Quando era pequena, ainda com dentes de leite, não comia nada com açúcar. Aliás, até aos 10/11 anos, comia obrigada e sem vontade, demorava horas e horas para comer um singelo almoço que, por vezes, tinha de acabar ao lanche ou ao jantar e chegava a deitar pela sanita abaixo ou a pôr diretamente no lixo aquilo que conseguia sem que ninguém visse.
Com a adolescência adquiri o prazer da comida (tanto que cheguei a compensar o tempo perdido, mas adiante) e foi nessa altura que descobri, a sério o mundo das coisas doces e dos aperitivos de queijo. Passei a gostar de quase tudo e vivi aquela fase que muitos miúdos vivem: a do quanto mais gorduroso/açucarado, melhor.
Já não sei muito bem como, mas a certa altura o meu lanche ideal era um dos mais banais, mas perfeito, porque aliava o melhor dos dois mundos: pão branco com manteiga e um copo de leite achocolatado. Molhava o pão no leite quase até se desfazer, apreciava o leite a fugir da gordura da manteiga e a alojar-se na massa fofa e farinhenta e comia com imenso prazer.
Mas quando ia a casa da minha avó paterna, havia uma coisa que comia sempre e só lá e que consistia muito simplesmente num iogurte de morango com açúcar. Deitava uma colher de açúcar, misturava muito levemente para não deixar de sentir os grãos e mastigava a mistura como se fosse a grande maravilha culinária. Quando o açúcar se dissolvia completamente, deitava mais uma colher e assim sucessivamente até acabar o iogurte.
Curiosamente, passei anos sem comer esta última mistalgada e quando voltei a fazê-lo, há não muito tempo, achei das coisas mais intragáveis de sempre.
Já o pão com manteiga empurrado com uma caneca de leite achocolatado frio mantem-se como um dos lanches mais confortáveis de sempre.