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Saturday, 23 August 2014

Coisas de que gosto mesmo muito / Things I really really like

Da luz alaranjada de final de tarde que entra no meu quarto no verão.
Acordar antes do despertador porque esgotei o sono, abrir as janelas porque a casa está quente e pôr a Lorde a cantar alto enquanto arrumo a casa do rescaldo de um programa com algumas das pessoas de quem mais gosto, antes de me arranjar para programas com algumas das pessoas de quem mais gosto.
Receber uma mensagem de alguém que está longe, mas que sabe que estou aqui deste lado à espera de notícias.
Traduzir os meus próprios textos.



Sunday, 17 August 2014

Reconstrução

Ontem, sem intenção, repeti algo extremamente simples que fiz na semana em que regressei a Portugal, precisamente com as mesmas duas pessoas que o fizeram comigo nessa altura: ir às compras para um jantar com amigos.
Lembro-me de, naquele dia, andar pelos corredores do supermercado tipo zombie, de nó na garganta, dores de cabeça de tentar conter as lágrimas e estômago revoltado pela ansiedade extrema em que me encontrava. Sentia-me um caco, um pedaço de nada sem absolutamente valor nenhum. O mundo tinha acabado de me cair aos pés e o tapete tinha-lhe saído de baixo (bem, aqueles clichés típicos de quem se desilude com as expectativas e as pessoas). O jantar, que podia ter sido mesmo divertido, foi passado em auto-comiseração, à espera de uma palavra de alento, de um mimo que fosse. Enfim, distraí-me a pensar no que podia ser em vez de aproveitar o que tinha ali mesmo à minha frente e que era tão bom.
Passaram-se sensivelmente dois meses, que têm sido longe de formidáveis (lágrimas, muitas lágrimas, desespero, dúvidas, confusão, auto-estima a arrastar-se pelas ruas da amargura, enfim, esses clichés de quem estava no topo do mundo e caiu até cá abaixo; emaranhados com momentos de euforia de quem acha que supera tudo num piscar de olhos - estalar de dedos não, que não sei fazer disso), e dei por mim a andar novamente naqueles corredores com uma lista de compras na mão, a sorrir, a conversar e entusiasmada com o jantar dessa noite. Não estava eufórica, não foi uma sensação momentânea acabada à noite, sozinha na cama, quando já toda a gente tinha ido embora, e substituída, uma vez mais, pelo nó na garganta, as lágrimas a queimar e o estômago às voltas (na verdade até estava, mas por razões de exageros gastronómicos). Não. Algo em mim mudou durante a semana que acabou e me fez arrancar a auto-estima do alcatrão quente para a pousar numa prateleira longe dos sapatos que queiram pisá-la. Encontrei (alerta cliché) as rédeas da minha vida, peguei-lhes e percebi que é bastante mais fácil domá-la do que aquilo que me parecia.
Estou partida, talvez até desfeita em pedacinhos. Mas acho que há uma cola para isso. Chama-se tempo e paciência, não só meus mas também daquelas pessoas que foram ficando, mesmo quando não gostavam do que viam; dos grilos falantes da minha vida.
Não sei quanto tempo demora o processo de reconstrução, mas sei que já começou.

Wednesday, 11 June 2014

Hey, Soul Sister

Não sei como nem com que frequência é que isto acontece, mas às vezes temos uma sorte tremenda com os passos que damos. Às vezes a vida vai-nos acontecendo e faz-nos cruzar com aquela pessoa à procura de quem andamos a vida toda sem o sabermos. Não contamos com isso, não o esperamos, e simplesmente encontramos a pessoa ao lado de quem pertencemos, com quem tivemos uma conexão imediata tão forte que, ao fim de pouco tempo, damos por nós a partilhar com ela pensamentos sem sequer abrir a boca.
As relações constroem-se com trabalho, tempo, paciência e dedicação, mas algumas são mais espontâneas do que outras, surgem tão naturalmente que podemos olhar para aquela pessoa e ter a sensação de que a conhecemos desde sempre.



I know when we collided you're the one I have decided who's one of my kind.


Monday, 12 May 2014

Despedidas / Saying goodbye

Comecei a manhã de hoje a meter as primeiras roupas na mala e o nó que já tenho na garganta nos últimos dias intensificou-se, enchendo-me os olhos de lágrimas que forcei a ficarem no lugar porque já chega disso. Ainda não consegui desfazê-lo, cá continua, aliado a um bater do coração forte como nunca o ouvi e a um aperto no estômago que diz que por aqui já não passa mais alimento nenhum.
Como é que me despeço das pessoas que vou deixar indefinidamente? Até já? Não te esqueças de mim? Vai dando notícias? Não te esqueças de mim? Vai visitar-me? Não te esqueças de mim?
À boa maneira portuguesa, vamo-nos reunindo à volta de mesas cheias de boa comida, com música à mistura, vamos dizendo piadas e falando do assunto como se estivesse ainda a uns meses de distância.
Estava, é verdade. Há uns tempos. Entretanto o tempo voou e dentro de seis dias mudo de país e deixo cá uma grande parte de mim.
Não sei como vou despedir-me, mas o raio das lágrimas continua a querer vencer-me.

Monday, 14 April 2014

E se o mundo acabasse amanhã? / What if tomorrow never comes?



Às vezes ponho-me a pensar no que faria se me dissessem que o mundo, pelo menos o meu, ia acabar amanhã. Nada disso das teorias mayas ou chinesas, mas a sério; que hoje era o meu último dia aqui e que amanhã já cá não estaria para beijar, comer, cheirar, beber, ouvir, falar, ver absolutamente mais nada.
Penso nisso pelo menos uma vez por ano, quando calha, só porque sim, e imagino-me em dois lugares distintos: a minha casa, esta que tem sido minha nos últimos cinco anos, ou na Baixa, junto à Praça de Lisboa. Quanto ao resto, sei o que faria: montaria uma mesa em tons de cor de rosa, que rechearia com tudo aquilo que gosto de comer e de beber, para que pudesse matar antecipadamente as saudades; poria uma lista das músicas de que mais gosto a dar e, claro, juntaria à minha volta as minhas pessoas. Não seriam muitas. Entre dez e vinte, porque são essas que cabem em mim.
Esse exercício, embora em parte deprimente, é bom para perceber quem me é realmente importante, os sentimentos que nutro por cada uma dessas pessoas e o que gostaria de lhes dizer.
Não é fácil fazê-lo, mas acabo sempre por, no dia seguinte, o mais tardar, abrir a boca ou uma janela de um qualquer chat e debitar tudo o que me vai cá dentro.
De vez em quando faz bem darmo-nos o prazer de nos darmos conta do quanto gostamos e do quanto somos gostados.

Wednesday, 9 April 2014

Sensações estranhas / Weird feelings

Na minha vida não há espaço para muita gente. Nem sequer há muita disposição para deixar entrar qualquer um, uma vez que é um processo longo, por vezes doloroso e assustador, o de abrir as portas, mostrar o que sou, aquilo em que penso, aquilo de que gosto e de que não gosto.
Há pessoas que entram, tomam café e vão embora. Cruzamo-nos mais uma vez ou outra, às vezes até todos os dias, mas não passa disso mesmo: de um cruzamento superficial durante o qual sou, até, capaz de contar que tenho um novo trabalho, que me dói a barriga ou que gostava de ir a Cabo Verde.
Uma vez ou outra, essas passagens temporárias vão-se tornando mais permanentes, vou mostrando um bocadinho mais de mim, vou gostando um bocadinho mais e o superficial torna-se profundo. Não é com facilidade que deixo alguém para além de mim ver todas as minhas cores, incluindo o negro, não é com leveza que deixo que o simpatizar evolua para o gostar e, quem sabe, gostar a sério, tanto que quero a outra pessoa para sempre na minha vida.
Não gosto de toda a gente da mesma maneira, porque há pessoas de quem gosto, há outras de quem gosto muito e outras de quem gosto mesmo muito, como se fossem parte de mim. E é dessas que me está a custar imaginar, sequer, separar-me.
Decidi que não quero mais disso: vou ficar-me por quem tenho agora, isolar-me na minha ilha das amizades e não deixar entrar mais ninguém, para não ter de deixar sair mais ninguém.

Wednesday, 26 March 2014

Auto-retrato / Self-portrait (6)


You will be shocked kids, when you discover how easy it is in life to part ways with people forever. That's why, when you find someone you want to keep around, you do something about it.


(How I met your mother, s9 e21)

Sunday, 23 March 2014

Gosto de ti / I like you


A minha tia perdeu o pai, que era o meu avô, pouco depois de casar. Tanto quanto sei, no dia do casamento, ele disse-lhe algo como Já posso morrer em paz, já tenho todas as filhas casadas. Uns dias mais tarde, estava ela em lua de mel, um enfarte matou-o, deixou sete filhos, vários netos e uma mulher.
Eu era bebé, não tenho qualquer memória dele, nem sei sequer se nos daríamos bem. Ouço histórias, porque toda a gente fala do meu avô Vasco com admiração, todos gostam de o gabar, família ou não, e conheço-lhe, de certa forma, a personalidade e a mentalidade de alguém mais velho, fiel ao seu tempo.
No dia do pai, essa minha tia recomendou-me que estimasse o meu enquanto o tiver, que tem remorsos de não ter feito mais pelo dela.
Custa-me verbalizar o quanto gosto de alguém. Para dizer a verdade, custa-me a primeira vez em que o faço porque, a partir daí não paro. Gosto de dizer ou escrever gosto de ti / amo-te vezes sem conta, para ter a certeza de que a mensagem foi recebida. Gosto de distribuir beijos, abraços e mensagens de bom dia e boa noite. Gosto de prestar atenção e tentar ajudar quem puder, no que puder.
Talvez venha da minha mania de sofrer por antecipação e de prever que o bom vai acabar, mas tento viver ao máximo ao lado das minhas pessoas enquanto as tiver. Nem sempre lhes digo o quanto gosto delas, mas faço por estimá-las, como me pediu a minha tia, para que se/quando o bom acabar, não haja remorsos nem dúvidas de que gostei, mesmo que agora possa não gostar nem um bocadinho.

Wednesday, 19 March 2014

Gestos que importariam / Gestures that would matter


Pensava gostar linearmente das pessoas: este é o meu melhor amigo, este é o meu amigo para sair à noite, esta é a minha amiga para conversas femininas e estes são os colegas de trabalho. Tudo compartimentado, as pessoas separadas por categorias e quantidades de gostar e o caso ficava assim resolvido, sem ser preciso pensar muito.
Havia aqueles por quem fazia tudo, aqueles por quem só fazia uma parte e aqueles por quem não fazia quase nada. Era assim que faria sentido.
Até que a minha irmã me perguntou se alguma vez seria capaz de vender ou doar óvulos (conversas por que se passa numa sexta feira à noite em frente a uma taça de salada gigante e a uma garrafa de vinho bom). Nunca tinha pensado nisso, tenho de admitir, mas à partida diria que não. Vender era impensável, porque não dou um filho em troca de mil euros que sejam. Não corro o risco de cruzar-me com um filho na rua, de receber um filho em casa que me é apresentado como o namorado do meu filho legítimo em troca de algum dinheiro que me faça jeito para ir ao supermercado num mês.
Fiquei a pensar no doar. Não me parece uma questão fácil de ponderar, mas agora, neste momento, ocorrem-me três pessoas (duas delas parte de casais) por quem o faria num piscar de olhos, não só pelo facto de não correr os riscos acima expostos, mas pela quantidade de gostar que sinto por elas.
Não almejo, não anseio pelo dia em que me peçam "dá-me um filho meio teu", mas gostei de me aperceber da importância que certas pessoas têm para mim a partir de uma pergunta atirada meio ao calhas.

Thursday, 13 March 2014

Parabéns! / Happy birthday

Uma das pessoas de que mais gosto faz hoje anos. Lembro-me, coisa rara em mim, do dia/noite em que o conheci, no Plano b, quando tinha começado a namorar há cerca de dois meses. Estava à espera, obviamente, de conhecer os amigos do meu namorado, só não estava à espera de gostar tanto dele(s). Foi assim que entrou, meio do nada, na minha vida, e por cá ficou, já sem leviandade nenhuma. Aliás, fiz e faço questão de dizer a quem me quiser ouvir que, se tudo correr bem e se ele aceitar, será o padrinho do meu primeiro filho, porque se só tiver um, quero que seja o padrinho do meu único filho.
Foi o primeiro de todos a migrar para o sul e tem uma casa tão fofa, tão confortável, que a adotei como a minha segunda casa.
Fiz e faço questão de dizer, a ele e a quem me quiser ouvir também, que é uma das minhas pessoas favoritas no mundo. E é por isso que sinto um certo orgulho em olhar para trás e pensar que tenho a sorte de este ser o sexto aniversário dele em que eu estou presente, mesmo à distância.
Parabéns!

Sunday, 23 February 2014

Dia auto-cenas / Self-day


Andava há uma semana para me meter no carro e conduzir-me até uma marginal: Foz, Matosinhos, Leça, tanto faz. De noite ou de dia, também tanto fazia, desde que tivesse música no carro.
O sol de ontem ajudou-me a decidir: depois de fazer uma arrumação profunda à roupa e aos sapatos espalhados pela casa, pus os óculos escuros, liguei o rádio e deixei-me ir até Matosinhos, onde me sentei junto aos prédios onde um dia ainda irei viver, a ler banda desenhada e a sentir as pernas, a cabeça e a cara serem relativamente queimadas.
Acabado o livro, sentei-me com os sapatos enfiados na areia, virada para o mar, a reunir em mim tantas coisas que me fazem sorrir.
Vi o pôr-do-sol ao sabor de uma Coca-cola e de uma boa conversa, marcando assim o fim do meu auto-dia, que continuou acompanhado no feminino com um frio de tremer a boca, ainda mais refrescado por duas Somersby.
A noite acabou num abraço apertado, cheio de saudades, repleto de memórias reconfortantes.
São dias assim, em que olho à volta e sinto ou vejo a presença de uma grande parte das pessoas de quem gosto, que me garantem que, por mais complicada que a vida possa ser de vez em quando, as outras quando em vezes compensam tudo.

(Mais fotografias depois da versão inglesa)





Tuesday, 18 February 2014

Rotinas / Routines


Sou uma pessoa de rotinas. Gosto, aliás, preciso de saber com o que contar no dia a dia e na vida. Planeio as minhas semanas, os meus meses, os meus anos e o meu futuro com uma antecedência louca e é por isso que me é confortável saber o que vou fazer e a que horas. Quando perco o autocarro e atraso a minha hora de entrada, começo mal o dia, o que só é compensado pelo meu café a meio da manhã com as pessoas do costume, por volta da mesma hora. À tarde gosto de ter mais uns minutos de conversa e risos, tal como quando logo depois de chegar a casa o meu telefone toca e sei que é a minha irmã a pedir conversa.
São rotinas que, de uma maneira ou de outra, se foram instalando na minha vida e que nada têm de conotação negativa. Pelo contrário, anseio por elas e quando elas chegam, sorrio com o conforto da habituação.

Monday, 17 February 2014

Amizade para sempre / Friendship never ends

Quando uma pessoa está carente, acabou de comer uma tablete de chocolate branco assim como quem não quer a coisa, está imbuída do espírito valentiniano e diz à não melhor amiga "gosto tanto de ti que te amo", está à espera de que ela responda tudo menos "ca nojoooo!".

Thursday, 13 February 2014

Dias diferentes / Wonderful days

O fim de semana passado foi inteiramente dedicado a ser mimada. A tarde de sábado foi de risos e de descobertas embaraçosas, enquanto que a noite me permitiu descobrir que, afinal, talvez existam mesmo almas-gémeas, pessoas que, de pensamentos tão iguais e vivências tão semelhantes, parecem irmãs.
No domingo fiz o tão ansiado furo na orelha, com a minha irmã, passei a tarde a engordar no Mercado do Bom Sucesso e a noite a engordar em casa dela e do namorado, que se desdobraram em atenções para que não me sentisse abandonada.
Apesar da Stephany (que me manteve acordada à noite com a barulheira toda), fiz uma viagem espetacular dentro de um BMW de 81, igual àquele em que tantas vezes andei quando era miúda. Apercebi-me de que já não sou assim tão criança quando a antigamente maravilhosa sensação de andar sem cintos no carro deu lugar à sensação de insegurança.

A verdade é que podia estar aqui a deprimir, a sentir-me infeliz e auto-comiseração, mas, de um momento para o outro, vi-me rodeada de gente simpática que, por qualquer razão, se preocupa e importa comigo. Não me posso queixar de solidão e tenho de admitir que, de vez em quando, me vem uma lagrimita ao olho de tanta comoção.




Last weekend was all about being spoiled. Saturday afternoon I laughed really hard and made some awkward discoveries about myself, while the evening made me figure out that, maybe, there are really soul mates, i.e., people with thoughts and life experiences so similar that they could be sisters.
Sunday, with my sister, I pierced my ear, at last, and I spent the afternoon getting fat at Mercado do Bom Sucesso and the evening getting fat at hers and her boyfriend's house, who made everything they could not to let me feel abandoned.
Despite of Stephany keeping me awake at night, I had an awesome trip inside an 81 BMW, just like the one I used to ride in when I was a little girl. I figured out I'm not a child anymore when the wonderful feeling of riding a car with no seatbelts was replaced with the weird feeling of insecurity.

Truth being told, I could be getting depressed, unhappy and selfpity. Instead, I found myself surrounded by nice people that, for some reason, cares about me. I can't complain about loneliness at all and, actually, I have to admit that, sometimes, all this good emotions make me tear up a bit.


Saturday, 25 January 2014

Casinha / Home outside

Tenho uma amiga migrante em Lisboa que vem cá todos os fins de semana e outra que emigrou ontem para o país de onde tinha imigrado há vinte anos. Encontrámo-nos, um pouco por acaso, no sábado passado para matar saudades e fazermos uma pequena despedida.
Não estava um dia especialmente bonito, até porque a chuva decidiu não dar tréguas, mas surgiu-me logo a ideia da Casinha (andava há já algum tempo com vontade de provar as bolachas XL cheias de bom aspeto de lá). Há algo ali que me faz sentir bem, não sei se o aroma das bebidas e dos doces misturados, se a decoração muito minimalista em tons de branco, mas a verdade é que é um dos poucos sítios onde me sabe bem sentar e ir ficando, até olhar para o relógio e decidir que não dá mesmo para adiar a partida.
Já começava a superar a perda da Boulangerie de Paris e agora acho que, finalmente, voltei a encontrar uma sala de estar fora de casa.



I have a migrant friend living and Lisbon, who comes to Porto every weekend, and another one who just emigrated to the country she left twenty years ago. So, last Saturday, we met a little bit by chance to get back together and to say a short goodbye (no one likes farewells very much).
It wans't a very nice day, specially since the rain was pouring down, but I came up with the idea of Casinha (I had been craving their extra large and deliciously looking cookies). Something in that place makes me feel good, maybe the flavour of the drinks and the pastries, maybe the minimalist decor in tones of white. I just know it is a place where I like to sit down, relax, and just let time pass until I look at the time and decide I really have to go.
I finnaly have a living room outside home.


Sunday, 22 December 2013

Jantar de Natal em família

Pertenço a várias famílias, todas elas interligadas, de uma maneira ou de outra. Tenho aquela no seio da qual nasci, que inclui os meus pais, os meus irmãos e a minha irmã e, agora, a minha cunhada e o meu marido. Tenho ainda a família mais alargada, que engloba os avós, os tios e os primos. Tenho a que construí só com ele, a que mais me orgulha porque é fruto da nossa vontade diária, só nós os dois. Tenho, desde antes ainda do casamento, a dele, dos pais, do irmão, dos imensos tios e primos. E tenho, também, a dos nossos amigos que, longe ou perto, estão sempre presentes quando é preciso.
Ultimamente já quase não sobram elementos na nossa cidade original, alguns emigraram dentro do país, outros para fora e ainda há mais a planear fazê-lo. No entanto, há um dia por ano, pelo menos, que nos obrigamos a passar juntos. Não é um dia fixo, escolhemo-lo de acordo com as disponibilidades de cada um, mas é um acontecimento que surgiu por acaso e agora tem uma importância inquestionável para cada um de nós.
Todos os anos fazemos um jantar de Natal em família, onde não podem faltar as melhores caipiroskas do mundo e arredores, as velas, as músicas de Natal, as fotografias e as gargalhadas intermináveis.
Hoje, uma vez mais, juntamo-nos porque tivemos a sorte de, algures, a vida nos ter juntado assim.

Monday, 16 December 2013

Sou bastante incapaz de andar com as unhas por arranjar - uma mania que me ficou dos verões passados com a minha prima, cujas unhas estavam sempre impecáveis. Embora não seja uma compradora compulsiva de nada, os vernizes, mais do que roupas, carteiras ou sapatos, são a minha perdição, porque há sempre uma tonalidade diferente, um acabamento inovador que ainda não tenho e a minha coleção lá vai crescendo e acumulando uma paleta de cores muito próxima do completo.
Ultimamente essa mania tem-se alargado a batons. Sempre usei lipgloss, mas nunca me duravam muito tempo nos lábios porque acabavam sempre colados aos cabelos. E, vá-se lá saber porquê, os dias em que pintava os lábios eram sempre ventosos. Até que descobri a magia dos batons, essa maravilha que basta aplicar uma vez de manhã e sobrevivem a beijos, a comida e a bebida.
Portanto, quando tive diante de mim a oportunidade de escolher uma qualquer prenda de anos, foi este saquinho que elegi para a minha não melhor amiga me dar.




Durante os próximos tempos não me posso queixar.

Sunday, 10 November 2013

Não melhor amiga


Tenho uma grande amiga (não uma melhor amiga, porque decidi que ia deixar-me dessa designação) com quem comecei com o pé errado. Não a descobri por mim mesma, não a desencantei algures numa das minhas atividades ou numa das instituições de ensino onde andei. Foi-me trazida pelo meu marido, na altura namorado, por ser uma parte dele. Era e ainda é a melhor amiga dele (porque a ele não o incomoda essa designação).
Depois de lidar com crises de ciúmes por parte das namoradas de um grande amigo meu, prometi a mim mesma que quando tivesse um namorado não teria ciúmes das amigas dele, porque, na verdade, isso não faz sentido nenhum. Não se esclarecermos tudo logo no ponto de partida.
Mas, quando o momento chegou, deparei-me com uma rapariga gira, interessante, inteligente e com um humor mais parecido com o dele do que o meu. E a inconsciência dos ciúmes apoderou-se de mim.
Anos mais tarde, não sei como é que evoluímos para o que temos agora: passamos os fins de semana juntos, de manhã à noite, como se fôssemos uma pequena família; compramos e cozinhamos o jantar a meias; ela vai ao frigorífico e serve-se daquilo que quer; adormecemos os três no sofá a ver um filme desinteressante ou jogamos qualquer coisa até altas horas da noite.
Uma vez mais, não me lembro de como chegámos até aqui. Tenho ideia de ter cumprido uma parte da minha promessa e de não ter feito por afastá-la, de termos conversado muito (a melhor receita para qualquer problema) e de passarmos cada vez mais tempo juntas. Sem o prever, aquela rapariga intimidadora é, agora, uma das únicas pessoas a quem mostro todos os meus lados, a quem digo tudo aquilo que penso e de quem ouço tudo, com quem partilho disparates engraçados mas, na maioria, sem a piada pretendida surtir efeito.
Custou-me imenso quando esteve emigrada do outro lado do oceano (obrigada, senhor Skype) e custar-me-á imenso, talvez ainda mais, quando voltarmos a separar-nos, mais tarde ou mais cedo. Mas algo me diz, ao contrário daquilo que ela pensa, que dificilmente iremos deixar de ter isto que existe entre nós: uma não melhor amizade.
Há quem diga que é complicado fazer amigos a partir da idade adulta. Eu afirmo que é mentira.

Saturday, 31 August 2013

Conversas ao almoço


Estávamos a almoçar com um casal amigo que nos tinha perguntado a que horas acordáramos. Responde ele:

- Eu acordei antes dela (eu) e fiquei a brincar com o tablet.

Eu concordei:

- Pois, eu acordei contigo a mexer no coiso.

Imediatamente desatei a rir, sobretudo para permitir que todos os outros se rissem também.

Tuesday, 18 June 2013

We are family (II)


Quando andava na escola havia sempre aquela tendência e necessidade extrema de encontrar uma amiga que fosse melhor amiga e de quem fosse, também, a melhor amiga. Não sejamos hipócritas: não era a única. E esse era um patamar altíssimo do domínio das amizades, o título que qualquer pessoa queria merecer, porque ser amigo era fácil. Melhor amigo já não.
Entretanto fui-me apercebendo de que as amizades do colégio ou da escola não cresciam comigo ou eu não crescia com elas e deixei uma data de melhores amigas para trás à medida que me fui tornando na pessoa que sou hoje. Foi então que compreendi que quanto mais vida vivemos mais difícil é fazer amigos daqueles que ficam, que não viram costas nem dizem adeus de ano para ano porque se cansaram ou porque seguimos vidas diferentes, mas também percebi que muito melhor do que ter um montão de amigos e uma única melhor amiga é ter um pequeno grupo de melhores amigos, tal como o que eu tenho.
Bom é poder referir cada um dos meus melhores amigos e senti-los parte de mim, sentir cá dentro algo forte que não me deixa duvidar de que as amizades adultas são mais maduras, mesmo as que sobreviveram à infância e à adolescência, porque perduraram. E só nas amizades maduras é que sentimos plenamente orgulho dos nossos amigos, tentamos combater a tristeza deles e ficamos eufóricos com a alegria que os vemos viver.
Já não sou criança, mas ainda sabe bem ouvir as minhas melhores amigas referirem-se a mim como a melhor amiga delas, não porque ainda tenha aquela tendência ou necessidade extrema de poder ter alguém que me chame assim, mas porque é bom ter essa confirmação. É como um amo-te que os amigos não dizem, mas que os casais não se cansam de dizer.
Nem sempre sei expressar exatamente aquilo que sinto, porque costumo assumir que não é preciso. Não sou perita em escrever declarações nas redes sociais e, normalmente, o máximo que consigo é mandar uma mensagem comovida a dizer gosto de ti ou adoro-te. Mas hoje, ao ver as fotografias de um dia tão único e tão importante, não consegui deixar de sentir a vontade de voltar a ser criança e de dizer és uma das minhas melhores amigas. Com tudo o que isso significa.