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Thursday, 2 October 2014

How to look on the awesome side of life

Vai fazer praticamente um ano que escrevi isto:

Não sei se a felicidade é um destino, um caminho ou simplesmente uma maneira de encarar a vida. Só sei que seja o que for, neste momento tenho-a ao máximo. Claro que, insatisfeita que sou, aceitava de bom grado muitas coisas que a complementariam, como uma gatinha para me fazer companhia quando chego a casa... Também sei que, mais tarde ou mais cedo, posso revisitar este meu estado de espírito eufórico e pensar mal eu sabia.
Mas prefiro não pensar nessa eventualidade. Não para já quando três dias numa só semana já chegaram para várias voltas alucinantes no carrossel louco da vida.
Tudo corre bem.

Hoje escrevo: mal eu sabia, de facto.
Chegar ao fim de uma história que me deixou sem nada tem-me tirado as forças. Dormir é a melhor parte do dia, mas é também algo complicado de fazer quando se tem a cabeça completamente ocupada e o coração perdido e despedaçado.

No dia em que penso que não se pode bater mais no fundo, em que as coisas até começam a endireitar-se e a prometer correr bem, há qualquer coisa de estranho que me acontece e que, se numa situação normal me faria rir, neste momento aterroriza-me ante a possibilidade de poder acabar esquartejada numa qualquer rua da cidade sem que ninguém me encontre. 
É verdade que ninguém me manda ficar fora de casa até quase à uma da manhã de um dia de semana, mas foi isso que aconteceu ontem. Sou crescidinha, pensei. Nada de mal pode acontecer.
Lugar à porta de casa é mentira, pelo que parei o carro em frente a uma garagem e enfiei as tralhas dentro do prédio sob o olhar atento (creepy?) e os comentários de um homem na paragem de autocarro.
Entrei no carro e fui procurar um lugar. Descobri uma rua cheia deles, mas tive de parar exatamente em frente ao caixote de um sem abrigo, que saiu de lá de repente, pregando-me um susto de morte, e me gritou "boa noite, menina!".
Fiquei meia hora dentro do carro, mesmo mesmo em frente a ele, a tentar ganhar coragem para sair.

Hoje de manhã, de dia - com luz do dia é tudo mais fácil - cheguei ao carro confiante de que tinha sido apenas um susto sem repetição e dei com uma Vogue em cima do tejadilho do carro. Agradeci a ninguém e pu-la no chão.
Entrei no carro para vir embora e vi o sem-abrigo da véspera a correr rua acima e a dizer-me:
- Esta noite iam roubar-lhe o carro! Mas eu disse "o coreano não, leve antes o BMW".

Pisquei os olhos, agradeci-lhe.
Agora que estou a salvo, vou literalmente enrolar-me em posição fetal e chorar desalmadamente.

Wednesday, 13 August 2014

Free pass

Se há coisa que me custa aceitar é esta tendência que as pessoas têm de entrar e sair da minha vida de livre e espontânea vontade, como se tivessem um free pass para os sentimentos. Hoje gostam, fazem por estar, por conhecer, por dar atenção. Mas amanhã já estão cansadas, já dá trabalho, já não apetece continuar, porque o início é muito mais giro, a tentação é divertida, o perigo apimenta tudo.
Um dia vou inventar um manto de frieza com o qual me visto sempre que for tomar um café, ou jantar, ou ao cinema, ou simplesmente conversar com alguém. Só muito de vez em quando abro uma frecha, para ver no que dá. Se for intenso demais, o melhor é fechar novamente, voltar a tapar-me e deixar que os sentimentos sejam barrados pelo tecido.
Porque quando o sentimento acaba, o vazio é imenso.

Foto daqui / Picture from here


I cannot accept at all this tendency people have to come in and out of my life as they want, as if they had a free pass for feelings. Today they like, they make everything they can to be together, to get to know me, to pay attention. But tomorrow they are tired of it, it takes a lot of work, the willing to carry on fades away, because in the beginning everything is so much funnier, the temptation is amusing, the danger is spicy.
One day I will make a coldness cloak that I will wear anytime I go out for a coffee, a dinner, a movie or a conversation with someone else. I will only allow me to open it rarely, just to see what comes of it. If it's too intense, I will close it again, wrap it around myself and let the feelings to be blocked by the fabric.
Because once the feeling is gone, the emptiness is too deep.

Sunday, 3 August 2014

Constatações infelizes da vida / Unfortunate truths

Mesmo que tivesse corpo para ser modelo, nunca poderia sê-lo: de uma maneira ou de outra tenho sempre as pernas todas negras...



Even if I had a top model body, I could never be one: somehow I manage to always have my legs full of bruises.

Tuesday, 15 July 2014

Suicídio

Não entendo o suicídio. Não percebo o que leva alguém a dar por esgotadas as opções e pôr um fim definitivo a tudo, para passar a ser nada, uma memória, uma vaga lembrança de quem por cá passou.
Há uns anos tive um colega que, com vinte e cinco anos, se viu perante um desgosto amoroso incontornável e premiu o gatilho contra a cabeça, na mesma casa em que dormiam o irmão e a mãe. Desde esse momento, ele deixou de existir, deixou uma vida no início por viver, uma família destroçada, uma ex-namorada culpada e, sobretudo, deixou que a potencial felicidade fosse derrotada pela infelicidade momentânea.
Tantos desfechos que aquela história podia ter tido...
Sei que não sou modelo para ninguém, mas já dei por mim em encruzilhadas irresolúveis, já soube o que é amar e isso não chegar, já me senti sozinha no mundo, já passei dias com um nó na garganta e um vazio no estômago tão grandes que cheguei a pensar "deve ser em momentos assim que as pessoas se suicidam". E nem assim isso me pareceu uma solução viável, até porque pouco tempo depois há fins de dia como o meu de hoje, em que uma conversa, uma perspetiva de futuro, a curto ou a longo prazo, uma ideia, uma sensação familiar, um conforto de alguém de quem se gosta se unem para abrir um novo caminho. Ou até o mesmo de antes, mas com um novo olhar. Um olhar sem sangue, sem fim.

Thursday, 20 March 2014

Sensações desagradáveis / Terrible feelings

Haver alguém a fazer-me sentir terrivelmente mal por algo que estou a fazer bem. Fico incomodada para o resto do dia.

Sunday, 19 January 2014

Espírito crítico

Nas últimas semanas, a praxe tem sido um tema de conversa recorrente e, tal como muitos temas polémicos, arrasta fundamentalismos de quem a defende e de quem a repele acerrimamente.
A minha experiência com a praxe foi para esquecer. Ia com uma ideia interessante do que aquilo seria, imaginava um conjunto de atividades divertidas que nos guiavam na entrada no ensino superior e que nos ajudavam a estabelecer laços de amizade com gente que nunca na vida tínhamos visto e que ia partilhar os nossos dias durante os próximos anos, que, no entanto, se revelou o oposto: uma seca, sem piada nenhuma e cheia de humilhações.
Um dos princípios da praxe parece-me muito bom: somos todos iguais, não há ricos, pobres, inteligentes, burros, bonitos ou feios. Mas nunca se levado ao extremo, porque, na verdade, não somos todos iguais. Lembro-me de ter uma colega a lutar contra o cancro no pulmão e, no meio de uma data de gente que ela não conhecia, um idiota qualquer que se achava dono de um poder absurdo, perguntou-lhe se ela estava bem. Após ela ter assegurado que sim, ele atirou-lhe com um por mim até podias cair aí para o lado, que eu não me importo.
Tentaram fazer-me ver que ele só disse isso porque na praxe não pode haver preocupações, um doutor não pode preocupar-se com um caloiro. Em certa medida, compreendo essa ideia, mas uma coisa é seguir as regras da praxe, a outra é ser-se um bronco sem capacidade de discernimento.
Deixei de ir à praxe depois de assistir a cenas absurdas, de recusar sessões porque tinha aulas e tentarem obrigar-me a faltar, depois de não concordar minimamente com a praxe do meu curso e da minha faculdade, nem com o seguir cego e ignorante de todas as regras levadas ao extremo. No entanto, sei que há, noutras faculdades, praxes interessantes, feitas por gente normal, sem abusos de um poder imaginário. Sem o culto da burrice.
Mas o que me tem incomodado sobretudo é que, perante uma associação inevitável da história do Meco à praxe, haja sempre alguém que diga, sem pensar duas vezes, que as pessoas não são obrigadas a nada e que só fazem aquilo que querem.
Não é verdade e ao longo dos anos tem havido imensos casos que o comprovam. É impossível esquecer a força que tem a vontade do grupo, o facto de uma pessoa ser posta à frente de uma multidão e forçada a fazer qualquer coisa que não quer. Não é fácil dizer que não, encarar os risos, o gozo, os comentários dos outros que, unidos, são muito mais fortes do que aquele indivíduo isolado que não quer ser ostracizado.
Seja na escola, na praxe ou no trabalho, uma pessoa não faz sempre aquilo que quer. E só acredita nisso quem nunca passou por uma situação em que quis dizer que não e teve de dizer que sim, ou em que um não lhe custou alguma coisa.

Thursday, 31 October 2013

A igreja e o estado

http://www.publico.pt/

Esta foi uma das coisas mais engraçadas que li nos últimos tempos.
Por coincidência, passei o fim de semana passado a falar no tema de religião, das crenças e da razão pela qual a maioria das crianças que anda em colégios religiosos (como foi o meu caso) quando de lá sai acaba por, mais tarde ou mais cedo, afastar-se destes princípios, por vezes até a um ponto de rutura.

Thursday, 27 June 2013

Questão científica


Ontem, enquanto punha gelo a fazer, comuniquei ao meu irmão, assim só por acaso, que a água quente congela mais rapidamente. Aquilo que eu pensei ser uma informação acessória atirada para o ar numa noite de calor acabou por ser o mote de uma quase revolução. Discutimos uns com os outros, embora todos concordássemos que não faz grande sentido, e fomos procurar à net, mas nada de explicação. Acho que o mundo anda todo na mesma onda que nós.
Ainda hoje o meu pai estava a pensar neste tema bicudo com um ar grave e preocupado.
Há por aí alguém que tenha um palpite?

Friday, 21 June 2013

Noroeste e os nomes bizarros


Esta tendência de os pais famosos terem a mania de serem criativos com os nomes da descendência vai ser uma das grandes razões da delinquência juvenil, quando os bebezinhos fofinhos de colo chegarem à escola e forem enxovalhados por toda a gente devido ao nome que lhes calhou na sorte. Já estava na altura de se reformularem as regras da imaginação parental e limitar as escolhas e combinações de nomes possíveis a dar aos recém-nascidos.
Qual é o problema dos tradicionais Maria, Catarina, Pedro ou Tomás? Querem mais rebuscadinho? Rodrigo, Matilde, Tomé ou Beatriz. Na loucura, Carlota ou Martim.
Daqui a uns anos vamos ter as pobres das Leyonces e North Wests deste mundo a desejarem chamar-se algo tão simples como Ana e Amy, só para terem o prazer de terem algo de normal nas suas vidas. Mas não, ficam presas à mãe e ao pai que têm, mais ao nome que, em conjunto, por unanimidade, as duas cabecinhas escolheram.

Sunday, 14 April 2013

Questão de identidade


Ando a portar-me mesmo muito bem quer em termos alimentares quer a nível de desporto, que só não faço três vezes por semana porque é mesmo impossível, e tal como acontece sempre que faço dieta dá-me para cozinhar mais do que o normal, mas para os outros, e não me custa mesmo nada resistir às tentações.
Para verem, ontem tive à minha frente, oferecidos, dois lanches mistos da Ribeiro quentinhos e não dei uma só trinca. Para além disso, nas duas últimas semanas os meus dois irmãos mais novos e a minha mãe fizeram anos e o único pedacinho de bolo que comi foi-me imposto. No entanto, houve uma coisa a que não resisti mesmo: quando vi uma garrafa de Bailey's à minha frente deitei um cubo de gelo no copo e enchi-o com o licor que bebi sem sentir nem uma ponta de remorsos.
O que será que isto diz de mim?

Wednesday, 10 April 2013

Compensação?


Talvez tenha nascido umas valentes décadas atrasada, porque todos os dias há pelo menos um sexagenário que prontamente me elogia em alta voz com um elaborado "que linda" ou um sofisticado "que riqueza!".
Acho que se fosse jovem há trinta anos atrás seria, certamente, um sucesso.
Isso ou os avós de hoje em dia são uns porcos perversos.
Escolho a primeira.

Tuesday, 5 March 2013

O que é nacional nem sempre é mau


A propósito do vídeo do Turismo que anda a ser criticado por todo o lado, só consigo dizer que fui vê-lo já de pé atrás devido aos comentários tão desagradáveis que tinha lido previamente, mas acabei por gostar mesmo muito e não consegui vê-lo na perspetiva das mulheres fáceis nem dos criados obedientes.
A meu ver, demonstra apenas as qualidades por que os portugueses são conhecidos: simpatia, bom acolhimento e vontade de fazer com que toda a gente se sinta bem e em casa.
São críticas assim e vontades de ver as coisas de uma forma tão negativa que estragam tudo. E somos nós, os de dentro, os que deviam valorizar o que de positivo se faz e se tem por cá, os primeiros a denegrir tudo. Só porque sim. Só porque é mais fácil e mais divertido.

Tuesday, 8 January 2013

Preconceito

Quando entrei para o mestrado identifiquei-me rapidamente com uma colega minha, cerca de 6 anos mais velha do que eu, com quem comecei a dar-me bem logo no início. A certa altura estávamos numa sala a estudar e eu que, no meu direito, tinha o facebook ligado à minha frente, ouço-a subitamente a perguntar, em êxtase, ao mesmo tempo que espreitava para o ecrã:
- És da família do X?
Durante uns instantes não percebi como é que ela conhecia um familiar meu e foi então que me lembrei que, por causa da profissão que tem, ele aparece regularmente na televisão. É algo que não me ocorre todos os dias, nem todos os meses e, embora tenha muito orgulho nele, não uso esse facto para impressionar ninguém.
Ela continuou:
- Eu adoro-o, ele é espetacular, é o meu ídolo. Adorava conhecê-lo e bla bla bla.
Em dezembro, quando fiz anos, convidei-a e a mais três ou quatro pessoas para virem jantar a minha casa. Nada de especial, tudo muito familiar. Ela perguntou-me o que é que eu queria que ela levasse e sugeri-lhe o doce de não sei o quê (oreo, talvez), de que ela estava sempre a falar.
Abri-lhe a porta, mostrei-lhe a casa, apresentei-lhe o meu namorado e a conversa foi bastante animada até que uma grande amiga minha chegou e me deu um telemóvel. Não desfazendo, não era um blackberry nem nada parecido e custou, no máximo, 20€.
Uns segundos depois recebo uma mensagem que dizia algo como:
«Olá babe, já cheguei, mas já estou arrependida de ter vindo.»
Estava à espera de uma amiga minha, por isso levei algum tempo até perceber que tinha sido a minha colega que me tinha mandado, por engano, a mensagem que era para o namorado.
Durante a noite toda fingi que nada se tinha passado e quando já toda a gente tinha ido embora ela disse-me:
- Estou tão envergonhada com aquela mensagem... É que tu és da família do X, os teus amigos dão-te telemóveis, tens imensa roupa (ela pediu-me para ver o meu armário) e a única coisa que eu te trouxe foi um doce.
Fiquei parva, mas lá lhe disse que tinha gostado imenso da sobremesa dela e que não tinha mal nenhum, que percebia que se tivesse sentido mal, embora não tivesse razões para isso.
Durante os meses que se seguiram tentei (quando nem sequer fui eu quem errou) fazê-la sentir-se bem ao meu lado, mostrando que não me acho superior nem nada. Pouco tempo depois, cortou relações comigo.

Já não foi a primeira vez que senti esse tipo de preconceito em relação a mim, vindo de gente que, não sei muito bem porquê, se sente intimidada ao meu lado pelo facto de eu sempre ter vivido no centro do Porto  ou por algo assim do género que não é propriamente mérito meu.
E é um bocado por causa de gente como esta que, quando conheço alguém, sou bastante desconfiada e demoro algum tempo até abrir um bocadinho da minha intimidade.

Monday, 26 November 2012

Telemarketing

Ando a ser atormentada por telefonemas do Barclaycard há quase dois anos. Já rejeitei algumas chamadas e já atendi outras dizendo que não estava interessada. Mas porquê?, perguntaram-me do outro lado. Com certeza que concorda que a nossa campanha é vantajosa... Respondi que não sabia e insisti em que não estava interessada.
Uns meses depois voltaram a ligar com a mesma conversa da treta. Respondi o mesmo, voltaram a ligar. Rejeitei chamada atrás de chamada até que finalmente atendi e pedi à senhora que parasse de me telefonar, que já estava farta da publicidade agressiva deles e que não estava nem nunca iria estar interessada num cartão de crédito do Barclaycard. Mas eu nunca tinha ligado para este número. É a primeira vez que ligo, responderam-me do outro lado. Retorqui que não era verdade e que já tinha recebido uma data de chamadas deles. Mas isso não fui eu. O que os meus colegas sabem não é comigo, foi a resposta da senhora muito bem formada.
Um par de meses depois, a história voltou a repetir-se. Já lá vai meio ano. Há alturas em que me ligam todos os dias três e quatro vezes seguidas. Já rejeitei chamadas, já atendi chamadas e não falei, já atendi chamadas e deixei-os a ouvir a sucessão das paragens do autocarro em que ia, voltei a rejeitar chamadas e eles continuam a ligar.
Não sei que raio de organização é aquela, mas é uma espécie de máfia do telemarketing que, não sei como, tem informações minhas que nunca lhes cedi.

Thursday, 8 November 2012

Abrir os olhos antes de abrir a boca

Deprimem-me (e não tenho paciência para) pessoas que só têm conversas típicas de taxistas ignorantes e alheados da realidade, uma vez que só emitem opiniões através de opiniões formuladas por outrem, seja sobre um livro, uma cidade, uma pessoa, ou sobre o país e qualquer decisão do governo.
Confesso que quando o Saramago recebeu o prémio Nobel, havia muita gente à minha volta que apregoava não gostar dele, porque escrevia mal e porque era português mas fugiu para Espanha e mais não sei o quê. Vai daí, assumi que também eu não tinha por que gostar dele. No entanto, um par de anos mais tarde, quando comecei a crescer, apercebi-me de que não havia qualquer fundamento para o meu juízo de valor, pelo que decidi ler o Todos os nomes e, a partir de então, passei a adorar a escrita do Saramago.
Hoje em dia convivo com imensa gente que ainda não cresceu nem percebeu que aquilo que os outros pensam não é obrigatoriamente aquilo que toda a gente tem de pensar. Nem todos temos de odiar Portugal, nem todos temos de jurar a pés juntos que aqui é que se está mal, que só (todos) os nossos governantes é que são incompetentes, que os portugueses são todos uns gatunos estúpidos e inocentes que não sabem fazer nada de jeito.
Orgulho-me de gostar do meu país, embora queira, a muito curto prazo, ir temporariamente viver para fora. Orgulho-me das coisas boas que se fazem aqui, dos feitos que alcançamos, das pessoas notáveis que temos, da nossa cultura e das nossas qualidades. E orgulho-me de não ter vergonha de o admitir para quem me quiser ouvir.
Não precisamos de ser uns patriotas acérrimos que defendem tudo o que se passa para cá da fronteira, mas um bocadinho mais de brio e de positivismo não fazia mal a ninguém.

Tuesday, 23 October 2012

Estabelecer prioridades


Cada pessoa tem direito a estabelecer as suas prioridades e ninguém tem nada com isso: não olho de lado quem passa fome durante um mês para poder comprar as novas calças de rabos grandes da Salsa nem julgo quem não vá nunca jantar fora para poder pagar a casa nova. No entanto, choca-me aperceber-me de que há quem ponha as suas prioridades à frente das dos seus filhos e vá todos os dias para o trabalho num carro decente e recente, enquanto o marido faz exatamente o mesmo, deixando que os filhos não possam continuar a tomar a medicação indicada por falta de dinheiro.
Repito que da sua vida cada um sabe, mas há injustiças que me deixam de boca aberta. E é por coisas destas que nem todos fomos feitos para ter filhos.

Monday, 23 July 2012

Holy cow!

Gostaria de perceber o que leva um tradutor a optar por Santa corvina! como equivalente português do Holy cow! enunciado pelo concorrente de um reality show.
Eu sei que nas legendas convém evitar os palavrões ao máximo mas, assim de repente, Caramba! ficava muito melhor.

Thursday, 12 July 2012

Wannabe


Nestas minhas mais recentes andanças confirmei uma ideia que já conhecia: a de que existem as celebridades e as pseudo-celebridades e wannabes. Mas acabei de descobrir uma das grandes diferenças que se fazem sentir na vida dos elementos de cada um dos grupos e de que nunca tinha ouvido falar.
Se as celebridades têm os casamentos oferecidos pelas mais diversas revistas, em troca de uma reportagem exclusiva, as wannabes deste nosso mundo pedincham às empresas de catering/quintas que lhes ofereçam o casamento e ainda lhes paguem por cima.
Não sei como é que há alguém que tem este tipo de lata, mas essas pessoas existem, sim. E chateiam-se se ouvem um não e sentem-se injustiçadas porque oh para mim, que sou tão importante e a minha família até é tão conhecida... seria um privilégio para ti pagares-me o casamento.
Mas fiquei contente por saber que há empresas que recusam e voltam a recusar essa troca, porque não faz sentido nenhum uma pessoa fazer o papel de bobo e ainda pagar para oferecer os seus serviços.

Thursday, 5 July 2012

Hun?

Não gosto de ter de explicar às pessoas que estou a ser irónica. Menos ainda gosto de quando digo um comentário irónico ou sarcástico e ficam a olhar para mim com ar de coitada desta, pifou e ninguém lhe disse nada.
Dá-me sempre a sensação que, do outro lado, está alguém com uma dose de inteligência abaixo da média.

Thursday, 21 June 2012

Modas estranhas


Numa carruagem de metro apinhada, o meu namorado olha muito curioso para uma asiática à minha frente e pergunta:
- O que é que se passa com os olhos dela? São mesmo esquisitos.
Eu respondo:
- Tem pestanas postiças.

Pestanas postiças estão, para mim, exatamente ao mesmo nível que as esferas de rouge vermelho vivo que as meninas fazem no meio das bochechas, quando brincam com a maquilhagem da mãe.