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Tuesday, 17 September 2013

5 minutos de fama

Nas minhas simpáticas férias, enquanto passeava o meu corpinho muito pouco bronzeado junto à praia de Cascais, fui barrada, mais do que uma vez, por um aparato imenso de câmaras, gente estranhamente vestida e penteada para estar na praia, uma senhora muito stressada e um segurança barrigudo. Numa dessas ocasiões, o meu marido sugeriu, com a perspicácia que o caracteriza: 
- Grita aí "corta, corta, repete!"
E eu, que acho piada a tudo o que aquele homem diz, ri-me, no momento em que se aproximavam o rapazinho saído diretamente do Disney Kids e uma qualquer vilã chique com um forçado ar de mau. De repente tinha uma imensidão de caras zangadas a olhar para mim, como se eu achasse que estava, por exemplo, na praia, onde podia rir à vontade... Ah, espera! Mas estava mesmo. E não é como se me tivessem pedido por favor para aguardar debaixo da torreira do sol, em silêncio, enquanto eles gravavam a novela. Pelo contrário, ali a conduta foi gritar com ar carrancudo que ninguém os deixa trabalhar, impedir a passagem sem por favor nem obrigada e, de tempos a tempos, ouvir a mulher stressada a barafustar com os turistas e a ralhar "rir aqui é que não!"
Tive ali uma boa oportunidade para tornar o meu riso famoso, mas tenho uma forte suspeita de que voltaram a gravar aquela cena.

Friday, 1 February 2013

Livros de dezembro

Dezembro foi um mês consagrado, literariamente, apenas ao meu mais que tudo Ken Follet. Nada de novo, portanto. Não consigo cansar-me dele, não sinto que a cada livro dele leia a mesma história contada de uma maneira diferente, embora a espionagem e a II Guerra Mundial sejam, regra geral, um assunto comum a todos eles.
Acabei de ler o Voo final, passado em 1941, numa Dinamarca ocupada pelos Nazis. Os aviões britânicos da RAF, que tentam travar os avanços alemães, são constantemente abatidos antes de conseguirem cumprir a missão, quase como se o exército de Hitler fosse capaz de prever os seus planos. Entretanto, a descoberta de uma base secreta alemã por um jovem dinamarquês vai levar a uma aliança entre este e uma agente do MI6, que partilham a vontade de derrotar os alemães, pela qual ambos enveredam por caminhos complicados com uma grande probabilidade de insucesso.

Fotografia daqui
Contagem decrescente dá um pequeno salto no tempo e transporta-nos para o período da Guerra Fria, mais concretamente para a batalha espacial entre os EUA e a URSS, em 1951. Encontramos, então, Claude Lucas, um aparente vagabundo, que acorda na estação central de Washington sem qualquer réstia de memória. Ao longo dos dias vai, no entanto, redescobrindo a sua inteligência e compreendendo que é perito em perceber se está a ser seguindo, em esquivar-se dos perigos e em lutar contra eles. Descobre, também, que o lançamento iminente do foguetão Explorer I é uma parte fundamental da sua vida e uma das razões para a sua amnésia.
O desvendar desta a questão é o ponto de partida para o desvendar de toda a sua vida.

Fotografia daqui
Qualquer um dos livros, tal como o autor nos vai habituando, tem descrições minuciosas das ferramentas, dos aparelhos e dos artefactos técnicos utilizados pelas várias personagens, bem como das paisagens, dos locais e dos intervenientes, tornando-se, assim, muito fácil imaginarmo-nos no centro da ação, enquanto assistimos ao seu desenrolar. O estilo literário é fluido, embora a linguagem não seja aquela que consideramos corrente, especialmente tendo em conta o cariz específico dos temas escolhidos (o que não constitui, de maneira nenhuma, um aspeto negativo).
Ken Follet tem uma capacidade que me deixa maravilhada, que é a de conseguir ser imparcial ao acompanhar as descrições, decisões e atitudes de qualquer uma das suas personagens, sejam elas antagonistas ou não, o que mantem o suspense até ao final e dificulta a tomada de partido precipitada por parte dos leitores.

Friday, 30 November 2012

Livros de novembro

Este mês foi, literariamente falando, inteiramente dedicado ao Ken Follet. Já tinha ouvido falar muito nele e já me tinha sido aconselhado, mas nunca tinha chegado a ler um livro do senhor. Ora, estava eu no limiar da angústia porque estava a acabar o último livro que tinha para ler sem mais nenhum à vista, quando me é posto à frente O terceiro gémeo. Um livro grosso, de 518 páginas, daqueles que duram muito, tal como eu gosto.
Li-o em menos de uma semana, por isso a finalidade de ter sempre alguma coisa para ler quando entro no metro ou no autocarro foi um bocado pela valeta abaixo, mas não consegui conter-me e devorei-o em cada minuto livre, tendo chegado ao fim com aquela sensação de quero mais.
É uma história sobre um homem acusado de uma violação pela qual não é responsável, da vítima que o identificou sem margem de dúvidas, da amiga da vítima que estuda gémeos e descobre que afinal o acusado tem um gémeo que talvez tenha cometido o crime e do gémeo que, afinal, está na prisão e não é filho dos mesmos pais que o primeiro.
A amiga da vítima e o primeiro gémeo trabalham lado a lado para ilibar este último e descobrem todas as respostas que procuravam. E muitas mais.
Um livro extremamente bem escrito com o título mais genial de sempre.
Estou mortinha por me esquecer da história para voltar a lê-lo.
Daqui
Voltei a abraçar o Ken Follet com O homem de Sampetersburgo, onde conhecemos o Duque Walden que, na Inglaterra de 1941, prepara com Churchill uma aliança secreta com a Rússia, que a manterá ao lado dos ingleses durante a guerra iminente. No entanto, um anarquista russo faz tudo para evitar que a aliança seja concretizada e viaja até Londres onde dá de caras com o passado que lhe escapou por entre os dedos.
Não gostei tanto como d'O terceiro gémeo e achei a leitura mais difícil, provavelmente devido à complexidade das referências históricas, mas não fiquei minimamente desiludida.
Daqui 

Agora estou a meio do Voo final, também sobre Segunda Guerra, mas foca-se especialmente na Dinamarca e na sua resistência secreta aos nazis. Contudo, falarei deste só quando o acabar.

Thursday, 25 October 2012

Livros de outubro

Ultimamente tenho feito várias viagens em transportes públicos, especialmente de metro, e como nunca gostei de ficar parada num sítio a olhar para nada ou, pior, a captar todas as conversas e gestos de pessoas que me são estranhas, ando sempre com um livro atrás. Por essa razão, nunca li tantos livros em tão pouco tempo como agora.
Tal como habitualmente, tenho intercalado um livro a sério com um livro mais pipoca não para compensar nada mas porque já faço isso há muito tempo e, assim, não me canso do que leio.

Imagem de: http://asleiturasdocorvo.blogspot.pt/2009/10/os-filhos-da-liberdade-marc-levy.html

Em outubro comecei por ler os filhos da liberdade, de Marc Levy, que conta de uma forma maravilhosa a história de um grupo bem organizado de adolescentes, sobretudo imigrantes das mais variadas proveniências, que faz parte de uma brigada de Resistência ilegal durante a ocupação nazi em França na segunda guerra. Esta é, na verdade, a história do pai do autor e do seu irmão/tio, que viveram, de facto, os acontecimentos relatados no livro.
Por muito que o desenlace seja favorável a algumas personagens, o final de um livro assim nunca é feliz devido a tudo o que foi acontecendo ao longo da história, especialmente porque sabemos que algumas situações fizeram mesmo parte da História de algumas pessoas reais. Mas é o final agri-doce por que se espera e que nos obriga a refletir na nossa vida e a verificar que somos uns sortudos por podermos viver em tanta liberdade.
Só não gostei da estratégia que o autor usa para relatar o futuro sem lá chegar, com construções frásicas do género mal ele sabia que na semana seguinte..., ou nesse momento, ela não podia imaginar que... De qualquer modo, recomendo-o vivamente.

Imagem de: http://letrasepaginas.blogspot.pt/2009/07/noiva-italiana-nicky-pellegrino.html

Seguiu-se-lhe A noiva italiana, onde Nicky Pellegrino nos apresenta um pai italiano, uma mãe inglesa e duas filhas de mistura a viver em Londres. A filha mais nova está à frente do restaurante que fora do pai e está prestes a casar, enquanto que a filha mais velha é designer de vestidos de noiva por conta de outrem e ficou de fazer o vestido da irmã. É nesses serões de costura que se vai sentar com a mãe a ouvi-la explicar por que razão a sua família e uma outra família com as mesmas origens e que também tem um negócio relacionado com a alimentação se odeiam tanto. E essas revelações vão ter repercussões no presente e no futuro de cada um dos membros das duas famílias. 
O romance tinha bastante potencial, mas desenvolve apenas a história do passado, deixando a do presente um bocado à deriva. Isto é, apresenta um início e uma conclusão para a história que a mãe conta, mas conclui os factos atuais por que nos faz ansiar ao longo das várias páginas com um epílogo atabalhoado e feito à pressa. Senti-me defraudada. De qualquer forma é uma boa companhia para as horas de trânsito.

Imagem de: http://www.bartsbookshelf.co.uk/2010/10/12/yad2-who-wants-to-live-forever-a-guest-post-by-gemma-malley/

Ontem comecei a ler O pacto - o crime de ter nascido, de Gemma Malley, o primeiro de uma trilogia sobre um futuro onde a  imortalidade é possível e a descendência é um crime com séries consequências. Darei a minha opinião quando o acabar.