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Wednesday, 13 March 2013

Emigração


Num ano em que dois* aniversários de amigos são celebrados à distância não há margem para dúvidas de que o rumo a tomar tende para a emigração. Eu para lá caminho, também, e é algo que quero muito fazer desde que fiz Erasmus. Quero voltar a sentir a excitação de aterrar num país novo, de gente conhecida e recheado de oportunidades, e começar a desenhar a minha história numa folha nova, acabada de sair da embalagem. E, pouco a pouco, ir decorando caminhos, adquirindo rotinas, travando novas amizades e conhecendo gente de vista e de nome, escolher um café e um supermercado de eleição, eleger as marcas e os produtos que melhor satisfazem as minhas necessidades, estabelecer comparações entre o meu país de origem e o meu país de acolhimento e saber viver com as diferenças.
Bem sei que nada é como a aventura de Erasmus, especialmente quando a vida de estudante ganhou novas responsabilidades e deu lugar ao mundo do trabalho, pelo que não estou colada a essa imagem utópica da realidade. Mas é um passo que, mais cedo ou mais tarde, vou dar no meu caminho. E, desta vez, vai ser mais fácil ainda porque vai ser dado inteiramente a dois.

* só porque os outros conseguiram estar cá nessas alturas

Thursday, 7 March 2013

Primeiros passos nisto do casamento 17 - as alianças


Queríamos uma argola de ouro simples, pequena e discreta sem esses frufrus de diamantes, pedrinhas ou ondinhas que andam na moda e que me cansariam ao fim de dois meses. Encontrei-as sozinha, em outubro, completamente por acaso, e apaixonei-me por elas. Em fevereiro levei o meu namorado até Braga para as ver ao vivo, deixámo-las a gravar e a acetinar (tirar o brilho e dar-lhes um ar mais gasto) e recebêmo-las ontem. Adoro-as e não me farto de olhar para elas, imaginando o momento em que passaremos a usá-las sem nunca mais as tirarmos do dedo.
Já mencionei que connosco tem sido quase tudo à primeira, sem grandes stresses, e sei que isso tem ajudado muito a que este seja um processo divertido e não um preparativo chato que nunca mais acaba. Este foi apenas mais um exemplo de amor à primeira vista.
Deixo apenas uma sugestão para quem estiver à procura de alianças, ou mesmo de anéis de noivado: optem (ou pelo menos experimentem) pelos modelos amendoados, pois não têm arestas, logo não magoam nem marcam os dedos e têm um toque muito mais suave. Já o meu anel de noivado é assim, por isso não me magoa, mesmo usando-o todos os dias.

Monday, 12 November 2012

Bebés


Passei a noite de sábado com um bebé de quatro meses ao colo, a palrar com ele, a rir-me com os sorrisos e as gargalhadas dele, a limpar-lhe o bolsado e a apertá-lo nos meus braços com vontade de o trazer para casa comigo. E quando pousei o bebé no colo do meu namorado e ele se aninhou perfeitamente... derreti-me.
Como era de esperar, toda a gente que passava por mim me perguntava se eu estava em estágio e se já estou pronta. Respondi sempre que não, que para já vamos casar e só daqui a três ou quatro anos é que encomendamos as crianças: uma menina, um menino e uma menina. Tudo com calma, um passo de cada vez. Iam-me respondendo que não devo ter pressa, que a liberdade acaba, que a vida muda completamente e que nunca mais volta a ser o que era, porque as preocupações multiplicam-se, as noites deixam de ser bem dormidas e passamos a ter responsabilidades que não podemos descurar.
Sei disso tudo, mas se pudesse tinha já um. Nada me agrada mais do que imaginar como será ter nos meus braços o primeiro fruto do meu amor, com o cabelo perfeito dele, o sorriso simpático dele, o humor agradável dele, e vê-lo crescer, tornar-se numa boa pessoa, grande (só se sair ao pai), bonita, simpática e inteligente de quem me orgulharei, de certeza.
Era só ter condições para isso e engravidava já este ano.

Monday, 29 October 2012

Primeiros passos nisto do casamento (9) - a ementa


Ontem à noite voltámos à quinta (que já funciona quase como a nossa segunda casa, de tanto lá irmos) para vermos a decoração de um casamento que seria nos tons que eu quero para o meu e aproveitámos para fazer a degustação de seis - S E I S - pratos diferentes: três de peixe e três de carne.
Já me tinham dito e eu já tinha lido que o catering da quinta é dos melhores deste mundo e do outro, mas a verdade é que até ontem nunca tinha provado nada que me permitisse fazer qualquer juízo de valor. Só sabia que o dono é extremamente simpático e atencioso.
Um vinho verde branco bem docinho, como se quer, veio acompanhar a pescada com algas e camarões envolta em massa folhada, o arroz de tamboril com gambas e o bacalhau à lagareiro com batatas a murro recheadas com migas.
Um vinho tinto do Douro fez-nos companhia enquanto provávamos um lombo de boi com castanhas, o tão afamado bife wellington e uma posta de cabrito que até não era má mas a que só consegui roubar uma pequena garfada de tão cheia que estava.
Tenho a dizer que, de facto, os boatos são verdadeiros e a comida está a um nível elevado e digno de alguém que, como eu, gosta de comer. E a noite foi de uma utilidade extrema porque a ementa ficou escolhida e não corresponde às escolhas que tinha feito olhando apenas para o papel.
Um dia destes há-de vir a degustação dos doces, mas preciso de deixar algum tempo porque ainda estou a ressacar os salgados.
Para comemorar este facto histórico, enfiámo-nos na Rota do Chá a beber (eu) um celebration e a conversar com um dos padrinhos.
Quem diz que planear um casamento é muito stressante não sabe aproveitar as coisas boas da vida.

Thursday, 18 October 2012

Primeiros passos nisto do casamento (8) - decoração


Para animar a rotina de uma semana de trabalho (e porque há coisas que têm de ser feitas senão o casamento vai mesmo sem festa), passámos duas horinhas entre o final da tarde e a hora de jantar na quinta onde iremos dizer que sim, chorar, dar muitos beijinhos, beber e dançar muito, a ver, uma vez mais, opções de decoração.
Uma vez que quero usar duas cores (uma neutra e outra forte) para decorar a sala, o problema principal reside nos fantasmas, vulgo capas das cadeiras, que não podem ser em preto, em castanho nem em vermelho, as únicas cores existentes na quinta. Mexe cadeira daqui, desaperta laço de organza, arrasta mesa, pousa copo alto com vela, enfia vela na taça baixa, experimenta com e sem espelho por baixo, imagina flores que não estão presentes, acende luzes, apaga luzes, tira fotografia, anota ideias e a coisa está feita porque a fome já aperta e a paciência começa a esgotar-se.
Sou uma pessoa muito imaginativa na escrita, mas em termos de trabalhos manuais sou um zero à esquerda e as minhas últimas experiências levam-me sempre a imaginar o cenário mais piroso e a dizer logo um não redondo enquanto não vir nada em concreto.
Ficou agendada mais uma visita no final do mês durante um casamento para ver as várias hipóteses de decoração e tentar decidir alguma coisa: pétalas? flores inteiras? ramo? velas grande? velas pequenas? velas grandes e pequenas?
Até lá vou passar numa exponoivos em Gondomar e tentar tirar ideias para dar mais sugestões à senhora que daqui a nada não me atura com tantas questões.
Apenas uma ideia ficou assente: nada de fogo de artifício. Que me perdoem as fãs, mas abomino aquilo, especialmente porque morro de medo de ser alvejada por um foguete em fuga.


Thursday, 20 September 2012

Primeiros passos nisto do casamento (6) - a data


Há quatro anos e tal, quando eu e o meu amor começámos a dar beijinhos e a andar de mãos dadas, assumi que éramos namorados. Pois acontece que algum tempo depois ele me levou a passear pelas margens do rio da nossa cidade e, num recanto escuro (agora que penso nisso até pode ser um local bastante propenso a crimes, que ninguém passa por lá, não se vê nada e tem acesso direto às águas profundas), desceu um degrau para ficar da minha altura e perguntou-me se queria namorar com ele.
Derreti-me, disse que sim e cá estamos.
Ainda assim, celebramos o nosso aniversário de namoro no dia em que começámos a namorar e não no dia em que ele fez este gesto tão romântico (a verdade é que às vezes até nos esquecemos dele).
Quando começámos esta saga, eu queria casar em setembro, porque está quentinho e já deixei de parecer um fantasma transparente, mas não pode ser. Queria, então, o dia 9 de junho, porque embora seja um domingo, acaba por ser como um sábado, porque para o ano o dia seguinte vai ser feriado e assim celebrávamos o nosso aniversário de casamento sempre na véspera de um feriado. Também não pode ser.
Decidimo-nos, então, por um dia muito bonito, que até fica muito bem no papel, naquela quinta por que nos apaixonámos mal a vimos.
Pois então apercebi-me há pouco tempo de que vamos casar no dia em que fui pedida em namoro. Lá vou eu, precisamente cinco anos depois, voltar a dizer que sim.

Wednesday, 19 September 2012

Escrever com o coração


Desde que sou pequena, assim que aprendi a escrever, que tenho comigo um ou vários cadernos onde vou escrevendo o que me vem à cabeça. Às vezes isso origina um conto e outras vezes desenvolvo um pouco mais, mas neste segundo caso acabo sempre a meio, desisto porque a ideia deixa de parecer original e soa a algo demasiado banal para ter o potencial suficiente para ser terminado.
Neste verão, enquanto ia e vinha da casa de banho para a caravana sozinha e entregue aos meus pensamentos, decidi anotar por escrito tudo aquilo de que me lembrava e agora, menos de dois meses depois, tenho uma história de que gosto e que me apaixona.
Um dia, quem sabe, ainda saberão o meu verdadeiro nome.

Tuesday, 3 July 2012

Primeiros passos nisto do casamento (2) - experimentar vestidos


Comecei hoje a minha investida pelo mundo dos vestidos de noiva e vi coisas tão, mas tão pirosas que não consigo imaginar alguém a voluntariar-se para passar um dia inteiro com aquilo vestido.
Para além disso, a primeira coisa que me fizeram foi enfiar-me um saiote de arame e tule para pôr por baixo dos vestidos. E a primeira coisa que eu fiz foi tirá-la, depois de ver que ficava a parecer um cupcake de baunilha.
O primeiro vestido que vesti emocionou-me um bocadinho, apesar de não ser aquilo que eu queria, mas rapidamente a sessão passou a ser mais natural do que estranha.
E gostei de ver-me ao espelho.

Saturday, 30 June 2012

Anda a ser tudo à primeira


O noivo foi escolhido à primeira.
Apaixonei-me pelo primeiro vestido que vi.
Hoje fui visitar a primeira quinta e apetece-me não procurar mais nenhuma e ficar já com esta.
E não estou nada stressada, por isso não é devido à pressão. Se for tudo assim, tenho o casamento pronto antes do Natal.

Saturday, 23 June 2012

A minha cronologia


Há doze anos apaixonei-me pelo filho de uma professora minha. Escrevia o meu nome com os apelidos dele e achava que combinavam perfeitamente, especialmente porque ele era uma pessoa muito simpática, muito correta e que me tratava amorosamente, apesar de nunca como eu queria.
Três anos depois cresci, entrei para o secundário e perdi-me de amores por um bad boy não muito bonito (agora que penso nisso à distância acho, até, que tinha ar de sujo), algo convencido, bastante inteligente mas daqueles que não sabem aproveitar a inteligência que lhes foi oferecida e, para variar, era um querido comigo, mas andei anos à espera do beijinho que nunca chegou.
Há quatro anos mandei-me para Erasmus, perdi-me de amores apaixonantes pela minha outra cidade e pelo homem da minha vida, que conheci lá. 
Quatro anos depois metemo-nos num avião rumo a Londres e ele levou, em segredo, uma caixinha no bolso. Ajoelhou-se, estendeu-me a caixinha com um anel lindo e pediu-me para casar com ele num bocadinho de tarde soalheira no Hyde Park, no meio da relva, sem ninguém à volta.
Eu disse que sim e sinto-me a mulher mais feliz do mundo.

Monday, 21 May 2012

Pedido ao público

Ando há algum tempo à procura de informação sobre o voluntariado efetuado no Haiti, aquando do terramoto de 2010. Alguém conhece quem tenha ido ou quem saiba dar-me algumas noções do que foi feito no terreno e das burocracias que tiveram de ser tratadas antes da partida e durante a estadia lá?
Agradecia imenso imenso se puderem dizer-me alguma coisa para o e-mail (petitpainauchocolat.blog@gmail.com).

Tuesday, 15 May 2012

Positivismo precisa-se


Normalmente tenho uma visão muito positiva, às vezes algo utópica, sobre o meu futuro, numa perspetiva a longo prazo. Acho sempre que uma pequena oportunidade vai transformar-se exatamente naquilo que quero para a minha vida e idealizo cenários que, sem um golpe de sorte extrema, não se tornam realidade de um dia para o outro. Talvez por isso exija bastante de mim, dos outros e dos projetos em que me envolvo.
Isto poderia resultar em sucessivas desilusões se essa minha ilusória perceção não se fosse alterando à medida que o longo prazo se aproxima e se torna curto. É aí que começo a pensar que talvez não esteja pronta para aquilo, que provavelmente haveria gente melhor para o cargo ou que as responsabilidades que me atribuíram são demasiadas. Com a aproximação da data de início, as dúvidas aumentam, questiono-me constantemente e nem toda a preparação do mundo me deixa descansada.
É assim que estou agora, na véspera de um novo começo. Passei a manhã a imprimir coisas para estudar, porque sei que vou um bocado em branco quanto aos objetivos que esperam que cumpra, mas ando a saltar entre o entusiasmo e a auto-repreensão.

Wednesday, 18 April 2012

Novos caminhos


Sempre gostei de ter um projeto em mãos, de acordar e ter um objetivo definido para cumprir e de ter a cabeça constantemente ocupada com algo construtivo. Neste momento estou a desenvolver um romance cujo primeiro parágrafo escrevi no dia um de janeiro deste ano, precisamente sobre as resoluções de ano novo, com o intuito de o transformar num conto. No entanto, olhando para aquelas palavras e para a ideia que transmitiam, achei que tinha potencial para se tornar nalguma coisa mais complexa, mais elaborada.
Apesar de não ter um emprego a tempo inteiro, habituei-me à minha nova e agradável rotina, dominada pelo desporto e pela escrita. Passo as tardes em frente ao computador, com uma manta a tapar-me a mim e ao aquecedor ligado e vou vivendo uma história que não é minha, mas que depende inteiramente de mim para acontecer.
À noite deito-me a pensar no capítulo seguinte, sorrio e adormeço com vontade de que amanheça rapidamente, porque, numa outra dimensão, há um grupo de personagens que precisa da minha cabeça e das minhas mãos para seguir em frente.