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Friday, 18 October 2013

Fosso de gerações


As gerações mais antigas, aquelas que têm agora entre os quarenta e os sessenta anos, gostam de empenhar o seu tempo a maldizer as gerações mais novas, desprovidas de educação e de formação, únicas responsáveis por todo o mal deste mundo.
Eu sou um membro de uma destas gerações mais recentes, destas que estão algures no meio da cronologia, sobre as quais recaem as críticas sábias dos mais velhos. Também eu sou testemunha de que num cruzamento entre novos e velhos, só os segundos se dirigem a mim não com simpatia, mas com comentários lascivos de fazer envergonhar qualquer pessoa que os ouça. Não tenho o hábito de responder. Em vez disso, olho para baixo ou para o lado e finjo que não ouço.
No entanto, há uns dias, ao chegar à passadeira cruzei-me com um senhor dos seus sessenta anos, com bom aspeto, que me falou:
- Olá, Maria.
Fiquei surpreendida, mas segui, até que voltei a ouvi-lo:
- Estás boa?
Só isto não tem problema quase nenhum, aparte tratar uma pessoa que não conhece de lado nenhum por tu. Mas foi o tom de voz, o mesmo dos trolhas que babam mal educadamente à porta de um café pelas raparigas que passam, desde que tenham rabo e pernas.
Virei-me para trás e perguntei-lhe:
- Isso era para mim? Conhece-me?
E o ar encavacado dele, apanhado e confrontado, deixou-me perceber que talvez as antigas gerações tenham ainda muito a aprender com as que tanto desdenham.

Sunday, 23 June 2013

Ginástica masculina

Ontem estive a ver a Taça do Mundo de ginástica artística, que está a decorrer em Portugal, na Anadia. Sempre gostei de ver as raparigas nas barras assimétricas e no solo, mas desta vez prestei atenção aos homens no cavalo e nas argolas. O cavalo com arções (que valeu uma medalha de bronze bem merecida ao português Gustavo Simões) é algo fascinante pela alterações de velocidades e pelo balanço que eles têm de ganhar para mandar as pernas pelo ar sem caírem nem bater em lado nenhum. Por outro lado, não entendo como há tantos homens a fazer aquilo sem acidentes maiores.
Mas o ponto alto foram as argolas e fiquei logo a perceber porque é que é uma modalidade exclusivamente masculina. Para além da força óbvia que já se imagina que é preciso ter para dar uma voltinha que seja naquilo, eles têm de manter cada posição um mínimo de dois segundos sem tremer nem deixar os cabos balançar. E não podem deixar que a expressão facial reflita o esforço físico que aquilo requer, que não me parece que seja pouquinho.
O tipo que ficou com o ouro (o brasileiro Zanetti) fez o que tinha a fazer como se não fosse nada de mais, sem grande esforço, expressão tranquila.
A minha principal curiosidade é: como será ser abraçada por uns braços daqueles?

Zanetti (Foto daqui)

Wednesday, 10 April 2013

Compensação?


Talvez tenha nascido umas valentes décadas atrasada, porque todos os dias há pelo menos um sexagenário que prontamente me elogia em alta voz com um elaborado "que linda" ou um sofisticado "que riqueza!".
Acho que se fosse jovem há trinta anos atrás seria, certamente, um sucesso.
Isso ou os avós de hoje em dia são uns porcos perversos.
Escolho a primeira.

Friday, 28 September 2012

Abraços e caças ao tesouro

Continuamente têm vindo a elevar-se vozes de revolta contra os fait-divers consequentes da manifestação de há duas semanas atrás. Para começar, alguns nunca acreditaram que a miúda que abraçou o polícia tivesse querido fazer um gesto verdadeiramente altruísta e significativo, mas agora as opiniões inclinam-se para declarar a pés juntos que ela sempre teve como objetivo fazer produções fotográficas e dar entrevistas. Parva de miúda, que torna-se famosa e quer ser ainda mais famosa. É um bocado como aquele, o Passos Coelho, que a partir do momento em que subiu à cadeira de primeiro ministro aparece nas revistas e nas televisões quase todos os dias. Não se compreende.
Mais recentemente descobriu-se, à moda das novelas portuguesas, um não casal de gato e de rato que quer ser casal de gatinhos siameses apaixonados e portanto o macho anda por esses meios de comunicação fora a procurar a fêmea que vai emigrar não tarda muito. É uma história que, a ser verdade, me ultrapassa um bocado, especialmente porque depois de tanta visibilidade, ela já terá visto que o esforço dele é de louvar e, provavelmente, superou as expetativas dela. Mas das duas uma, ou a rapariga se mantém escondida até a  loucura da história afrouxar para não ter a cara escarrapachada nos jornais e facebooks deste mundo, ou nunca tencionou voltar a ver o pobre do rapaz à frente.
Enfim, o cerne da questão é que toda a gente fala, critica, esmiúça e analisa estes dois desenvolvimentos diariamente. Não me entendam mal: criticar é bom, obriga-nos a pensar e a formar uma opinião, embora não consiga acreditar em alguém que, aparentemente, tem uma opinião sobre tudo e mais alguma coisa. O problema aqui é que as críticas são todas destrutivas, que a miúda é uma sabidola e que planeou a tramóia toda, e que o outro miúdo é um pateta que com a idade que tem já devia ter juízo.
Pois digo-vos que, na minha opinião, a ruiva, para além de ter aquela filosofia meio hippie do amor e da liberdade, sabe que estamos em crise e que qualquer hipótese de qualquer coisa é de agarrar. Parva era ela se dissesse que não. Quanto ao príncipe da Cinderela desaparecida, toda a gente sabe que o amor nos faz cometer loucuras daquelas de olharmos para trás e, de cara corada, pensar como é que eu fiz uma coisa destas? Pode até não ser amor e ser mas é uma paixoneta passageira, mas alimentar esta fantasia não vai fazer cair o Carmo nem a Trindade e, ao menos, os telejornais põem de parte a crise nem que seja por breves minutos, para acompanhar a telenovela da realidade, que, para cúmulo, não é um desses reality-shows que conspurcam a minha televisão.
Portanto relaxemos e não nos queixemos de tudo e mais alguma coisa, que começa a ser deprimente.

Sunday, 22 April 2012

"Ai, coisinha boa"


Ultimamente tenho vindo a desenvolver uma forte sensação de desconforto/ódio com o caminho que tenho de percorrer a pé desde minha casa até à estação de metro mais próxima. Não sei por que razão, mas todos os homens nojentos se encontram reunidos ao longo deste percurso.
Na sexta-feira a coisa foi mais flagrante: numa caminhada de dez/quinze minutos, para além dos olhares nada indiscretos, ouvi uns cinco ou seis comentários daqueles que me deixam bastante enojada e desconfortável, proferidos por homens que têm idade para serem meus pais ou, mesmo, meus avós.
À noite, quando estava a desabafar com o meu namorado o facto de os homens portugueses serem muito porcos, contei-lhe que um deles me perguntou bem alto, no meio de uma avenida cheia, se eu queria ir para casa fazer sexo com ele. O meu namorado riu-se e respondeu-me que era porque me consideravam gira, que se eu fosse feia não diziam nada.
Foi a minha vez de rir e de responder:
- Isso era fácil. Assim bastava-me ir a fazer cara de bisonte e a tirar macacos do nariz o caminho todo e não precisava de ouvir nada daquilo. Mas eles não passam do pescoço para cima.
Olhar até se tolera, embora preferisse que disfarçassem um bocadinho, mas podiam fazê-lo de boca fechada, guardando todas as imagens tenebrosas para eles mesmo. É que eu não tenho culpa de ser grande naquela zona e, acreditem ou não, quando opto por não usar gola alta, não quer dizer que tenha tirado o dia para provocar o sexo masculino.

Thursday, 12 April 2012

Eles não são todos iguais


Quando uma mulher, perante uma deceção da parte do seu respetivo, encolhe os ombros e, num esgar de vergonha, comenta: Homens..., é porque naquele homem em específico há qualquer coisa que não está bem.
Eles não são todos iguais, embora seja essa a desculpa preferida da maior parte das mulheres para qualquer coisa que não saibam explicar, tal como nós não somos todas iguais. Têm algumas coisas em comum (afinal, são seres humanos do sexo masculino), mas cada um é um ser individual.
Até hoje nunca soltei nenhum comentário assim. Quando muito digo é mesmo típico do meu namorado, porque, de facto, ele tem algumas respostas orais ou comportamentais que são características da sua pessoa, mas ou ele é mesmo uma pessoa única, ou então não sei qual a razão para ele não ser igual a todos os outros.
E acho triste quando uma rapariga/mulher, de cada vez que fala do seu namorado/marido, faz um comentário deste tipo. Fico sempre com a sensação de que não vive uma relação feliz e precisa de justificar aos outros as atitudes dele com que não concorda.

Friday, 23 March 2012

Orientação vocacional: enfermeira (parte IV)

A televisão de uma enfermaria é partilhada pelos seus moradores, que, neste caso, são dois. Claro que o ideal era ir para lá um rapaz entre os 20 e os 30 anos, fixado em Dexter, em How I met your mother, em todos os desenhos animados para adultos tipo Simpson's e naqueles programas estranhos/interessantes que o meu namorado descobre no Discovery Channel e no Canal História.
Claro que as probabilidades estão totalmente contra isto, e nesta noite calhou-lhe como companhia um senhor entre 50 e 60 anos, sem os quatro dentes da frente e que até foi dormindo o tempo todo, provavelmente devido ainda ao efeito da anestesia.
O dia passou-se muito pacificamente, com o comando totalmente na nossa posse, até que perto das 20h, o senhor pediu para pôr na SIC. Achei-o bastante interessado na atualidade do país e fiquei positivamente admirada, mas a verdade é que o telejornal acabou imediatamente a seguir e ele ficou deliciado a ver um programa tipo isto só vídeo e o ponto alto da noite foi a telenovela, que ainda estava a ver quando vim embora.
A minha questão é se se ele não fosse casado veria na mesma aqueles programas, ou isto é tudo domesticação feminina do gosto dos homens?

Friday, 2 March 2012

Esforço admirável


Hoje foi um dia de acumular todas as dúvidas, todos os medos, todas as inseguranças e de amuar e rabugentar com qualquer coisa. Ele chegou a casa e percebeu logo que o meu estado de espírito não era dos melhores, por isso, ao longo da noite, em cada duas frases que enunciava, uma era um elogio a mim. Não sei como, mas arranjou maneira de elogiar a minha beleza, o meu cabelo e o meu corpo, mesmo quando eu contrapunha com um oh, não é nada.
A certa altura tive de rir e admirar o esforço e a paciência dele e fazer eu também um esforcinho para me mostrar mais animada.
É bom ter alguém assim que nos obriga a sermos felizes.

Tuesday, 3 January 2012

Isto é que eu não acho nada bem!


Então agora o Ryan decidiu colar-se à pãozinho-sem-sal da Eva Mendes? Eu não o quero para mim, que já tenho o meu príncipe encantado, mas prevêm-se muitas revoltas por esse mundo feminino fora.
Imaginava-o com uma mulher bem mais gira, tipo a que contracena com ele no Drive, ou a Emma Stone, mas, assim sendo, ao menos que sejam muito felizes.

Friday, 30 December 2011

Au revoir, 2011 (9)

Para 2012...

Vão muitas vezes ao cinema. Ou, reformulando, façam mais filmes com o Ryan Gosling...

Wednesday, 7 December 2011

Mulherzinha

O Ashton quer à viva força esquecer a Demi e passar para um oposto total: de um mulherzão para uma mulherzinha. E quer que isso fiquei bem claro.


Ou será apenas o efeito olhos de água de que falava o Dexter a dar o ar de sua graça?

Foto daqui