Esteve um princípio de tarde daqueles fantásticos, de sol e frio, tão de sábado de inverno, como eu gosto. Acordei cedo, um pouco mais do que o que queria, para nada, mas acabei por fazer valer o despertar antecipado com algumas compras de roupas, já que tenho o roupeiro vazio e cheio de cabides à espera de serem cobertos.
Fiquei com vontade de ir passear para junto da praia, enrolada numa écharpe quente e deixar-me conduzir pelo vento. Beber uma bebida quente ou fria, não importa, deixar o sol incomodar-me os olhos, sentir o cheiro a mar e planear o futuro. À falta de companhia para tal vim para casa onde estou sentada no sofá posicionado estrategicamente na diagonal das duas janelas, por onde entra o sol já não tão forte, a ouvir música tão alto que poderia fazer-me recear incomodar os vizinhos, se me dedicasse a sentimentos tão responsáveis.
Descobri há uns anos que gosto de passar horas comigo mesma, ouvir as minhas conversas incoerentes e rejubilar com pouco. Neste momento, a minha casa invadida pelo sol é o único sítio onde me apetece estar.











