Na semana passada começaram as obras no andar que ardeu em setembro e que, por azar, é imediatamente por cima do meu. Para além disso, o prédio não tem o melhor isolamento de som, por isso qualquer barulhinho é ouvido estrondosamente, como se tudo estivesse ligado a microfones extremamente potentes. Assim, todas as marteladas, todos os arrastares e todas as conversas são ouvidos em minha casa de tal maneira que ainda não me habituei e acho sempre que alguém me entrou pela porta dentro. Só depois de ir espreitar a correr mas muito discretamente é que me apercebo de que, para já, ainda estou segura.
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Monday, 25 March 2013
Friday, 1 February 2013
Livros de dezembro
Dezembro foi um mês consagrado, literariamente, apenas ao meu mais que tudo Ken Follet. Nada de novo, portanto. Não consigo cansar-me dele, não sinto que a cada livro dele leia a mesma história contada de uma maneira diferente, embora a espionagem e a II Guerra Mundial sejam, regra geral, um assunto comum a todos eles.
Acabei de ler o Voo final, passado em 1941, numa Dinamarca ocupada pelos Nazis. Os aviões britânicos da RAF, que tentam travar os avanços alemães, são constantemente abatidos antes de conseguirem cumprir a missão, quase como se o exército de Hitler fosse capaz de prever os seus planos. Entretanto, a descoberta de uma base secreta alemã por um jovem dinamarquês vai levar a uma aliança entre este e uma agente do MI6, que partilham a vontade de derrotar os alemães, pela qual ambos enveredam por caminhos complicados com uma grande probabilidade de insucesso.
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| Fotografia daqui |
Contagem decrescente dá um pequeno salto no tempo e transporta-nos para o período da Guerra Fria, mais concretamente para a batalha espacial entre os EUA e a URSS, em 1951. Encontramos, então, Claude Lucas, um aparente vagabundo, que acorda na estação central de Washington sem qualquer réstia de memória. Ao longo dos dias vai, no entanto, redescobrindo a sua inteligência e compreendendo que é perito em perceber se está a ser seguindo, em esquivar-se dos perigos e em lutar contra eles. Descobre, também, que o lançamento iminente do foguetão Explorer I é uma parte fundamental da sua vida e uma das razões para a sua amnésia.
O desvendar desta a questão é o ponto de partida para o desvendar de toda a sua vida.
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| Fotografia daqui |
Qualquer um dos livros, tal como o autor nos vai habituando, tem descrições minuciosas das ferramentas, dos aparelhos e dos artefactos técnicos utilizados pelas várias personagens, bem como das paisagens, dos locais e dos intervenientes, tornando-se, assim, muito fácil imaginarmo-nos no centro da ação, enquanto assistimos ao seu desenrolar. O estilo literário é fluido, embora a linguagem não seja aquela que consideramos corrente, especialmente tendo em conta o cariz específico dos temas escolhidos (o que não constitui, de maneira nenhuma, um aspeto negativo).
Ken Follet tem uma capacidade que me deixa maravilhada, que é a de conseguir ser imparcial ao acompanhar as descrições, decisões e atitudes de qualquer uma das suas personagens, sejam elas antagonistas ou não, o que mantem o suspense até ao final e dificulta a tomada de partido precipitada por parte dos leitores.
Tuesday, 1 January 2013
2012
Comecei 2012 desempregada; fui à Alemanha; passei duas semanas enfiada num hospital a tentar fazer o máximo pelo meu amor que esteve bastante doente; nesses dias dormi pouco e li os dois primeiros volumes da trilogia do Stieg Larsson de enfiada; festejei os anos de uma grande amiga aqui em casa com um bolo de banana improvisado; mobilei o meu quarto de novo, ao meu gosto; celebrei quatro anos de namoro; despedi-me dela, que foi atravessar o Atlântico temporariamente; fui a uma entrevista de emprego e fiquei; vi o meu irmão mais velho a casar-se e apanhei o ramo; fiz as pazes com a vida; passei uma semana a conhecer Londres; fui pedida em casamento no Hyde Park e disse sim; assisti a Portugal a ser derrotado no Euro; percebi que o meu patrão era louco e apeteceu-me mandá-lo dar uma curva; comecei a preparar o casamento; aprendi a tricotar e fiz algumas peças bem giras; voltei a fazer wakeboard; comecei a jogar ténis, algo que queria fazer há anos; convidei os meus melhores amigos para serem meus padrinhos de casamento; li que me fartei durante as férias; conheci Cáceres, Sevilha (por que me apaixonei), Córdova, Jávea e Toledo e voltei a Madrid, a Valência e a Benidorm, tudo isso a bordo de uma caravana, a ter de lavar a louça à mão; comecei a escrever um romance; mandei o dito patrão dar uma volta; fui abandonada durante uma semana, porque ele foi aproveitar a boa vida na nossa cidade; temi ficar sem casa quando o andar por cima do meu começou a arder sem parar; fui a uma entrevista de emprego e fiquei; acabei de escrever o meu romance e comecei a tentar publicá-lo; fui turista no Porto; inspirada por um livro italiano, decidi tentar fazer massa à mão e tive bastante sucesso; o meu instinto maternal está em alta; descobri e viciei-me nos livros do Ken Follet; fiz a idade que vou ter quando casar; voltei a abraçá-la, ao fim de tantas saudades; tive o nosso jantar de Natal em família cá em casa, com os nossos melhores amigos, como todos os anos; passei um Natal fantástico em família; despedi-me, a custo, de 2012 com um jogo de cartas que durou seis horas.
E fui feliz. Mesmo muito feliz.
Monday, 31 December 2012
Despedida dolorosa
Nunca fui muito fã de celebrar as passagens de ano. Cada uma é uma derradeira festa com champanhe, amigos, roupa nova e saudosismo onde os sentimentos estão ao rubro, especialmente quando há álcool à mistura que nos leva a fazer declarações de amor a toda a gente, inspirados pelo simbolismo que gostamos de atribuir a esta noite.
O dia 31 de dezembro serve, às vezes, para pensarmos em meia dúzia de segundos, enquanto atiramos as passas obrigatórias para a garganta de modo a que passem o mínimo de tempo possível em contacto com as papilas gustativas, naquilo que os restantes 365 dias nos trouxeram e no modo como os vivemos e para fazer planos para os 365 dias seguintes, que estão mesmo ali, a menos de um minuto de distância. E então passamos a borracha no que de mau aconteceu e começamos um desenho novo numa folha limpa.
Neste ano tudo é diferente e a passagem para 2013 significa que tenho de despedir-me de 2012, agradecer-lhe da melhor maneira que sei tudo o que me trouxe e implorar-lhe em vão para nunca se ir embora, porque não me lembro de viver um ano tão repleto de coisas positivas.
Chego aqui feliz, imensamente feliz, muito mais do que há precisamente um ano atrás. Não fiz planos, não escrevi decisões, não pensei em cada dia ao pormenor e, ainda assim, não retiro um único aspeto negativo destes doze meses que chegam hoje ao fim.
Despeço-me de 2012 com um aperto no coração, quase como se me despedisse de um amigo às portas da morte, porque a fasquia está tão elevada que quase de certeza não será igualada no ano que vem.
Thursday, 27 December 2012
Primeiros passos nisto do casamento 12 - o vestido (parte III)
Escolho sempre as melhores alturas para as provas do vestido: ou no dia a seguir aos meus anos, ou no dia a seguir a uma noite e um dia de Natal. O que vale é que ainda estou na fase em que todos os apertos estão por fazer, por isso não corro o risco de rebentar o tecido lindinho, fofinho e perfeitinho que escolhi.
E agora já as três madrinhas viram e aprovaram o futuro vestido.
Wednesday, 26 December 2012
Foi Natal, foi Natal
O Natal é a melhor altura do ano. Só peca por ser frio, por haver comida para alimentar um batalhão durante um ano constantemente em cima da mesa e por haver vontade suficiente para a comer, o que tem consequências negativas para quem chega ao ano seguinte cheio de remorsos pelos milhares de calorias extra.
Ainda assim, o Natal é especial todos os anos: o frio lá de fora torna-se mais agradável e as lareiras acesas aquecem ainda mais o ambiente caloroso da família toda reunida e a comida é sempre ótima e, a menos que nos sentemos no sofá a ver televisão durante uma semana, conseguimos chegar à passagem de ano com o peso pré-Natal.
Este ano estivemos em duas casas cheias de gente, de conversas e de gargalhadas, sentámo-nos, como sempre, à mesa das crianças embora já não sejamos assim tão crianças e até já comece a haver uma geração abaixo da nossa, distribuímos e abrimos presentes cujos papéis de embrulho encheram sacos e sacos enormes, entrámos em êxtase quando as pessoas de quem gostamos abriram as prendas que lhes demos, jogámos cartas e jogos de tabuleiro e relembrámos as nossas fases de criança. Por outras palavras, vivemos o Natal intensamente porque, ainda que se repita todos os anos, são só dois dias que passam em quarenta e oito horas estendidas ao máximo.
Sunday, 16 December 2012
Primeiros passos nisto do casamento 11 - o vestido (parte II)
Ontem fui fazer a primeira prova do vestido que, neste momento, consiste apenas num acumulado de saias no tecido que eu escolhi e num corpete com o decote recortado de maneira que seja possível mudar aquilo que eu quiser. Ainda é uma coisa relativamente larga e exageradamente comprida, sem nenhumas aplicações e muito básica, mas já deu para perceber como a cor e o modelo me ficam.
Ainda não chorei, mas aconteceu uma espécie de magia: a base já se tinha apagado um bocado e, de tanto vestir e despir, já estava a ficar despenteada, mas olhei-me ao espelho com o vestido posto e achei que estava mesmo gira e que não se notava se tenho barriga, se sou demasiado branca ou se nesta semana comi como um boi e pouco desporto fiz.
Talvez seja essa mesma a função do vestido da noiva, mas fiquei ainda com mais vontade de o ver pronto.
Saturday, 15 December 2012
Tuesday, 11 December 2012
Monday, 10 December 2012
Au revoir, 2012
Pedir doze desejos no momento da passagem de ano pode funcionar não porque haja alguém a controlar as vontades do mundo e a decidir se há-de conceder-nos, ou não, aquilo que mais ambicionamos, mas porque nos força a pensar rapidamente naquilo que é mais importante. É aí que os vestidos, as botas, os relógios e os telemóveis são passados para segundo plano e a felicidade, a saúde, as viagens, o amor e a amizade assumem o papel principal.
Nos últimos segundos de um ano velho somos capazes de assumir que é muito mais importante mantermos a relação que temos do que desembrulharmos mais uma peça de roupa, ou que seria muito mais valioso fazermos as pazes com alguém do que podermos passear uma saia nova, mais cara, mais bonita do que as outras todas que temos acumuladas no armário.
Mas também funciona não pedir desejo nenhum, porque foi exatamente isso que fiz na última passagem de ano: estava demasiado ocupada a rir, a conversar e a brindar para me lembrar das passas e para encomendar alguma coisa a 2012.
E ele trouxe-me, na mesma, tudo, ou quase tudo, aquilo que eu queria: as pazes que me faltavam, as amizades que já tinha, o amor que cresceu, o pedido para assumir um novo tipo de relação, um trabalho, saúde e algumas viagens.
No entanto, tirando a saúde, quem me entregou tudo isso de bandeja fui eu, porque quis, porque fiz por isso e a única coisa que posso agradecer a 2012 é não ter estragado todos os sucessos que alcancei.
Saturday, 1 December 2012
Dezembro
Adoro dezembro. Não é o meu mês preferido porque prefiro o verão ao frio, mas é o meu mês, o mês do Natal e o mês das mudanças, das tomadas de decisão e do otimismo.
O espírito natalício, as luzes e decorações de Natal, as compras de prendas, as bebidas quentes, os filmes românticos vistos em frente à lareira e as bolachas de canela e de gengibre fazem de dezembro um mês confortável que me aquece o coração.
Friday, 30 November 2012
Livros de novembro
Este mês foi, literariamente falando, inteiramente dedicado ao Ken Follet. Já tinha ouvido falar muito nele e já me tinha sido aconselhado, mas nunca tinha chegado a ler um livro do senhor. Ora, estava eu no limiar da angústia porque estava a acabar o último livro que tinha para ler sem mais nenhum à vista, quando me é posto à frente O terceiro gémeo. Um livro grosso, de 518 páginas, daqueles que duram muito, tal como eu gosto.
Li-o em menos de uma semana, por isso a finalidade de ter sempre alguma coisa para ler quando entro no metro ou no autocarro foi um bocado pela valeta abaixo, mas não consegui conter-me e devorei-o em cada minuto livre, tendo chegado ao fim com aquela sensação de quero mais.
É uma história sobre um homem acusado de uma violação pela qual não é responsável, da vítima que o identificou sem margem de dúvidas, da amiga da vítima que estuda gémeos e descobre que afinal o acusado tem um gémeo que talvez tenha cometido o crime e do gémeo que, afinal, está na prisão e não é filho dos mesmos pais que o primeiro.
A amiga da vítima e o primeiro gémeo trabalham lado a lado para ilibar este último e descobrem todas as respostas que procuravam. E muitas mais.
Um livro extremamente bem escrito com o título mais genial de sempre.
Estou mortinha por me esquecer da história para voltar a lê-lo.
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| Daqui |
Voltei a abraçar o Ken Follet com O homem de Sampetersburgo, onde conhecemos o Duque Walden que, na Inglaterra de 1941, prepara com Churchill uma aliança secreta com a Rússia, que a manterá ao lado dos ingleses durante a guerra iminente. No entanto, um anarquista russo faz tudo para evitar que a aliança seja concretizada e viaja até Londres onde dá de caras com o passado que lhe escapou por entre os dedos.
Não gostei tanto como d'O terceiro gémeo e achei a leitura mais difícil, provavelmente devido à complexidade das referências históricas, mas não fiquei minimamente desiludida.
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| Daqui |
Agora estou a meio do Voo final, também sobre Segunda Guerra, mas foca-se especialmente na Dinamarca e na sua resistência secreta aos nazis. Contudo, falarei deste só quando o acabar.
Thursday, 15 November 2012
Quem sou eu?
Sou a pessoa mais preguiçosa que conheço e deixo tudo o que puder fazer amanhã para daqui a dois meses. Faço tudo à última da hora, adio planos porque não me apetece fazer nada, deixo acumular roupa em cima da cadeira porque me custa muito arrumá-la e, sempre que posso, vou de elevador ou de escadas rolantes.
Mas ultimamente coisas estranhas têm acontecido e tenho-me tornado impaciente, por isso não consigo esperar que a escada rolante me leve até ao meu destino, pelo que vou escalando a montanha elétrica até chegar lá pelo meu próprio pé, por exemplo. Também podia falar-vos do facto de costumar apanhar um autocarro desde a estação de metro até quase à porta de minha casa, mas essa brincadeira já não me passar pela cabeça há mais de um mês. Contudo, o que preciso mesmo de partilhar é a minha perplexidade face à minha decisão anti-preguiça de ontem. Vinha eu embora do trabalho quando o painel da estação me avisa que o próximo metro demora 28 minutos a chegar. Tinha duas opções: sentar-me num banquinho ali mesmo a chamar por mim e dedicar meia hora extra à leitura, ou ir indo a pé. Como o raio da estação é ventoso que se farta e lá em cima, no mundo livre, estava um solzinho maravilhoso, fui descendo a avenida a pé, de livro fechado dentro da carteira, mas a apanhar uma valente dose de vitamina D.
Se o tempo do percurso até à estação do transbordo não fosse superior ao tempo de espera do metro, tinha continuado sempre a andar.
Algures neste último ano tornei-me numa outra pessoa e isso deixa-me levemente assustada.
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Monday, 29 October 2012
Primeiros passos nisto do casamento (9) - a ementa
Ontem à noite voltámos à quinta (que já funciona quase como a nossa segunda casa, de tanto lá irmos) para vermos a decoração de um casamento que seria nos tons que eu quero para o meu e aproveitámos para fazer a degustação de seis - S E I S - pratos diferentes: três de peixe e três de carne.
Já me tinham dito e eu já tinha lido que o catering da quinta é dos melhores deste mundo e do outro, mas a verdade é que até ontem nunca tinha provado nada que me permitisse fazer qualquer juízo de valor. Só sabia que o dono é extremamente simpático e atencioso.
Um vinho verde branco bem docinho, como se quer, veio acompanhar a pescada com algas e camarões envolta em massa folhada, o arroz de tamboril com gambas e o bacalhau à lagareiro com batatas a murro recheadas com migas.
Um vinho tinto do Douro fez-nos companhia enquanto provávamos um lombo de boi com castanhas, o tão afamado bife wellington e uma posta de cabrito que até não era má mas a que só consegui roubar uma pequena garfada de tão cheia que estava.
Tenho a dizer que, de facto, os boatos são verdadeiros e a comida está a um nível elevado e digno de alguém que, como eu, gosta de comer. E a noite foi de uma utilidade extrema porque a ementa ficou escolhida e não corresponde às escolhas que tinha feito olhando apenas para o papel.
Um dia destes há-de vir a degustação dos doces, mas preciso de deixar algum tempo porque ainda estou a ressacar os salgados.
Para comemorar este facto histórico, enfiámo-nos na Rota do Chá a beber (eu) um celebration e a conversar com um dos padrinhos.
Quem diz que planear um casamento é muito stressante não sabe aproveitar as coisas boas da vida.
Thursday, 25 October 2012
Livros de outubro
Ultimamente tenho feito várias viagens em transportes públicos, especialmente de metro, e como nunca gostei de ficar parada num sítio a olhar para nada ou, pior, a captar todas as conversas e gestos de pessoas que me são estranhas, ando sempre com um livro atrás. Por essa razão, nunca li tantos livros em tão pouco tempo como agora.
Tal como habitualmente, tenho intercalado um livro a sério com um livro mais pipoca não para compensar nada mas porque já faço isso há muito tempo e, assim, não me canso do que leio.
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| Imagem de: http://asleiturasdocorvo.blogspot.pt/2009/10/os-filhos-da-liberdade-marc-levy.html |
Em outubro comecei por ler os filhos da liberdade, de Marc Levy, que conta de uma forma maravilhosa a história de um grupo bem organizado de adolescentes, sobretudo imigrantes das mais variadas proveniências, que faz parte de uma brigada de Resistência ilegal durante a ocupação nazi em França na segunda guerra. Esta é, na verdade, a história do pai do autor e do seu irmão/tio, que viveram, de facto, os acontecimentos relatados no livro.
Por muito que o desenlace seja favorável a algumas personagens, o final de um livro assim nunca é feliz devido a tudo o que foi acontecendo ao longo da história, especialmente porque sabemos que algumas situações fizeram mesmo parte da História de algumas pessoas reais. Mas é o final agri-doce por que se espera e que nos obriga a refletir na nossa vida e a verificar que somos uns sortudos por podermos viver em tanta liberdade.
Só não gostei da estratégia que o autor usa para relatar o futuro sem lá chegar, com construções frásicas do género mal ele sabia que na semana seguinte..., ou nesse momento, ela não podia imaginar que... De qualquer modo, recomendo-o vivamente.
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| Imagem de: http://letrasepaginas.blogspot.pt/2009/07/noiva-italiana-nicky-pellegrino.html |
Seguiu-se-lhe A noiva italiana, onde Nicky Pellegrino nos apresenta um pai italiano, uma mãe inglesa e duas filhas de mistura a viver em Londres. A filha mais nova está à frente do restaurante que fora do pai e está prestes a casar, enquanto que a filha mais velha é designer de vestidos de noiva por conta de outrem e ficou de fazer o vestido da irmã. É nesses serões de costura que se vai sentar com a mãe a ouvi-la explicar por que razão a sua família e uma outra família com as mesmas origens e que também tem um negócio relacionado com a alimentação se odeiam tanto. E essas revelações vão ter repercussões no presente e no futuro de cada um dos membros das duas famílias.
O romance tinha bastante potencial, mas desenvolve apenas a história do passado, deixando a do presente um bocado à deriva. Isto é, apresenta um início e uma conclusão para a história que a mãe conta, mas conclui os factos atuais por que nos faz ansiar ao longo das várias páginas com um epílogo atabalhoado e feito à pressa. Senti-me defraudada. De qualquer forma é uma boa companhia para as horas de trânsito.
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| Imagem de: http://www.bartsbookshelf.co.uk/2010/10/12/yad2-who-wants-to-live-forever-a-guest-post-by-gemma-malley/ |
Ontem comecei a ler O pacto - o crime de ter nascido, de Gemma Malley, o primeiro de uma trilogia sobre um futuro onde a imortalidade é possível e a descendência é um crime com séries consequências. Darei a minha opinião quando o acabar.
Thursday, 18 October 2012
Primeiros passos nisto do casamento (8) - decoração
Para animar a rotina de uma semana de trabalho (e porque há coisas que têm de ser feitas senão o casamento vai mesmo sem festa), passámos duas horinhas entre o final da tarde e a hora de jantar na quinta onde iremos dizer que sim, chorar, dar muitos beijinhos, beber e dançar muito, a ver, uma vez mais, opções de decoração.
Uma vez que quero usar duas cores (uma neutra e outra forte) para decorar a sala, o problema principal reside nos fantasmas, vulgo capas das cadeiras, que não podem ser em preto, em castanho nem em vermelho, as únicas cores existentes na quinta. Mexe cadeira daqui, desaperta laço de organza, arrasta mesa, pousa copo alto com vela, enfia vela na taça baixa, experimenta com e sem espelho por baixo, imagina flores que não estão presentes, acende luzes, apaga luzes, tira fotografia, anota ideias e a coisa está feita porque a fome já aperta e a paciência começa a esgotar-se.
Sou uma pessoa muito imaginativa na escrita, mas em termos de trabalhos manuais sou um zero à esquerda e as minhas últimas experiências levam-me sempre a imaginar o cenário mais piroso e a dizer logo um não redondo enquanto não vir nada em concreto.
Ficou agendada mais uma visita no final do mês durante um casamento para ver as várias hipóteses de decoração e tentar decidir alguma coisa: pétalas? flores inteiras? ramo? velas grande? velas pequenas? velas grandes e pequenas?
Até lá vou passar numa exponoivos em Gondomar e tentar tirar ideias para dar mais sugestões à senhora que daqui a nada não me atura com tantas questões.
Apenas uma ideia ficou assente: nada de fogo de artifício. Que me perdoem as fãs, mas abomino aquilo, especialmente porque morro de medo de ser alvejada por um foguete em fuga.Tuesday, 9 October 2012
Momentos estragados
Ontem saí da estação de metro e, à minha frente, vi um nevoeiro intenso que me fez lembrar que, apesar de estar de t-shirt, já estamos no outono. Misturava-se com o fumo do carro das castanhas à volta do qual passava um mar de gente naquela tarde bonita e dei por mim a pensar em como sou feliz: tenho um emprego, vou casar, tenho amigos e uma família fantásticos.
De repente desci à terra quando vi um desses amigos e parei para conversar com ele.
Em casa contei este episódio ao meu namorado:
-[...] e então encontrei o B., que ia também para o metro.
Responde-me ele, a brincar, porque os dois são amigos:
- Foi aí que percebeste como a tua felicidade é frágil?
E é assim que uma pessoa estraga um momento bonito.
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Sunday, 30 September 2012
Primeiros passos nisto do casamento (7) - alianças
Parte da tarde de hoje foi dedicada à procura de alianças. Já tínhamos falado nelas, já tínhamos visto e experimentado a dos casais casados à nossa volta, já sabíamos que queríamos as duas idênticas e o mais simples possível, mas faltava o concreto.
Serviu esta experiência para descobrir que desde a entrada de Portugal na CEE começaram a comercializar-se por cá várias qualidades de ouro. Se até então só produzíamos a melhor das melhores, que, se não me engano, é de 19 quilates, a concorrência europeia obrigou-nos a tratar de igualar as qualidades inferiores. O aspeto é absolutamente igual, só o valor se altera. Aconselharam-nos, portanto, a comprar as alianças no melhor ouro porque era melhor para vender.
Ora, quem compra uma aliança de casamento tendo em mente a ideia de a vender? Pelo contrário, eu quero as menos valiosas, porque aqui o que vale é o simbolismo que representam. Para além disso, se uma aliança de 200€ for roubada, mais rapidamente substituo por uma igual do que por uma de 700€.
Embora nada tenha ficado decidido, porque é preciso ter em conta o tipo de ouro (amarelo brilhante ou baço, amarelo rosado brilhante ou baço, branco brilhante ou baço), o tipo de anel (redondo, amendoado, quadrado) e a espessura (normalmente entre um e três ou quatro milímetros), já ficámos com uma imagem mais exata daquilo que queremos e dos valores que irão rondar.
Assim que voltarmos a ter vontade, embrenhar-nos-emos numa saga similar.
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Friday, 28 September 2012
Abraços e caças ao tesouro
Continuamente têm vindo a elevar-se vozes de revolta contra os fait-divers consequentes da manifestação de há duas semanas atrás. Para começar, alguns nunca acreditaram que a miúda que abraçou o polícia tivesse querido fazer um gesto verdadeiramente altruísta e significativo, mas agora as opiniões inclinam-se para declarar a pés juntos que ela sempre teve como objetivo fazer produções fotográficas e dar entrevistas. Parva de miúda, que torna-se famosa e quer ser ainda mais famosa. É um bocado como aquele, o Passos Coelho, que a partir do momento em que subiu à cadeira de primeiro ministro aparece nas revistas e nas televisões quase todos os dias. Não se compreende.
Mais recentemente descobriu-se, à moda das novelas portuguesas, um não casal de gato e de rato que quer ser casal de gatinhos siameses apaixonados e portanto o macho anda por esses meios de comunicação fora a procurar a fêmea que vai emigrar não tarda muito. É uma história que, a ser verdade, me ultrapassa um bocado, especialmente porque depois de tanta visibilidade, ela já terá visto que o esforço dele é de louvar e, provavelmente, superou as expetativas dela. Mas das duas uma, ou a rapariga se mantém escondida até a loucura da história afrouxar para não ter a cara escarrapachada nos jornais e facebooks deste mundo, ou nunca tencionou voltar a ver o pobre do rapaz à frente.
Enfim, o cerne da questão é que toda a gente fala, critica, esmiúça e analisa estes dois desenvolvimentos diariamente. Não me entendam mal: criticar é bom, obriga-nos a pensar e a formar uma opinião, embora não consiga acreditar em alguém que, aparentemente, tem uma opinião sobre tudo e mais alguma coisa. O problema aqui é que as críticas são todas destrutivas, que a miúda é uma sabidola e que planeou a tramóia toda, e que o outro miúdo é um pateta que com a idade que tem já devia ter juízo.
Pois digo-vos que, na minha opinião, a ruiva, para além de ter aquela filosofia meio hippie do amor e da liberdade, sabe que estamos em crise e que qualquer hipótese de qualquer coisa é de agarrar. Parva era ela se dissesse que não. Quanto ao príncipe da Cinderela desaparecida, toda a gente sabe que o amor nos faz cometer loucuras daquelas de olharmos para trás e, de cara corada, pensar como é que eu fiz uma coisa destas? Pode até não ser amor e ser mas é uma paixoneta passageira, mas alimentar esta fantasia não vai fazer cair o Carmo nem a Trindade e, ao menos, os telejornais põem de parte a crise nem que seja por breves minutos, para acompanhar a telenovela da realidade, que, para cúmulo, não é um desses reality-shows que conspurcam a minha televisão.
Portanto relaxemos e não nos queixemos de tudo e mais alguma coisa, que começa a ser deprimente.
Wednesday, 26 September 2012
O dia em que o prédio ardeu
Estava sentada no sofá a escrever e a pensar na minha vida quando comecei a sentir um leve cheiro a fumo que entrava por dentro de casa, vindo da zona da cozinha. Verifiquei que não tinha nada ligado em lado nenhum da casa e concluí que o fumo tinha de vir de fora, pelo que espreitei pela janela e, de facto, vi qualquer coisa que, pensando bem nisso, acho que era só nevoeiro. Como não seria a primeira vez que tal acontecia, fechei as janelas todas e desvalorizei o assunto.
Cerca de quinze minutos depois o cheiro tinha-se intensificado e parecia que alguém estava a fazer torradas na minha cozinha. Levantei-me e fui, mesmo, fazer torradas. Enquanto esperava por que a torradeira desse sinal, ouvi coisas a cair no chão de cima, o meu teto. Mas também não era uma coisa estranha na minha vizinha. No entanto, trouxe as torradas para a sala e comentei com o meu namorado no chat que a vizinha parecia estar a destruir a casa e que achava que o nosso teto ia ruir.
Ainda não sei como não somei 1+1...
Foi então que ouvi a campainha tocar e levei atrás de mim o prato com as torradas a que só tinha dado uma trinca. Sabem aquele hábito irritante que os carteiros e os distribuidores de publicidade têm, de tocar para todas as campainhas ao mesmo tempo? Foi isso que fizeram, por isso não consegui ver quem tocava. Normalmente encolheria os ombros e voltaria para o que estava a fazer, mas desta vez achei que alguma coisa não estava bem, facto que comprovei quando ouvi duas pessoas que trabalham no edifício que dá para as traseiras do meu e que deram conta do que se estava a passar a subirem as escadas e a baterem em todas as portas.
Há um incêndio no prédio, saiam já!
Tive tempo de pousar o prato das torradas, calçar-me, pegar no blusão que a minha mãe me tinha emprestado na véspera e de pôr a carteira ao ombro apenas com o porta moedas e o telemóvel quase sem bateria. Ainda pensei no que levar comigo, mas comecei a dar conta de que era tanta coisa, tanta roupa, tantas fotografias, que acabei por desligar, só, o computador.
Só quando desci é que vi que as janelas da lavandaria do andar por cima do meu tinham implodido e explodido e que a persiana estava toda derretida. Acho que foi isso que ouvi cair no chão.
Vieram dois ou três carros dos bombeiros e um carro cheio de polícias, chegou o INEM e ninguém sabia se a senhora (aquela velhinha um bocadinho senil de quem já aqui falei algures) estava lá dentro ou não, porque tinham pontapeado a porta, tocado à campainha e ligado para o telefone dela, mas ela não tinha respondido.
Achei que das duas uma: ou não estava lá porque tinha ido passear, ou estava lá dentro e já não havia nada a fazer.
Entretanto estava na rua, debaixo da chuva, a dizer ao meu namorado para ir ter comigo e que íamos ficar sem casa, porque aquilo ia tudo explodir. E sim, achei mesmo que ia ficar sem casa. Pensei que fosse desmaiar de tanto tremer, porque a sensação de ver aquilo a arder e de correr o risco de ficar sem casa e sem tudo o que tenho dentro de casa foi terrível. Olhei para o dedo e verifiquei que não me tinha esquecido do anel.
Os bombeiros lá conseguiram tirar a mulher que estava, incrivelmente, consciente e sem queimaduras e apagaram o fogo. Veio a PSP, veio a televisão, veio uma data de mirones.
Entrei em casa para ver se não tinha fumo nem inundação. Tudo ok.
Pediram-nos para entrarmos em casa da senhora porque, embora de forma muito afastada, é mais ou menos da família do meu namorado. Foi então que vi que tudo na cozinha, tirando os armários, tinha caído e/ou partido contra o chão/o meu teto. A casa estava desfeita, toda suja e não se via nada. Limpámos a água para não termos infiltrações, ficámos a cheirar a fumo e deitei-me cheia de medo de que houvesse um curto circuito lá em cima.
Decidi que neste fim de semana vamos comprar pelo menos quatro detetores de fumo. E passei a noite a ter pesadelos.
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