo de mantas, ou porque está tanto calor que mais vale aproveitar umas horas na praia. Sei que procurar trabalho é das coisas mais angustiantes, frustrantes e desgastantes que uma pessoa tem de fazer. Mas também sei que nada compensa a liberdade de chegar a casa ao fim do dia e deixar o trabalho para trás de modo a fazerem-se coisas mais relaxantes; nada compensa acordar cedo, sim, mas chegar ao fim do mês com uma conta mais recheada, em vez de andar a esvaziá-la para podermos estudar; nada compensa os fins de semana livres para passeios, viagens ou horas dedicadas a não fazer nada porque não há exames, não há notas, não há trabalhos para fazer.
E quem diz isto é uma pessoa que trabalha em dois sítios diferentes, sem contar com o trabalho freelance que faz em casa. Mas nada compensa parar de dedicar a vida exclusivamente a preparar um futuro para passar, também, a vivê-lo, que é precisamente o que estou a fazer desde que saí da faculdade.

Wednesday, 2 January 2013

Recomeçar

Por aqui regressa-se, ou tenta regressar-se, à normalidade, que implica acordar cedo, deitar antes das seis da manhã... e das três, de preferência, fazer desporto todos os dias (até ao casamento não pode haver abébias, especialmente quando tenho outro casamento antes do meu), comer pouco e saudável e beber muito chá para desintoxicar do pecado que é o mês de dezembro e, por fim, voltar ao trabalho.
Confesso que as férias me souberam a muito pouco, embora tenham sido duas semanas, não só porque andei sempre de casa em casa e de convite em convite, mas também porque todos os dias choveu trabalho. Mas esta vida de deboche tinha de acabar mais cedo ou mais tarde, por isso vamos lá!

Saturday, 24 November 2012

Logo à noite...


Lembro-me de andar no secundário e, depois, na faculdade e ter de acordar bastante cedo para estar nas aulas às 8h30. Como não gosto de chegar atrasada e normalmente até chego sempre alguns minutos mais cedo, acabava por acordar ainda mais cedo do que o necessário e todas as manhãs pensava no final desse dia, quando pudesse voltar para a cama.
Entretanto, há muito tempo que já não pensava assim... até esta semana começar. Cumprir prazos às vezes implica deitar mais tarde e acordar mais cedo, sem dedicar o tempo normal reservado para o lazer, por isso passei os últimos dias em frente ao computador, nos tempos livres, para conseguir acabar o projeto que me foi atribuído no Domingo e a pensar, quando o despertador tocava, só quero que chegue logo à noite.
E finalmente é fim de semana, o projeto foi entregue e amanhã posso dormir até não ter sono e lançar as preocupações para trás das costas quando for passear e não fazer nada.

Wednesday, 10 October 2012

Conversas ao pequeno-almoço


Eu, cheia de sono: - Não gosto de trabalhar de manhã. 

Passado um tempo, durante o qual refleti na quantidade de sono que tenho, eu outra vez: - Quer dizer, preferia trabalhar de manhã e não ter nada para fazer de tarde.

Ele, cheio de razão: - Mas tu dizes que não gostas de trabalhar de manhã...

Eu: - Pois, é que eu não gosto de trabalhar de manhã nem de tarde.

Thursday, 4 October 2012

Contradições


Embora muito preguiçosa, fui, sem dúvida, feita para trabalhar e para ser útil. Gosto mil vezes mais dos dias em que saio de casa de manhã cedo, me despeço dele na estação de metro em que vai cada um para seu sentido, e volto a casa ao final da tarde, depois de ter dado o meu contributo à sociedade do que daqueles em que não me dedico a fazer absolutamente nada.
Se gosto dos dias passados os dois juntos e mais ninguém, a namorar e a conversar? Adoro. Mas sentir-me-ia inútil e, de certo modo, vazia, se fizesse disso o meu dia a dia.
Estranhamente completa-me poder sentir saudades dele porque estamos a trabalhar.

Wednesday, 5 September 2012

Malas


Estes primeiros dias de setembro passam sempre a correr. Teoricamente ainda estou de férias, mas já me fartei e trabalhar, de ir aqui e ali tratar de assuntos pendentes e hoje vai tudo repetir-se.
O que continua com ar de férias é a minha mala que, como sempre, está tal e qual como quando a pousei no chão do quarto. Tirando algumas peças de roupa interior e a bolsa da bijuteria, está lá dentro um mar de roupa (só a lavada, que o resto já foi para a máquina) que me vai dar algum trabalho e roubar bastante tempo a arrumar.
Acho que só quando vim de Londres é que arrumei a mala no próprio dia. Por norma, deixo-a enrijecer algum tempo, só para me ir oferecendo um cheirinho do que resta das férias.
Não sou desarrumada nem preguiçosa: só saudosista.

Monday, 21 May 2012

Pedido ao público

Ando há algum tempo à procura de informação sobre o voluntariado efetuado no Haiti, aquando do terramoto de 2010. Alguém conhece quem tenha ido ou quem saiba dar-me algumas noções do que foi feito no terreno e das burocracias que tiveram de ser tratadas antes da partida e durante a estadia lá?
Agradecia imenso imenso se puderem dizer-me alguma coisa para o e-mail (petitpainauchocolat.blog@gmail.com).

Tuesday, 15 May 2012

Positivismo precisa-se


Normalmente tenho uma visão muito positiva, às vezes algo utópica, sobre o meu futuro, numa perspetiva a longo prazo. Acho sempre que uma pequena oportunidade vai transformar-se exatamente naquilo que quero para a minha vida e idealizo cenários que, sem um golpe de sorte extrema, não se tornam realidade de um dia para o outro. Talvez por isso exija bastante de mim, dos outros e dos projetos em que me envolvo.
Isto poderia resultar em sucessivas desilusões se essa minha ilusória perceção não se fosse alterando à medida que o longo prazo se aproxima e se torna curto. É aí que começo a pensar que talvez não esteja pronta para aquilo, que provavelmente haveria gente melhor para o cargo ou que as responsabilidades que me atribuíram são demasiadas. Com a aproximação da data de início, as dúvidas aumentam, questiono-me constantemente e nem toda a preparação do mundo me deixa descansada.
É assim que estou agora, na véspera de um novo começo. Passei a manhã a imprimir coisas para estudar, porque sei que vou um bocado em branco quanto aos objetivos que esperam que cumpra, mas ando a saltar entre o entusiasmo e a auto-repreensão.

Wednesday, 18 April 2012

Novos caminhos


Sempre gostei de ter um projeto em mãos, de acordar e ter um objetivo definido para cumprir e de ter a cabeça constantemente ocupada com algo construtivo. Neste momento estou a desenvolver um romance cujo primeiro parágrafo escrevi no dia um de janeiro deste ano, precisamente sobre as resoluções de ano novo, com o intuito de o transformar num conto. No entanto, olhando para aquelas palavras e para a ideia que transmitiam, achei que tinha potencial para se tornar nalguma coisa mais complexa, mais elaborada.
Apesar de não ter um emprego a tempo inteiro, habituei-me à minha nova e agradável rotina, dominada pelo desporto e pela escrita. Passo as tardes em frente ao computador, com uma manta a tapar-me a mim e ao aquecedor ligado e vou vivendo uma história que não é minha, mas que depende inteiramente de mim para acontecer.
À noite deito-me a pensar no capítulo seguinte, sorrio e adormeço com vontade de que amanheça rapidamente, porque, numa outra dimensão, há um grupo de personagens que precisa da minha cabeça e das minhas mãos para seguir em frente.

Monday, 9 April 2012

Sweet monday


Para aqueles que regressam ao trabalho e para os que nunca o deixaram.
Boa semana!

Friday, 16 March 2012

Orientação vocacional: enfermeira

Esta semana tem sido inteiramente dedicada à enfermagem do meu doente particular. Nada de brincadeiras marotas, tudo muito inocente.
Eu compro-lhe medicamentos, levo-o ao médico, faço-lhe trinta refeições de dieta, mudo-lhe a cama e por aí fora até cair redonda no puf, completamente estafada de, para além disso, ter de tratar das coisas normais de uma casa.
Talvez seja exatamente isto (eu sei: e muito mais) que um enfermeiro a sério faz todos os dias, às vezes em turnos longuíssimos. Mas se eu apenas fiz isto durante sete dias, com uma pessoa que amo e não morri de amores pelas tarefas, era impensável dedicar a minha vida, o meu dia-a-dia a tratar de pessoas que não conheço e que não me dizem absolutamente nada.
A partir de agora sou uma defensora acérrima da classe dos enfermeiros e da próxima vez que ouvir alguém dizer Oh, coitada, é enfermeira. Queria ser médica mas não chegou lá, sou a primeira a cerrar os punhos e a pô-los em riste.

Friday, 9 March 2012

E agora?

Este semi-desemprego em que estou, está a revelar-se uma etapa bastante aborrecida. Se, por um lado, posso dedicar-me a algumas atividades para as quais não teria tanto tempo se tivesse um emprego fixo, por outro, quando acabo um trabalho e enquanto espero pelo seguinte (o que, normalmente, demora cerca de um mês), começo a desesperar e a alterar o meu humor para perigoso.
Podia ter-me esforçado para gostar de uma outra área sem ser a minha, uma que desse mais certezas de um futuro profissional, mas a verdade é que a minha vocação sempre me esteve predestinada e gosto demasiado daquilo que vou fazendo/espero vir a fazer a tempo inteiro para me dar o desprazer de conjeturar e se eu fosse economista?; e se eu fosse médica?
Ainda assim, não deixa de ser frustrante ter estudado tantos anos com um objetivo em mente e acabar por ficar em banho-maria, à espera dos melhores tempos que toda a gente promete.

Monday, 20 February 2012

Sweet monday

Para aqueles cuja semana vai ter só quatro dias e para os outros, os que têm de seguir à risca o novo calendário do governo.

Boa semana!

Monday, 13 February 2012

Sweet monday


Para os constipados e para os sortudos que escaparam a um ir e vir de febre, aos comprimidos, aos chás, às mantinhas quentes e a uma dependência de pacotes de lenços.

Boa semana!



Friday, 10 February 2012

Chá do fim da tarde

Sabe extremamente bem receber uma visita inesperada para beber chá ao fim da tarde, quando passei (e ainda estou a passar) o dia inteiro a trabalhar, a tentar evitar não ter de mexer uma palha no fim-de-semana.
É que só assim tirei os olhos do computador, ainda que por escassos minutos.

Monday, 6 February 2012

Sweet monday


Para todos os que trabalham dentro ou fora de casa, que saem tarde ou cedo. Para os que se queixam de sair da cama porque está frio e para os que gostam de sair da cama porque está frio.
Boa semana!

Friday, 30 December 2011

Au revoir, 2011

Este é o último dia útil de 2011, por isso vou tratar de fazer imensas coisas úteis, que passam por acabar um projeto e terminam, no final de um dia muito ocupado, em algumas compras nos saldos.
Se 2012 for tão ocupado como hoje, adivinha-se um ano em cheio!