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Monday, 12 May 2014

Despedidas / Saying goodbye

Comecei a manhã de hoje a meter as primeiras roupas na mala e o nó que já tenho na garganta nos últimos dias intensificou-se, enchendo-me os olhos de lágrimas que forcei a ficarem no lugar porque já chega disso. Ainda não consegui desfazê-lo, cá continua, aliado a um bater do coração forte como nunca o ouvi e a um aperto no estômago que diz que por aqui já não passa mais alimento nenhum.
Como é que me despeço das pessoas que vou deixar indefinidamente? Até já? Não te esqueças de mim? Vai dando notícias? Não te esqueças de mim? Vai visitar-me? Não te esqueças de mim?
À boa maneira portuguesa, vamo-nos reunindo à volta de mesas cheias de boa comida, com música à mistura, vamos dizendo piadas e falando do assunto como se estivesse ainda a uns meses de distância.
Estava, é verdade. Há uns tempos. Entretanto o tempo voou e dentro de seis dias mudo de país e deixo cá uma grande parte de mim.
Não sei como vou despedir-me, mas o raio das lágrimas continua a querer vencer-me.

Saturday, 19 April 2014

Vantagens de viver sozinha (3) / Perks of living alone (3)

Os momentos de solidão têm sido poucos, mesmo quase raros, ao contrário daquilo que pensei. Lembro-me da primeira sexta feira que passei sozinha, sentada no sofá, à procura de companhia online para um bocadinho de conversa e de pensar que acabava de entrar numa fase muito complicada, com falta de conversas e de programas.
No entanto, têm-se revelado semanas de dias cheios, que em obrigam a adiar cada um dos meus projetos, por mais pequeno que seja. E de vez em quando sabem-me bem momentos como este, em que fico completamente sozinha, em que só eu sei onde estou, o que estou a fazer e em que estou a pensar. Ninguém me vê, ninguém me ouve, ninguém tem o mínimo de comunicação comigo. E eu posso planear, pensar, ou simplesmente não fazer nada.
Não por muito tempo, claro, que daqui a meia hora toca a campainha para um jantar de casa cheia.

Tuesday, 25 March 2014

Conhecer-me / Getting to know myself



Não gosto de viver sozinha. Vivi sozinha durante nove meses, numa residência rodeada por gente que fui conhecendo, de que gostei e que gostou de mim e, ainda assim, dava por mim acordada a altas horas da noite a pensar o que é que estou a fazer aqui sozinha, sem ninguém com quem conversar, sem as pessoas que me conhecem a sério? Estava a um bater à porta de distância.
Agora vi-me forçada a viver sozinha, a entrar e a sair de uma casa vazia, a dormir numa cama grande demais para mim, a ter de confiar inteiramente no meu despertador para acordar de manhã, a jantar sozinha pelo menos duas vezes por semana (tenho tido a sorte de ter companhia na maioria dos restantes dias), a fazer planos a contar só comigo.
A princípio não teve piada nenhuma, custou-me como nada me tinha custado antes. Todos os meus medos foram exacerbados, prestava atenção a cada barulhinho e achava que era o fim, evitava pensar nele a chegar a casa ao fim do dia ou a acordar-me de manhã com um despertador antes do tempo, para não desatar a chorar.
Entretanto as saudades sobrepuseram-se aos medos e passei, aos pouquinhos, a ser capaz de aproveitar os meus momentos a sós e os planos que não faria se ele aqui estivesse. Continuo a não gostar de viver sozinha, não fui feita para esta vida, porque, se por um lado algumas pessoas me cansam, por outro tenho necessidade de me rodear constantemente daquelas de quem gosto. No entanto, apercebi-me de que consigo fazer muito mais do que o que pensava, sobretudo no que diz respeito à condução. Nem sempre gostei de conduzir, mas desde que lhe apanhei o jeito (há dois ou três anos) que tenho um amor grande pelo volante, mas sou uma naba com caminhos e, por essa mesma razão, tenho tendência a stressar de cada vez que sei que vou ter de ir a um sítio novo.
Desde que ele foi embora e me deixou o carro à minha inteira disposição e responsabilidade, choveram-me em cima propostas para ir a mil e um sítios a que nunca tinha ido nem sozinha nem acompanhada. E fui. E dei-me conta de que deixei de stressar, de que se me perder (aconteceu uma vez, só) até consigo manter a calma e não desatar a ligar para todos os números de emergência e dar com o caminho de volta.
Só continuo naba naba a estacionar, mas com calma isto vai ao sítio.

Tuesday, 11 March 2014

They don't know my head is a mess...

A minha cabeça reflete o quão caótica sou em relação à gestão das minhas posses materiais, questão que não vou detalhar muito mais. É precisamente para o contrariar que passo os dias a fazer uma lista de assuntos para falar na nossa conversa diária. Ainda assim, como é natural, há vezes em que perco o papelinho e me esqueço de mencionar metade dos assuntos...

Wednesday, 26 February 2014

Conversas via skype (2) / Skype conversations (2)

Ontem à noite, já na cama, tive um ataque dos meus risos histéricos de entusiasmo enquanto falava com ele, que comentou, do outro lado, com uma cara assustada:
- Passas realmente muito tempo sozinha...

O que, por sinal e por sorte, até nem é verdade. No entanto, não fui mesmo feita para viver sozinha. Apesar de ser muito divertido e libertador poder ter tudo por minha conta, vejo-me obrigada a reprimir grande parte dos meus impulsos histéricos/parvos/loucos, quanto mais não seja porque dar-lhes largas inteiramente sozinha era coisa para até a mim me assustar.

Sunday, 16 February 2014

Vantagens de viver sozinha (2) / Perks of living alone (2)

Afinal ainda vai havendo qualquer coisinha de bom por estas andanças.
Tirei, finalmente, o perfume que adoro e de que ele não gosta nada (Halloween) e uso-o todos os dias. Tenho imenso espaço no armário para as minhas roupas e cabides de sobra, logo, já não preciso de pôr dois pares de calças no mesmo cabide. Quando entro no carro, ele já está pronto para mim, pelo que não tenho de ajustar retrovisores nem a posição do banco.


After all, there is something good in these new changes.
I finally took my favourite perfume, the one he hates, out of the shelf (Halloween) and I have been wearing it every day. There is a lot of room in my closet and, at least, I can put one pair of trousers per cloth hanger. When I get into the car, it is already set for me, so I don't have to adjust the rear-view mirrors nor the car seat.

Friday, 14 February 2014

Conversas via skype / Skype conversations

Mostrei-lhe o piercing novo, toda entusiasmada.
Resposta dele:
- Coitadinha.
Tanto amor que ele tem para me dar...


I showed him, with a big enthusiasm, my new piercing.
He answered:
- Poor you.
He has so much love to give me...

Thursday, 13 February 2014

Dias diferentes / Wonderful days

O fim de semana passado foi inteiramente dedicado a ser mimada. A tarde de sábado foi de risos e de descobertas embaraçosas, enquanto que a noite me permitiu descobrir que, afinal, talvez existam mesmo almas-gémeas, pessoas que, de pensamentos tão iguais e vivências tão semelhantes, parecem irmãs.
No domingo fiz o tão ansiado furo na orelha, com a minha irmã, passei a tarde a engordar no Mercado do Bom Sucesso e a noite a engordar em casa dela e do namorado, que se desdobraram em atenções para que não me sentisse abandonada.
Apesar da Stephany (que me manteve acordada à noite com a barulheira toda), fiz uma viagem espetacular dentro de um BMW de 81, igual àquele em que tantas vezes andei quando era miúda. Apercebi-me de que já não sou assim tão criança quando a antigamente maravilhosa sensação de andar sem cintos no carro deu lugar à sensação de insegurança.

A verdade é que podia estar aqui a deprimir, a sentir-me infeliz e auto-comiseração, mas, de um momento para o outro, vi-me rodeada de gente simpática que, por qualquer razão, se preocupa e importa comigo. Não me posso queixar de solidão e tenho de admitir que, de vez em quando, me vem uma lagrimita ao olho de tanta comoção.




Last weekend was all about being spoiled. Saturday afternoon I laughed really hard and made some awkward discoveries about myself, while the evening made me figure out that, maybe, there are really soul mates, i.e., people with thoughts and life experiences so similar that they could be sisters.
Sunday, with my sister, I pierced my ear, at last, and I spent the afternoon getting fat at Mercado do Bom Sucesso and the evening getting fat at hers and her boyfriend's house, who made everything they could not to let me feel abandoned.
Despite of Stephany keeping me awake at night, I had an awesome trip inside an 81 BMW, just like the one I used to ride in when I was a little girl. I figured out I'm not a child anymore when the wonderful feeling of riding a car with no seatbelts was replaced with the weird feeling of insecurity.

Truth being told, I could be getting depressed, unhappy and selfpity. Instead, I found myself surrounded by nice people that, for some reason, cares about me. I can't complain about loneliness at all and, actually, I have to admit that, sometimes, all this good emotions make me tear up a bit.


Wednesday, 12 February 2014

Vantagens de viver sozinha / Perks of living alone

Desde que estou sozinha demoro menos a arranjar-me de manhã, ou seja, acordo mais tarde e chego mais cedo ao trabalho. Ponho os aquecedores à temperatura que me apetece, mesmo que me queime. Tenho sempre água quentinha para tomar banho. Ouço música aos berros e canto aos berros (mal, muito mal). Alimento-me a iogurtes de stracciatella sem sentir remorsos por não lhe fazer companhia ao jantar. Não acordo de manhã várias vezes com um despertador que toca para nada. Se tiver preguiça, deixo a louça de um dia para o outro no lava-louça à espera que a lave. Deito-me mais cedo e durmo mais (o que ajuda a que os dias passem mais rapidamente).
Acima de tudo, tenho encarado os meus medos todos do escuro, de conduzir à noite, de dormir sozinha em casa e da solidão.

Since I'm living alone I take less time to get ready for work, so I can wake up later and still arriving early at work. I can turn the heat on until it burns. I always take a very hot shower. I can listen to music out loud and sing (very very badly) out loud. I can eat nothing but stracciatella yogurts and not feel bad about not having dinner with him. I don't wake up too many times in the morning due to an alarm that rings for nothing. If I'm too lazy, I can let the dirt dishes wait for when I'm willing to wash them. I go to bed earlier and I sleep more (which makes the days go faster).
Above all, I've been forced to face all my fears: of the dark, of driving at night, of sleeping alone and of the loneliness.

Saturday, 8 February 2014

A vida adulta / Being an adult

Primeiras loucuras de uma sozinha em casa: comprar um Twix XL (fez de almoço e lanche) e papel higiénico perfumado. Sempre tive curiosidade em saber como é usar algo assim, se na altura faz algum efeito, ou se simplesmente deixa cheiro a rosas na mala do carro ao ser transportado do supermercado até casa.
Ao terceiro dia, o furacão já só parece uma tempestade.

First crazy actions of a home aloner: buying a Twix XL (one half for luch, the other for tea) and perfumed toilet paper. I was always curious about what using something like that would be like and I still don't know if it makes any difference when being used, or if it only spreads scents of roses inside the car during the trip back home.
It's the third day and, so far, the hurricane only looks like a storm.

Thursday, 6 February 2014

Dia 1 / Day 1

Hoje é assim que estou: triste, doente e perdida. Sei, ou pelo menos espero, que vai melhorar, que o passar dos dias e o skype ajudam, mas o meu problema não são os dias, mas sim os fins de tarde e as noites, quando chego a casa e me falta tudo, quando me ponho a ver o fim do mundo onde ele não existe e desato a chorar como se isto fosse algo mau. Não é. É a concretização de um projeto há muito esperado e ansiado mas que, como qualquer plano que se preze, foi ligeiramente alterado.
Essas modificações, por mais pequenas que sejam, são o que me mói, mesmo sendo elas por uma ótima razão.
Voltei às contagens decrescentes.




This is how I feel today: sad, sick and lost. I know, at least, I hope, that it will get better with time, that every day will be easier that the previous one and skype is of a lot of help. However, my problem is not the days, but the evenings and the nights, when I come home and I'm missing it all and I see the end of the world everywhere it isn't, so I cry so hard, as if something bad was going on. It isn't. It is only the accomplishment of an old and desired project which, like any other plan, was slightly changed.
And those little changes are the cause of my pain, even if they came for a great reason.
I'm back to counting down the days.

Tuesday, 9 April 2013

Going the distance


Ser sortuda é ter uma amiga disposta a comprar uma viagem de um fim de semana de Tampa até cá só para  poder estar presente no meu casamento, e que quando viu as fotografias do meu vestido, que evidenciavam alguns defeitos, exclamou "que linda! que orgulho!" e acrescentou "estou tão feliz pelo vosso casamento que mais parece que sou eu que vou casar".
Ser sortuda é saber que apesar das dificuldades que apareceram pelo caminho, ela vai mesmo estar cá naquele que será um dos dias mais importantes da minha vida.
Ainda assim, tenho imensa pena que, pelo menos fisicamente, ela não tenha podido participar tanto neste processo todo, porque as pessoas mais importantes são sempre as que mais falta fazem.

Wednesday, 20 February 2013

Madrinha à distância

A minha american girl é uma das nossas madrinhas de casamento e como está do outro lado do mundo, anda sozinha a procurar um vestido para usar no dia. Azar ou imensa sorte: os americanos levam o conceito de casamento ao extremo. Daí a nossa conversa (começo eu):


Tenho mesmo muita pena de não estar lá para ver.

Saturday, 22 December 2012

Matar saudades

E quando começou a anoitecer, ele regressou a casa e trouxe-a também, para encher a nossa casa de risos, doces e panados até serem horas de nos despedirmos até amanhã.

Por muito que aqui escreva, nunca conseguirei expressar as saudades que senti destes nossos serões à vontade, em família, que se repetiam tantas vezes quando ainda morávamos no mesmo lado do mundo.

Friday, 21 December 2012

Há algumas coisas que não se chamam sacrifícios

Hoje dormi por partes.
Deitei-me às 2h30 porque tive o segundo jantar de anos do meu irmão (é tipo um Natal antecipado) e quando cheguei a casa ainda me sentei a trabalhar para entregar o trabalho que estava a fazer. Acordei às 4h20 sem sono por ter dormido tão pouco e fui ao aeroporto buscar a minha emigrante americana que chegou para passar o Natal.
Depois das 6h00, quando o sono já não tencionava fazer-se passar despercebido, despedimo-nos, enfrentámos uma tempestade torrencial e meia hora depois estava novamente na cama a tentar readormecer e a pensar se teria sonhado ou se teria mesmo estado no aeroporto.
Acordei depois das 11 com a sensação de que toda esta aventura já tinha acontecido há mais de vinte e quatro horas e com a certeza de que é ótimo rever pessoas de quem temos imensas saudades.

Thursday, 6 December 2012

Going the distance

Digo eu, via facebook:
- Não me apetece nada sair. Ainda por cima está frio.

- Aqui também. Estão 21ºC.

E acrescenta:
- Mas no domingo vão estar 28.

E é em momentos destes que repensamos as nossas amizades.