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Tuesday, 9 December 2014

Crónicas de uma noite

Ontem estava com tanto frio, mesmo debaixo de várias camadas de roupa de cama, que me deitei com uma écharpe enrolada à volta do pescoço.
Acordei a meio da noite e devo ter ficado uma hora acordada. A pensar na vida? Nos problemas sérios de amanhã? Nada disso, a fazer mentalmente a ementa para o meu lanche de aniversário.
Foi uma noite produtiva, portanto.

Wednesday, 26 November 2014

Recomeçar

Sou uma pessoa de pessoas, não posso mentir, sobretudo quando a minha vida está instável, ando inquieta e preciso de aprovação constante. Há momentos desses, uns mais longos do que outros.
Mas eis que tudo, finalmente, acalma. A poeira assenta, o rabo senta no sofá, a cabeça para de pensar trezentos passos à frente e foca-se em mim, no hoje e no amanhã. E os projetos deixam de ser irreais para serem concretizáveis.
Amanhã começa uma nova fase, uma etapa minha, escolhida por mim para mim. E, pela primeira vez, vou sem expectativas absolutamente nenhumas.
Não sei onde aprendi isto... fui aprendendo, tive de habituar-me a não esperar nada dos outros, continuar a esperar dar o melhor de mim.
Usando o maior cliché de sempre, amanhã é o primeiro dia do resto da minha vida. E estou ansiosa.

Tuesday, 14 October 2014

Isto de querer ser diferente...

Tenho duas formas de despedida por excelência - porta-te bem e diverte-te -, que uso indiferenciadamente: tanto posso dizer diverte-te ao meu irmão que vai fazer um teste, ou a alguém que vá às compras, como posso dizer porta-te bem a uma amiga que vai ter uma reunião de trabalho, ou a um amigo de casa de quem saio depois de um jantar.
O que vale é que já não me admiro que me achem tolinha...

Monday, 6 October 2014

Olá!

Uma noite fria, um copo de Bailey's, umas fatias de presunto com queijo e eu, depois de uma viagem de carro, sozinha, com as janelas abertas e a música ligada.
É em momentos destes que me sinto bem por ser eu, por ver a felicidade em pequenas coisas, por muito que ela possa acabar amanhã, ou mesmo daqui a duas horas.
Não aprendi a ser assim: a vida simplesmente ofereceu-me razões suficientes para isso.
Ultimamente esqueci-me dessa parte de mim, deixei-a de lado, reneguei-a para segundo lugar e favoreci a outra, a que me fazia ver o lado negro da coisa, que me trazia lágrimas em vez de sorrisos e de risos.
Um erro grande que devi a mim mesma corrigir.

Tears in heaven



Há quem imagine o dia do funeral como se se tratasse de um casamento, planeando cada pormenor, cada música, cada leitura, por aí fora. Nunca tinha pensado nisso. Se eu morrer morri. Desde que descubram o meu corpo e o ponham nalgum sítio, de preferência em forma de cinza, ao abrigo dos animais e das intempéries, fico descansada (na verdade, se não o fizerem também...).
Adiante. Nunca pensei no que quero que haja no meu funeral. Quero lágrimas e que digam que se perdeu uma das melhores pessoas que o mundo já conheceu, que vou fazer falta em todas as vidas e que me elogiem até à exaustão.
Para além disso, quero apenas que toque esta música. Não saída de um par de colunas, mas de uma guitarra e de uma voz em especial.

Monday, 8 September 2014

Coisas de que gosto mesmo mesmo muito (3) / Things I really really like (3)

Ter alguém para quem cozinhar o jantar. Uns simples ovos mexidos, um salmão no forno, ou massa com pesto. Bom é alguém para alimentar.

Having someone to cook dinner for. Whether it is scrambled eggs, grilled salmon or pasta with pesto. It is so good to have somebody to feed.

Friday, 5 September 2014

Que sera sera

Quando andava no secundário a estudar poemas que falavam sobre o destino, achava aquilo uma treta pegada: não acreditava minimamente que houvesse uma entidade qualquer que decidisse que estou a escrever este texto de pernas cruzadas em cima do sofá, às 13h07 do dia 5 de setembro de 2014 não por vontade minha, mas porque era suposto ser assim.
Hoje e cada vez mais tenho a certeza de que nada acontece por acaso. Não foi só porque sim que entrei há um ano num ciclo de mudanças que podia ou não ter acontecido, tanto fazia.
Não sou, hoje, a pessoa que era há um ano, sem qualquer sombra de dúvida. E só não o sou porque fui a sítios, conheci pessoas e vivi experiências que se combinaram para tal.
Se, por um lado, é assustador pensar que não tenho assim tanto controlo sobre a minha própria vida, por outro é reconfortante poder encostar-me à ideia de que tudo se resolve, porque o que é para ser será.

Thursday, 28 August 2014

Desta água não quê?


Pela primeira vez na minha não assim tão exageradamente curta existência, percebi, finalmente, as pessoas que correm por correr. Ou melhor, não as percebi porque não as abordei a meio da correria para perguntar "mas então porque é que corres?". Percebi, sim, que é um pretexto para sair de casa, apanhar ar, traçar um objetivo e, ao mesmo tempo, dedicar-me à introspeção (sim, que ir correr de auscultadores nos ouvidos é a receita para um atropelamento...).
Foi então que fiquei bastante feliz por ter uma ala do armário exclusiva para roupa de desporto, porque acho que... eu, que sempre disse que detesto correr, vou começar a fazê-lo.
E tenho a sorte de ter um sítio lindo para isso quase à porta de casa.

Sunday, 17 August 2014

Reconstrução

Ontem, sem intenção, repeti algo extremamente simples que fiz na semana em que regressei a Portugal, precisamente com as mesmas duas pessoas que o fizeram comigo nessa altura: ir às compras para um jantar com amigos.
Lembro-me de, naquele dia, andar pelos corredores do supermercado tipo zombie, de nó na garganta, dores de cabeça de tentar conter as lágrimas e estômago revoltado pela ansiedade extrema em que me encontrava. Sentia-me um caco, um pedaço de nada sem absolutamente valor nenhum. O mundo tinha acabado de me cair aos pés e o tapete tinha-lhe saído de baixo (bem, aqueles clichés típicos de quem se desilude com as expectativas e as pessoas). O jantar, que podia ter sido mesmo divertido, foi passado em auto-comiseração, à espera de uma palavra de alento, de um mimo que fosse. Enfim, distraí-me a pensar no que podia ser em vez de aproveitar o que tinha ali mesmo à minha frente e que era tão bom.
Passaram-se sensivelmente dois meses, que têm sido longe de formidáveis (lágrimas, muitas lágrimas, desespero, dúvidas, confusão, auto-estima a arrastar-se pelas ruas da amargura, enfim, esses clichés de quem estava no topo do mundo e caiu até cá abaixo; emaranhados com momentos de euforia de quem acha que supera tudo num piscar de olhos - estalar de dedos não, que não sei fazer disso), e dei por mim a andar novamente naqueles corredores com uma lista de compras na mão, a sorrir, a conversar e entusiasmada com o jantar dessa noite. Não estava eufórica, não foi uma sensação momentânea acabada à noite, sozinha na cama, quando já toda a gente tinha ido embora, e substituída, uma vez mais, pelo nó na garganta, as lágrimas a queimar e o estômago às voltas (na verdade até estava, mas por razões de exageros gastronómicos). Não. Algo em mim mudou durante a semana que acabou e me fez arrancar a auto-estima do alcatrão quente para a pousar numa prateleira longe dos sapatos que queiram pisá-la. Encontrei (alerta cliché) as rédeas da minha vida, peguei-lhes e percebi que é bastante mais fácil domá-la do que aquilo que me parecia.
Estou partida, talvez até desfeita em pedacinhos. Mas acho que há uma cola para isso. Chama-se tempo e paciência, não só meus mas também daquelas pessoas que foram ficando, mesmo quando não gostavam do que viam; dos grilos falantes da minha vida.
Não sei quanto tempo demora o processo de reconstrução, mas sei que já começou.

Thursday, 14 August 2014

Friday, 1 August 2014

Sem comentários / No comments



Acho que há coisas que só me passam a mim pela cabeça e, como tenho tendência para o exagero, acabo por fazer delas situações hilariantes. É um desperdício quando não são partilhadas com ninguém.
Ontem deitei-me, apaguei a luz e senti qualquer coisa na orelha. Toquei-lhe, fechei os dedos à volta dela e percebi, pela textura e pelo barulho, que era uma aranha. Daquelas nojentas, com corpo redondo e enorme e patas pequenas. Desatei aos berros, acendi a luz e atirei com aquilo já bastante esmagado para o chão.
Quando olhei de perto percebi que era apenas o revestimento do brinco, que tinha saído e ficado agarrado à minha orelha.
Tive pena de ter sido a minha única testemunha.

Tuesday, 29 July 2014

Mudanças / Inner changes

Sempre fui uma pessoa desorganizada e desarrumada. Tudo o que houvesse para ser deixado fora do lugar, ficava fora do lugar enquanto não houvesse chatice, berros e castigos, era-o. Devia ter aprendido, mas cresci, arranjei a minha própria casa e comigo levei manias antigas de tirar a roupa e deixá-la a acumular num canto do quarto, aumentar o monte de carteiras e de sapatos no hall à medida que as semanas passavam, esquecer-me de pôr/tirar a louça da máquina, pousar papéis em cima de tudo o que fossem superfícies livres para arrumar mais tarde e por aí fora.
De vez em quando tinha acessos de arrumação e durante uma semana ou duas andava extremamente controlada nesse departamento, mas rapidamente voltava aos meus hábitos inatos e estava o caos instalado.
Entretanto fui para Londres viver num quarto pequeno onde mal havia espaço para duas pessoas, logo, o espaço para a desarrumação era bastante ínfimo. E entretanto voltei e desde então (já se passaram mais do que duas semanas!) continuo a surpreender-me com a minha própria organização: não há roupa atirada a passar a noite a um canto, os sapatos vão para o sítio no dia seguinte, depois de arejarem umas horas, a louça está sempre no sítio, a roupa lavada não acumula no cesto, os papéis não andam espalhados e perdidos pelos cantos, as contas são pagas no próprio dia em que chegam...
Andei mais de um quarto de século a tentar chegar até este grau de maturidade organizacional. Bastou uma mudança de ares, uma necessidade de ficar bem comigo mesma, e alcancei-o.
Permito-me dizer que estou deveras orgulhosa de mim mesma. Espero não me desiludir.

Monday, 28 July 2014

Psicologia / Psychology

Uma coisa estranha é sermos nós, vivermos na nossa pele, estarmos 100% do tempo connosco mesmos (mais do que qualquer outra pessoa) e, ainda assim, não nos conhecermos por inteiro, haver coisas que sentimos, físicas ou emocionais, que não conseguimos compreender nem sabemos de onde vêm.


It is very weird being ourselves, living in our own shoes, being with ourselves 100% of the time (more than any other person in the world) and, still, not knowing ourselves completely, because there are some stuff we feel - physically or emotionally - that we cannot understand nor know where they come from.

Thursday, 24 July 2014

Acordar / Waking up

Uma das coisas boas da vida é que é feita de recomeços que podem ser marcados por mudanças radicais e significativas, ou por várias pequenas alterações. Tudo começa pelo estado de espírito.
Acordei hoje com uma sensação de vida que não tinha há já algum tempo, o que é estranho tendo em conta o dia de não verão que me acolheu. Vários projetos pensados, alguns planos semi-delineados (apenas o suficiente para me entusiasmar sem elevar as expectativas a um expoente absurdo) e uma vontade, mais forte do que nunca, de dar um passo em direção ao outro caminho que, de alguma maneira e sem ter propriamente a noção disso, fui abandonando nos últimos meses.
Hoje acordei...



Monday, 21 July 2014

Saturday, 19 July 2014

Baby in a corner

Ser a mais nova do grupo é uma tendência natural minha desde há já muito tempo. Só não sou a mais nova do grupo em casa, porque tenho três irmãos abaixo de mim, de resto, no trabalho, entre amigos, etc., sou sempre a pequenina. Isto é uma coisa que pode ter piada, até porque a maioria das pessoas que me rodeia, por já ter, obrigatoriamente, vivido mais, tem sempre mais para me ensinar, tem opiniões mais maduras, mais vividas, mais credíveis. 
No entanto, há uma também tendência natural para, mais tarde ou mais cedo, chegarmos ao ponto da condescendência. Seja porque me rio, seja porque tenho uma opinião, seja por causa das pessoas de quem gosto e das pessoas de quem não gosto, seja por causa dos meus projetos a curto e a longo prazo, há apenas duas pessoas do meu mundo que ainda não me atiraram com um isso é porque és muito nova, ou um vais ver que quando chegares à minha idade/quando passares por X pensas de maneira diferente.
A piorzinha de todas, aquela que mais tenho ouvido ultimamente, ronda o ainda tens muito para viver. E eu, que vejo os 30 ao virar da esquina, que vejo os meus planos a serem constantemente alterados; eu, que tenho pressa em tudo, penso, às vezes, que devia ter nascido dez anos mais cedo e que talvez assim já pudesse ter um bocadinho mais de pressa, já pudesse rir, criticar, opinar, gostar e desgostar sem as palmadinhas paternalistas e os encolheres de ombro.

Tuesday, 8 July 2014

Auto-retrato (16)


No meu congelador há apenas duas caixas de Magnum de Menta. Nada mais.

Saturday, 5 July 2014

Momentos

Há momentos em que o turbilhão da vida acalma, a poeira assenta, o público afasta-se, e damos por nós em cima do palco a olhar à volta, a admirar o espetáculo que acabou e a analisar o que ficou. Vamos, voltamos. Damos a volta. Paramos. Arrancamos. Estagnamos e aceitamos o que temos, ou arregaçamos as mangas para lutar e recuperar uma parte que nos falta. A maior parte da vida que ainda nos falta viver, a passos dos trinta; no início, praticamente, da idade adulta.
Assim que o coração acalma e que a cabeça para de doer de tanta emoção e comoção, damos as mãos a quem no-las estende, agarramo-las com força para não cairmos e recomeçamos a andar, um passo lento a seguir ao outro, ainda com um rumo muito indefinido, porque, como diz o povo, nem sempre o que nos parece é. Devagarinho, já sem pedirmos demasiado, os sorrisos começam a ultrapassar as lágrimas, as noites mal dormidas acalmam e trazem mais horas de sonhos, acordar já não custa tanto e adormecer já começa, de vez em quando, a parecer um desperdício de tempo.
Perspetivar o futuro, ainda que temeroso, já não é só um trabalho assustador, mas sim um exercício talvez um pouco entusiasmante, desde que, olhando para o lado, encontremos as nossas Pessoas. Podem estar a dez passos de distância, podem ter-nos soltado a mão para que sejamos nós a decidir-nos por nós mesmos, mas se lhes pedirmos e eles voltarem nesse instante, a vida vale a pena.

Sunday, 15 June 2014

Auto-retrato (15) / Self-portrait (15)

O meu riso é um fenómeno incompreensível. Para quem não gosta de chamar a atenção, rio-me exageradamente alto, com uma sonoridade muito estranha. E rio-me descontroladamente de coisas absurdas. Já tentei torná-lo elegante, mas é bem menos divertido.


My laugh is an incomprehensible thing. For someone who doesn't like to be in the centre of attentions, I laugh too loud, with a very weird sound. And I laugh out of control of very stupid things. I tried to make it ellegant and classy, but it's way less funny.